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Reprovados em português

Falta de domínio da língua é a principal causa de eliminação de estudantes em teste de estágio para nível superior

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postado em 15/09/2013 19:33 / atualizado em 18/09/2013 11:53

Mariana Niederauer

Carlos Vieira/CB/D.A Press
O estágio é o primeiro passo para quem pretende ter uma oportunidade no mercado de trabalho após a graduação. Ao participar de um processo seletivo para esse tipo de vaga o estudante precisa considerar que se trata de uma possível oportunidade de colocação no mercado no futuro. Muitos, no entanto, não estão preparados para encarar a entrevista e pecam em competências básicas. Pesquisa feita pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), entre 1º de janeiro e 31 de julho deste ano, mostrou que mais de 62% dos 6.175 candidatos que fizeram testes de estágio de nível superior na organização reprovaram. Os motivos foram os mais variados, porém o principal deles é a falta de domínio do português.

Todos os entrevistados fizeram um ditado de 30 palavras. Era permitido cometer até sete erros, mas 36,8% deles reprovaram. Falhas ortográficas graves — como “essepcional”, “analize”, “regeitar” e “adapitação” — foram encontradas nos testes. “São erros de palavras comuns, e não de palavras mais rebuscadas”, alerta o coordenador de Seleção do Nube, Erick Sperduti. Nos processos seletivos em que é necessário escrever uma redação, o resultado costuma ser ainda pior. “Se eles têm dificuldade até no teste ortográfico, na redação os problemas são ainda maiores. Eles pecam na concordância nominal e verbal e, às vezes, não têm conhecimento acerca do tema abordado. Por isso, não conseguem elaborar o texto. Já recebemos redação de três linhas”, conta Sperduti.

A falta de leitura e de prática da escrita são relacionadas como as causas dessas deficiências na formação. Os estudantes chegam à seleção sem conhecimento das palavras e não conseguem escrever um texto argumentativo que tenha introdução, desenvolvimento e conclusão. “Nós identificamos uma falta de iniciativa do próprio jovem”, diz o especialista, que ressalta ser importante usar a tecnologia a favor, para ler mais, aumentar o vocabulário e aprender.

Janaína Andrade, coordenadora na empresa especializada em recrutamento e seleção Talent Group, também percebe a falta de domínio da língua portuguesa como uma das principais deficiências nos processos seletivos para estágio. “Os jovens estão com uma lacuna muito grande no português, não conseguem escrever de maneira clara. Além disso, há o problema da dicção. Eles usam linguajar mais informal e, numa entrevista de emprego, é preciso ser mais formal, pensar como se fosse fazer parte daquela empresa um dia”, explica.

Objetividade
O professor João Trindade, autor do livro A língua no bolso, afirma que os erros mais comuns são de ortografia, crase, concordância verbal e nominal (veja o quadro com dicas). “O ideal é ser simples, claro e objetivo na entrevista e na hora de escrever o texto também. Assim, a probabilidade de errar é menor. Uma dica é não usar períodos longos, pois eles tendem a fazer com que a pessoa erre mais”, sugere. Trindade destaca ainda que os examinadores não costumam cobrar regras muito complicadas em seleções de estágio e uma revisão das normas gerais é suficiente para se sair bem. “Quanto a questões de ortografia, não há outra solução, é preciso ler muito e, sempre que tiver dúvida, consultar o dicionário”, afirma.

Para melhorar o vocabulário e aprender a redigir bem, a sugestão do professor é aliar a leitura de jornais, revistas e textos na internet à literatura. O estagiário da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF) Vicente Everthon Sousa Santos, 22 anos, segue à risca essa recomendação. Ainda no ensino médio ele leu obras de Maquiavel e de Platão. Para ser aprovado no processo seletivo da procuradoria, o estudante do 10º semestre de direito precisou escrever duas questões dissertativas de até 15 linhas, que cobravam tanto o conteúdo de direito quanto o de língua portuguesa. “Fiz cursinho de português quando estudava para concurso e na escola prestava atenção na aula. Tive facilidade de escrever na prova dissertativa, porque sempre li muito e continuei com esse hábito por causa da faculdade”, conta.

Comportamento
Outro ponto em que os candidatos deixam a desejar nas seleções de estágio diz respeito aos quesitos comportamentais — desenvolvimento de competências e postura inadequada —, responsáveis por mais de 22% das reprovações (veja o gráfico). Erick Sperduti, do Nube, sugere que o candidato use sempre um traje mais formal. Para os homens, terno, unhas cortadas e barba feita, e, para as mulheres, nada de decotes, roupas curtas demais nem maquiagem exagerada. É importante também relaxar no dia anterior para chegar à entrevista descansado e com antecedência de 15 minutos.

A especialista Janaína Andrade sugere que o candidato pesquise sobre a empresa na internet antes de participar da seleção. Além disso, é necessário estar bem informado sobre a área de atuação para saber conversar com o entrevistador. “Para um processo seletivo de estagiário, não tem como avaliarmos muitos aspectos técnicos. Então, ele é mais voltado para a parte pessoal, o cotidiano do candidato. Nessa parte, eles se saem pior ou por falta de conhecimento do próprio curso, ou por falta de direcionamento da carreira”, afirma Janaína. O candidato também precisa ter um objetivo definido na carreira, saber para que é a vaga e participar da seleção apenas se esse posto lhe interessar realmente, pois desinteresse conta pontos negativos. “Quando você demonstra entusiasmo e conhecimento, é indício de que gosta do trabalho. É isso que faz a diferença em um processo seletivo.”


Nenhum aprovado
A prova de redação eliminou todos os candidatos a uma vaga do concurso público para o cargo de juiz do trabalho substituto do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, na Bahia. O resultado foi divulgado no início de agosto. Dos 2.591 inscritos, 61 passaram para a terceira etapa, uma prova de sentença, e nenhum conseguiu alcançar a nota mínima exigida, de seis pontos. O resultado final após a avaliação dos recursos sai na próxima quarta-feira.

Prepare-se

Cursos on-line
O Nube oferece cursos on-line gratuitos sobre processos seletivos, gestão de carreira, marketing pessoal, como falar em público e como elaborar um currículo. Eles podem ser acessados no site www.nube.com.br/ead.

Feira para estudantes

Durante a programação da Feira Capital Estudante, haverá oficinas e palestras com dicas de seleção de estágio. O evento começa na próxima quinta-feira e vai até sábado, das 9h às 20h, no Pátio Brasil Shopping. No primeiro dia de evento, das 17h às 18h50, a editora de Opinião do Correio, Dad Squarisi, ministrará a palestra Como escrever um texto nota 10. Na sexta-feira, às 10h30 e às 16h, será ministrada a palestra Mercado de trabalho e estágio. Haverá ainda estandes do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), onde os estudantes poderão encontrar oportunidades de vagas, fazer cadastro e ter consultoria para elaboração de currículo. A programação completa está disponível no site www.capitalestudante.com.br. A entrada é gratuita.

LEIA

A língua no bolso — dicas de português para todas as ocasiões
» Autor: João Trindade
» Editora: Alumnus
» Edição: 2ª
» Páginas: 112
R$ 18

A língua no bolso é um manual prático para professores, estudantes ou para qualquer pessoa que quiser aprender de forma rápida as principais normas da língua portuguesa. A obra traz dicas sobre ortografia e pontuação e ainda tem exercícios com o gabarito para testar os conhecimentos.
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