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Parceria tecnológica

Murilo Torres, Carlos Queiroz e Hugo Giallanza

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postado em 24/12/2017 15:31 / atualizado em 24/12/2017 15:38

 

 

Uma impressora 3D brasiliense chamada PMK. Esse é o principal produto da Protomak, empresa de prototipagem, design e engenharia de produto, fundada em 2012 pelo desenhista industrial Murilo Torres, 35 anos. “Sempre desenvolvi objetos para terceiros e via em prateleiras de lojas. Sonhei por muito tempo fazer algo próprio. Eu queria fabricar equipamentos”, lembra. Foi a partir daí que ele teve a ideia de criar uma impressora 3D e, por meio de pesquisas, percebeu que seria possível. Com o tempo, o plano tomou forma, por isso, a prestação de serviços, antigo carro-chefe da instituição, tem declinado e a tendência é que a impressora 3D seja o único produto. Para botar o projeto em prática, ele trabalhou duro e chamou gente para ajudar. O físico Carlos Queiroz, 39, se tornou sócio de Murilo no fim de 2013.



“A gente se conheceu no ambiente da incubadora de empresas do CDT da UnB (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília). Num dado momento, o Murilo procurou ajuda para projetar a impressora 3D”, recorda. Presidente da Associação de Startups e Empreendedores Digitais (Asteps), Hugo Giallanza, 31, entrou para a sociedade no ano passado. “Minha função é de captação de investimento anjo. Como a empresa é fabricante, precisa de capital para operacionalizar as atividades”, explica. Por isso, Hugo cuida do relacionamento com investidores e da internacionalização da startup. A gama de clientes da impressora 3D é variada e inclui empresas de tecnologia e escritórios de arquitetura, mas a prioridade são instituições de ensino. “Diferentemente de quem presta o serviço, nós vendemos o equipamento em si para que as pessoas tenham e usem como quiserem”, explica Murilo.

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

 

O produto custa em torno de R$ 7 mil. A primeira máquina ficou pronta em abril de 2016. Com a impressora, os sócios criaram maquetes de csa, produtos de engenharia, como engrenagens, carcaças de produtos eletroeletrônicos, peças de reposição, brinquedos e até uma saboneteira. “Dá para fazer muita coisa. O limite é a imaginação”, diz. Para viabilizar o desenvolvimento do projeto, a startup conseguiu um recurso do CNPq para uso em 2014. “Eram bolsas de pesquisa que nos possibilitaram chegar até a segunda versão. Hoje, estamos indo para a quinta, que é nossa versão beta, pronta para escalar”, afirma.

Qualidade
“Ao desenvolvermos a PMK, avaliamos, pesquisamos e compramos outras impressoras 3D. A partir dessa comparação, posso dizer que a nossa é uma das melhores para uso desktop, em pequena escala. Entre as de baixo custo, produzimos uma excelência, o que até me surpreendeu”, afirma Carlos. Segundo ele, a máquina é robusta e tem movimentação mecânica bastante estável. “Ela pode concorrer com as melhores do mercado. A questão agora é conseguir investimento para ampliar isso”, diz. Além das pesquisas, segundo Carlos, a habilidade de Murilo para projetos mecânicos fez toda a diferença na elaboração do equipamento. “A gente combinou engenharia, ou seja funcionalidade, e estética, para que ficasse bonito para se colocar num escritório. Dá para fazer de modo muito mais simples, tem algumas impressoras 3D que são só um monte de parafusos, mas nós não queríamos isso”, explica.

“O diferencial foi a busca pelo melhor, não desejávamos algo mais ou menos”, garante. Murilo concorda. “A gente criou esse equipamento não para ser mais um, mas, sim, para bater de frente com marcas importadas. Nosso foco não era só criar uma impressora 3D, mas produzi-las”, esclarece. “Estou muito satisfeito com o que conseguimos. As pessoas ficam surpresas com a excelente qualidade quando veem as peças impressas”, comenta. Para Murilo, outros ingredientes importantes para o sucesso foram o empenho para atingir as metas estabelecidas e o desenho de uma sólida estratégia de entrada no mercado. Questionado sobre o nível de dificuldade do projeto, ele admite que o caminho não é fácil — afinal, foram necessários dois anos e meio de desenvolvimento pesado e mais de 1 mil horas de testes para chegar à versão atual. “É como quebrar pedra todo dia. Mas vencer na vida é difícil. O que faz valer é que a gente gosta muito do que faz”, afirma.

 

 



Futuro
A expectativa de Hugo Giallanza é que impressoras 3D se tornem artigos comuns em escolas, laboratórios e, mais para frente, em casas. “Há alguns anos, ter uma impressora de papel não era algo difundido, as pessoas demoraram para ter uma em casa. Mas, com o tempo, isso acabou se tornando comum. A impressora 3D vai passar por isso também”, diz. Ele acredita que esse processo deve se acelerar em três ou quatro anos. “Até porque as matérias primas vão baratear e as empresas verão nisso uma alternativa de atender demandas de manutenção de equipamentos: elas mandarão um documento e você conseguirá imprimir peças, até de carro, em casa.” Além disso, a compra de objetos de baixo custo, como pentes e talheres de plástico, passará a não ser mais necessária.

Na residência do engenheiro eletricista Flávio Luz, 47, a modernidade já chegou. Ele foi um dos clientes que adquiriu um exemplar da PMK. “Pesquisei opções baratas, médias e caras, nacionais e importadas. Optei por essa pela qualidade e por ser daqui. Como a empresa é de Brasília, liguei, marquei uma visita e conheci todo mundo”, conta. Ele comprou a impressora 3D há um ano e está satisfeito. “Até agora, imprimi suportes, utensílios de cozinha e bonecos”, conta. Agora, a meta dele é desenvolver modelos próprios para montar um negócio de venda de miniaturas. “Estou fazendo testes e pretendo começar em janeiro”, diz. Admirador dessa tecnologia, Flávio mexe com impressões 3D, como complemento de renda, há 10 anos. “Eu fazia projetos e contratava alguém para imprimir. Agora, a qualidade que eu contratava em 2007 tenho hoje na minha mesa. Barateou bastante”, elogia.


Saiba mais
www.protomak.com.br