ENTREVISTA RAFA PRADO »

Milionário antes dos 30

De família humilde, ele se tornou dono de uma empresa de produtos digitais que movimenta R$ 40 milhões por ano e atribui o crescimento à dedicação aos estudos e à ousadia

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/01/2018 13:08

Clozel Comunicação/Divulgação

 

 

Rafa Prado, 29 anos, nasceu em Mauá, interior de São Paulo. De origem humilde, era inconformado com a situação econômica da família. Presenciou a morte de amigos que entraram para o mundo do crime na esperança de ganhar dinheiro e não quis essa vida para si. Graduado em sistema da informação pela Faculdade de Tecnologia Termomecânica (FTT) e em administração pública pela Universidade de São Paulo (USP), além de mestre em engenharia da computação pela Universidade Federal do ABC (UFABC), o jovem usou os estudos e a vontade de montar o próprio negócio para tirar a família da pobreza. Hoje, é empresário e atua promovendo a imagem de pessoas por meio de arquivos digitais, como e-books, vídeos e fotos. A empresa dele, a Brand Called You (BCY), movimenta, anualmente, cerca de R$ 40 milhões. Rafa é investidor e mentor de empreendedores. Ele escreveu 100 graus: o ponto de ebulição do sucesso, livro com 20 mil cópias vendidas. É um guia que auxilia quem quer se destacar no ramo empresarial.



Como você conseguiu se tornar milionário antes dos 30 anos?

Devo isso aos meus estudos. Sou filho único. Meu pai era metalúrgico e minha mãe, dona de casa. Eu olhava para meus primos e amigos e via que eles usavam tênis de marca, roupas caras... Sentia vontade de ter isso também. Certa vez, estava numa festa de São João e um conhecido meu, que tinha a mesma idade, 13 anos, foi morto a tiros porque se envolveu com drogas e roubo. Com esse episódio, entendi que, para ter as coisas que gosto, o mundo do crime não é o caminho. Era preciso enfiar a cara nos livros e estudar. Foi isso que fiz e, então, me tornei um bom aluno. Aos 16 anos, terminei o ensino médio e prestei vestibular da USP. Não fui aprovado, mas consegui bolsa de estudos na FTT. No outro ano, consegui vaga na USP e conciliei as duas graduações. Depois de me formar em ambas as áreas, aos 21, comecei o mestrado.

A vontade de estudar foi o ingrediente principal para conseguir êxito profissional?

Eu costumo dizer que nós temos duas escolas: a instituição de ensino e a vida. Na faculdade, aprendi a teoria e ganhei base para desenvolver minha carreira. Na vida, descobri que é preciso ser autêntico e não ter timidez quando o assunto é desempenho profissional. Não adianta ser um bom aluno, mas ser acanhado: é preciso ter ousadia e autoconfiança.

Como foram os primeiros anos da sua carreira depois de formado?
Após a graduação, abri uma empresa, Cloud Ideias, junto a dois amigos. Atuávamos no ramo de desenvolvimento de softwares. Investimos menos de R$ 5 mil e, em menos de quatro meses, estava com R$ 18 mil no bolso. Fiquei muito empolgado, mas, por falta de experiência, a firma foi à falência. Gastei o dinheiro comigo e não investi na empresa, assim como os outros sócios. Isso fez com que meu nome ficasse no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), então tive de fechar as portas.


Como você fez para superar afalência da primeira empresa?
Esse não foi o único obstáculo que enfrentei. Meu pai teve uma doença e, pouco depois, faleceu. Minha mãe entrou em depressão profunda e as dificuldades financeiras aumentaram. Eu tinha que lidar com tudo isso e com o sentimento de fracasso por não fazer minha empresa crescer e não conseguir emprego. Pensei em me matar, mas minha mãe não podia ficar sozinha, então tirei a ideia da cabeça. Distribuí muitos currículos, mas não era chamado para entrevistas. Certo dia, resolvi não informar no documento que era mestre e logo começaram a me chamar para os processos seletivos. Entendi que, na cabeça dos empregadores, um profissional que tem mestrado tende a ser mais caro por demandar maior salário. Fui chamado para participar de uma seleção no Banco Itaú e a gestora de RH descobriu minha titulação durante a conversa. Ela não gostou de saber disso somente naquela hora e perguntou por que eu não havia falado antes. Respondi: “Se a senhora soubesse que sou mestre, não teria me chamado para esta entrevista.” Um senhor estava na sala e ouviu a conversa. No fim das contas, fui selecionado para atuar na área de tecnologia. Pouco tempo depois, descobri que aquele senhor era um dos executivos do banco e gostou da resposta que dei. Ele me convidou para participar das reuniões estratégicas e isso despertou ciúme de outros funcionários, pois se tratava de um novato.

O que aconteceu a partir daí?
Usei meu título de mestrado para dar aulas no curso de sistema de informação da USP. Trabalhava no banco durante o dia e na instituição, à noite. Ganhava, ao todo, R$ 7 mil por mês. Meus primeiros investimentos foram limpar meu nome, ajudar minha mãe e voltar a ser empreendedor. Entendi que, enquanto fosse somente funcionário, minhas ideias ficariam engessadas, mas se investisse na minha carreira de empresário, poderia ter mais sucesso. Juntei dinheiro e montei outro estabelecimento no ramo de produtos digitais. Dois ou três meses depois, passei a receber o dobro do que ganhava antes, juntando meu salário no banco e na USP.

Como conseguiu esse retornofinanceiro tão rapidamente?
Durante as reuniões com executivos do Itaú, conheci muitos homens de negócios importantes e comecei a conversar com eles sobre investir numa nova empresa que queria montar. Acredito que pessoas com vontade de desenvolver um empreendimento precisam ter persuasão. Contei com o apoio de grandes empresários e, logo que juntei meu primeiro milhão de reais, comprei 30% de uma web TV, na qual uma das apresentadoras era a personal trainer Solange Frazão. Fiz uma proposta: “Eu promovo ainda mais sua imagem na internet e você faz propagandas dos meus produtos”. Ela topou, então o meu empreendimento cresceu, assim como a abrangência dessa TV. Em menos de um ano, arrecadei cerca de R$ 4 milhões.

Entre os executivos que investiram em sua nova empresa, qual nome era mais forte?
Roberto Justus. Eu me tornei sócio dele. Pessoas me procuraram para pedir dicas de negócios e assim tive a ideia de criar um evento de imersão, chamado Mastery, com amigos dos Estados Unidos.

Na sua opinião, por que jovens empreendedores têm dificuldades de se desenvolver profissionalmente?
Por falta de preparo, ousadia e protagonismo. Preparo porque as oportunidades não esperam. É preciso estudar, não ficar preso ao que se vê em sala de aula, fazer estágios, aprender outros idiomas (aprendi a falar inglês sozinho ainda durante a faculdade, pesquisei livros, ouvia músicas e assistia a vídeos na internet)... Tudo isso nos ajuda a sermos melhores. Também é necessário ter ousadia porque, se formos tímidos, ficaremos estagnados pelo resto da vida. Por fim, o protagonismo é essencial porque nenhum profissional quer trabalhar com alguém que se contenta com pouco. Seja criativo e nunca se conforme em ser coadjuvante.

 

Leia

100 graus: o ponto de ebulição do sucesso —Tudo o que você precisa aprender sobre criar dinheiro e liberdade para a sua vida
Autor: Rafa Prado
Editora: Gente
192 páginas
R$ 18,50

 

Evento de imersão
Rafa Prado promove o seminário para empreendedores Ebulição Instantânea em 2, 3 e 4 de fevereiro de 2018. Randi Zuckerberg (irmã do fundador do Facebook) e o empreendedor americano Kevin Harrington estarão entre os palestrantes. O evento tem espaço para 3 mil pessoas. Investimento: R$ 700. Inscrições:

 

 

 

*Estagiário sob supervisão e Ana Paula Lisboa