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Para fazer diferente em 2018

Além de colocar os planos no papel, o que é preciso para transformar metas em realidade? Acompanhamento e planejamento constantes são a saída para não chegar ao fim de mais um ciclo com objetivos não alcançados

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postado em 31/12/2017 13:32 / atualizado em 05/01/2018 21:15

Para fazer diferente em 2018

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
Você já chegou ao fim do ano com a impressão de que não conseguiu fazer nada do que planejou? A sensação é bastante comum por falta de perseverança para executar planos. Não adianta sonhar sem traçar metas e, aos poucos, caminhar rumo à realização dos objetivos. Confira dicas para que no próximo ano, a partir de amanhã, esse ciclo de frustração não se repita

 

Hoje é o último dia de 2017, momento apropriado para reflexão quanto ao que passou e o que está por vir. É tempo de renovação e projeção de futuro, definindo metas, como fazer um curso, empreender, encontrar emprego ou rever a postura dentro do atual. Para garantir a realização dos objetivos de 2018, fazer listas, planilhas, balanços e anotações parece apropriado. Um registro mental ou físico que mapeie o sentimento atual: “Este ano foi assim, mas o próximo será diferente”. Mas até que ponto esse tipo de apontamento pode ajudar? Afinal, é muito comum estabelecer propósitos e, ao longo dos próximos 12 meses, ver a determinação e a vontade minguarem e, por fim, o alvo ficar mais uma vez apenas no papel.

Afinal, qual a melhor maneira de se planejar de verdade, para além dos sonhos irrealizáveis, de modo que as pretensões de melhor formação, ascendência profissional ou realizações pessoais não se percam ao longo do tempo? O segredo é manter o foco em um planejamento estruturado, eficaz e estratégico, segundo Alessandra Fonseca, consultora organizacional, instrutora e palestrante especializada em gestão de pessoas. Para ela, os planos traçados errados apresentam, via de regra, pouco paralelismo entre objetivos que se quer alcançar e métodos para chegar lá.

“O que percebo no trabalho de coaching e reposicionamento de carreira é que as pessoas acumulam desejos e criam muitos sonhos, mas não têm capacidade ou foco para torná-los realidade”, afirma ela, psicóloga pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em administração de recursos humanos pela Fundação Getulio Vargas (FGV). “Muitos querem mudar de carreira ou estabelecer qualquer outra inovação no campo pessoal, mas não colocam os planos de modo mensurável, em termos que possam ser avaliados sob métricas e prazos”, analisa. As metas nem sempre se tornam factíveis e o resultado é o folclórico “prometi e não cumpri” bastante frequente no fim de cada ciclo anual.

 

Planejar e executar

 

 

Arquivo Pessoal
 

 

 

João Henrique Santiago, 33 anos, começou a vida profissional como professor de informática em cursos profissionalizantes. Os planos, contudo, iam sempre mais além na mente do paulista formado em publicidade e propaganda. “Sempre almejei a função de coordenador de escola. Trabalhei em várias instituições. Muitas delas conhecem meu trabalho na região e queria provar ao mercado que poderia exercer uma função de liderança”, conta. Para tanto, o planejamento no fim de ano foi fundamental. Ao entrar numa nova empresa de cursos de tecnologia, idiomas e gestão empresarial, João Henrique iniciou o trabalho na posição de professor horista, mas colocou para si prazos e metas para chegar a novos cargos.

Em seis meses, tinha planejado passar de horista a mensalista, depois a professor efetivo e assim por diante. Os resultados vieram: ele recentemente assumiu o cargo de coordenador geral da empresa, que abriu nova unidade. “Colocar no papel é importante para me auxiliar mentalmente. Tem quem ache bobo, mas para mim foi crucial. Se não soubermos o objetivo a que se quer chegar, acabamos não encontrando um norte claro”, garante. Ao longo do tempo, o profissional fez alguns treinamentos e leu bastante a respeito. No mês de dezembro é comum o conflito entre planejamentos de metas que classifica como tangíveis e intangíveis.

“Nessa época, o segundo tipo vale mais, pois esses objetivos concentram mais emoção do que razão. É o momento em que se acredita que se pode fazer tudo, mas não há conexão entre planejamento e execução”, diz. No próximo ano, João Henrique quer fazer cursos de liderança estratégica de equipes. Dentro da empresa, deseja “trabalhar na conquista de tratamento com mais humanidade e compromisso com as pessoas”. Também faz parte dos planos pensar mais seriamente sobre a compra da primeira casa própria, o que só começará a se concretizar em 2019. “Mas já estou pensando!”

 

Tudo com antecedência

 

 

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 

 

 

Alfredo Albano Junior, diretor-geral de planejamento e desenvolvimento de uma grande empresa de turismo, tem a vida em planilha: planeja-se com antecedência para tudo, desde a viagem de fim de ano da família até as metas da empresa e o auxílio na formação dos três filhos. Nada escapa aos olhos do homem que, hoje com 60 anos, enxerga grandes diferenças entre o campo de visão do futuro das gerações. “São tempos difíceis estes no país. Quando olho para o passado, vejo evolução dos meus bisavós para meus avós, destes para meus pais e assim por diante”, observa.

“Hoje, pela crise que afeta a todos e também pela ansiedade típica da modernidade, é difícil para os jovens pensarem a longo prazo”, acrescenta. Sereno, Alfredo conta que não concretiza tudo o que sonha e lista no fim do ano, mas afirma que, dos planos da virada anterior, os mais importantes se tornaram reais em 2017. “A estabilidade financeira pessoal possibilitou fazer uma previdência privada para a minha filha mais nova, o que me parece mais seguro neste momento. Além disso, meus filhos são empreendedores e tenho os auxiliado da melhor maneira que posso”, relata.

Reposicionamento profissional

Para transformar objetivos em realidade, não é preciso ser obcecado por organização; verificando o planejamento de cada passo com antecedência. Ter comprometimento consigo mesmo já ajuda. Camila Barasuol, 33 anos, não tem o rigor de acompanhamento pessoal nas metas para o ano seguinte, mas leva o hábito de fazer listas com seriedade. Há cerca de 10 anos, a coordenadora de marketing guarda os últimos dias de dezembro para reler o plano de metas do ano anterior e fazer outro para o próximo. “Sou metódica e cartesiana, gosto de me planejar. Colocando no papel, tenho mais claro o que quero buscar no outro ano, torno aquilo mais objetivo, compacto e realista”, conta.

 

 

 

 

“Há metas que não alcanço, mas acredito que consigo realizar 60%”, afirma. Em 2018, no campo profissional, ela deseja fazer uma especialização. Pessoalmente, o planejamento também será decisivo: ela pretende ter o primeiro filho no próximo ano. O método de materializar tudo por escrito é recomendado por Eduardo Shinyashiki, mestre em neuropsicologia e especialista em liderança organizacional. “O que sempre peço para os profissionais que acompanho é: 'Coloque no papel, escreva'. O hábito de escrever se assemelha ao de documentar, criando um laço e um compromisso. A partir dele, a pessoa começa a estabelecer prazos e subprazos para cumprir os itens listados”, explica. “O grande conflito está em enviar mensagens antagônicas para si mesmo. Sem planejamento de prioridades formalizado, a mente funciona de modo incongruente.”


"Há metas que não alcanço, é claro, mas acredito que consigo realizar 60%. O que não consegui, e ainda considero relevante, deixo na lista”
Camila Barasuol, coodenadora de marketing

 

Para pensar

 

 

Pergunte a si mesmo

Pelo caminho, o profissional deve ter em mente três questionamentos essenciais, a serem respondidos de modo sincero e autoconsciente, de acordo com a orientação de Fátima Trindade:

» O que gosta de fazer?

Isso dará noção dos seus reais interesses.

» O que faz melhor?
Assim, entenderá habilidades, conhecimentos e talentos.

» O que você prioriza na vida?
Preferências, motivações, o que está em primeiro plano na experiência de cada um.

 

 

Definição de foco e metas mais específicas

 

 

De fato, não faz mal se nem tudo foi alcançado. Vice-presidente da Thomas Case & Associados, consultoria especializada em gestão de carreiras e RH, Fátima Trindade garante que estabelecer o foco principal e a coerência geral entre plano e execução vale mais. “O que importa é se o que foi executado plenamente estava alinhado com nossos interesses e buscas. Muitas vezes, poucos passos dados, mas firmes, são o essencial para o sólido desenvolvimento da carreira”, diz. “Sonhar sem prática, com pontas soltas, é se iludir”, sintetiza Eduardo Shinyashiki. “Se, em 2018, gostaria de praticar a língua inglesa, cuja falta me impede de ir além no mercado de trabalho, devo estabelecer rapidamente quando começo e aonde quero chegar. Se sou iniciante, procuro os primeiros passos. Se tenho relativa intimidade com a língua, exijo de mim chegar à fluência até o fim do ano”, exemplifica.

Gestão de tempo

O coach Francisco Almeida, graduado em comunicação com MBA em gestão de pessoas, dá palestras para empresas em que aborda temas como empreendedorismo, autoconhecimento e liderança. Para tanto, saber gerir o tempo e não atrasar o que precisa ser feito é fundamental. “Sempre brinco dizendo que 'procrastinar e coçar é só começar'. Isso porque é próprio do ser humano construir hábitos e estacionar neles. Na prática, trato de solucionar a má gestão de tempo com quebra de paradigma e sacrifício”, afirma. “Atualmente, passamos tempo imenso no celular, em redes sociais. Será que precisamos mesmo de todo esse gasto de energia no que não traz resultados? É preciso confrontar a si mesmo e colocar os hábitos ruins em perspectiva”, orienta.

 

 

 

 


“Todos dizem que não têm tempo para executar tudo o que planejam. Se você se propõe a aplicar uma gestão matemática e racional do tempo, verá que não é bem assim”, completa. Se fica, ao fim do ano, a sensação de que nada ocorreu precisamente como planejado, é porque avaliamos mal os resultados ou, de fato, não executamos bem o que desejávamos? “Um pouco dos dois”, avalia a consultora Alessandra Fonseca. “O otimismo, a expectativa e a euforia típicos de dezembro proporcionam uma forma de 'terceirizar o resultado', por assim dizer”, aponta. “O problema é que, por vezes, só se estabelece o que se pretende mudar, mas não os métodos e tampouco somos razoáveis no momento de mensurar resultados.”