ENTREVISTA MARCELO CESANA »

Lições empresariais

Ele empreendeu aos 19 anos. A primeira tentativa não deu certo. A segunda apresentava resultados medianos até que ele resolveu mudar os rumos do negócio. Hoje, é dono da maior exportadora de creme de açaí do mundo e vende o produto para 15 países

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postado em 24/12/2017 15:39 / atualizado em 26/12/2017 13:16

Leo Feltran/Divulgação

 

 

"Trabalhando duro e tendo todos os números administrativos da empresa sobre controle, é possível chegar aonde cheguei. Um erro que a maioria das pessoas cometem, como ânsia de vender mais, é não estimar os custos corretamente e vender o produto com baixa margem de lucro. Um dia a conta chega e a empresa não consegue sobreviver”

 

O empresário Marcelo Cesana, 42 anos, nasceu e cresceu em São Paulo (SP), onde vive até hoje. O desejo de empreender veio cedo, aos 17 anos, quando abandonou a carreira de tenista competitivo. Em 1994, decidiu abrir com o pai a primeira loja de frozen yogurt do Brasil, que chegou a ter seis unidades, mas o plano não deu tão certo. “Talvez ainda não era o momento para esse negócio”, conta. Em 1999, ele fundou a marca Frooty, que, a princípio, era uma fábrica de sorvetes. Contudo, o empreendimento não teve resultados tão interessantes, até que Marcelo mudou o rumo da empresa. No mesmo ano, ele provou açaí pela primeira vez em viagem ao Rio de Janeiro. No entanto, não gostou do sabor da fruta pura. A partir daí, teve uma ideia para amenizar o gosto e popularizar a iguaria: produzir um creme a partir do fruto da Floresta Amazônica.

A inovação deu nova cara à empresa e passou a ser o carro-chefe do empreendimento, que vende ainda sucos e smoothies de açaí e creme de pitaya. Marcelo estudou até o ensino médio e vem de uma família com experiência empresarial: os pais dele tiveram uma exportadora de frutas. Atualmente, a fábrica dele, localizada em Atibaia (SP), tem 300 colaboradores, produz 80 toneladas de produtos por dia e exporta para 15 países, se consolidando como a maior vendedora de açaí do mundo. A Frooty tem uma loja conceito na capital paulista e fornece para supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos.

Quando, como e por que você decidiu ser empresário?
Aos 17 anos, deixei o tênis para ativar meu lado empreendedor. Como desde muito cedo eu tive contato com o mundo do trabalho, foi um caminho natural. Meu pai sempre me apoiou nas decisões. Em 1994, trouxemos para o Brasil a primeira loja de frozen yogurt do país e conseguimos abrir seis franquias da marca.

Por que se interessou por trabalhar com gelados?
O Brasil é um país tropical. Com a primeira abertura da loja frozen yogurt, achávamos que um sorvete mais saudável e batido com frutas naturais teria um bom apelo, uma tendência que, naquela época, estava começando a se expandir.

Como você decidiu trabalhar com açaí?
Em 1999, depois de uma viagem ao Rio de Janeiro em que provei o açaí, tive a ideia de produzir o creme da fruta. Como eu contava com a estrutura da fábrica, consegui desenvolver bem o produto. O açaí é saudável, sustentável e delicioso, então tinha tudo para dar certo. Mais tarde, passei a usar a pitaya, uma fruta não muito comum, porque temos uma veia muito forte de inovação.

Quais desafios você enfrentou?
Primeiramente, a falta de experiência no varejo e a dificuldade de capital de giro para investir no negócio próprio. Outro obstáculo, na época, era o público que em geral não tinha a cultura de consumir açaí. A estratégia para passar por isso foi fazer degustações e colocar o produto na boca das pessoas para elas experimentarem.

Você acha que todos podem chegar aonde você chegou?
Acredito que sim. Trabalhando duro e tendo todos os números administrativos da empresa sob controle, é possível. Um erro que a maioria das pessoas cometem, como ânsia de vender mais, é não estimar os custos corretamente e vender o produto com baixa margem de lucro. Um dia a conta chega e a empresa não consegue sobreviver.

Que dicas você pode deixar para quem deseja ter sucesso nos negócios?
Primeiramente, a pessoa tem que estudar sobre a categoria em que empreendeu. Em segundo lugar, é preciso ver qual benefício seu produto oferecerá em relação aos concorrentes (preço baixo, qualidade superior, praticidade, sabor, etc...). Por fim, é essencial trabalhar pesado.

1,1 milhão
Quantidade de açaí produzida no Brasil em toneladas

Fonte:
Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PAM/IBGE), 2016

 

 

 


*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa