SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Intercâmbio

Jovens líderes

Programa da Embaixada dos Estados Unidos leva 20 universitários brasileiros para o país. Experiência no exterior ajuda a desenvolver a carreira

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 14/01/2013 10:35 / atualizado em 14/01/2013 09:44

Vinte universitários brasileiros embarcaram ontem para os Estados Unidos pelo programa Jovens Líderes. Eles foram escolhidos entre mais de 700 inscritos por serem considerados influentes nas universidades onde estudam e na comunidade. O intercâmbio vai durar seis semanas e os estudantes terão uma imersão na cultura norte-americana com aulas sobre história, instituições políticas, economia e outros assuntos relacionados ao país na Universidade do Tennessee, em Knoxville, na Georgia. Além disso, participarão de trabalhos comunitários e visitarão monumentos e organizações governamentais e privadas em outras três cidades do país: Atlanta, Nova York e Washington.

O objetivo é explorar o cotidiano da sociedade americana a fundo. A experiência foca em atividades ligadas ao trabalho, ao ritmo e aos costumes estrangeiros para desenvolver nos Jovens Líderes uma visão global do funcionamento do país. A iniciativa pretende estabelecer vínculos entre os estudantes brasileiros, os norte-americanos e os universitários de outros países que também participam do projeto. No fim do processo, os alunos deverão apresentar para os colegas um projeto indicando melhorias inspiradas no contato com a realidade do país.  

Jonathan Braga, 21 anos, estudante do 5º semestre do curso de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), é o jovem líder que vai representar o Distrito Federal no programa. A experiência empreendedora e o engajamento em diferentes projetos foi o que contou pontos para que garantisse uma das vagas: ele trabalhou como coordenador de um programa focado em vendas de intercâmbios na área corporativa da Aiesec — organização independente gerida por jovens do mundo inteiro — e atuou em várias simulações das Nações Unidas na cidade. Além disso, no ano passado esteve do outro lado do intercâmbio e ajudou estudantes da Suíça e da Alemanha a conhecerem o país e a universidade. Esse contato foi o que o influenciou a se inscrever no programa. “Fiz a inscrição, inicialmente, pela oportunidade de conhecer mais a fundo a história dos Estados Unidos e também por ter tido a influência de amigos do meu curso que participaram da edição passada”, relata.

 

Oportunidade
O jovem brasiliense será acompanhado de mais 19 universitários de 10 estados: Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. “A expectativa está alta. Eu nunca fui para os Estados Unidos e essa é uma oportunidade muito boa”, comemora. Para o jovem, que pretende ser diplomata, até os preparativos da viagem ajudaram a definir melhor os rumos da carreira. “Tivemos um encontro com os embaixadores, que nos inspirou bastante sobre a importância do Brasil e dos Estados Unidos e da cooperação entre os dois países. Pretendo levar adiante essa colaboração, principalmente no Itamaraty, que é meu foco”, conta.

Os custos da viagem — passagem aérea, alimentação, seguro-saúde e visto — ficaram por conta da Embaixada dos EUA no Brasil e do Departamento de Estado norte-americano. Grande parte dos estudantes selecionados cursam faculdades de direito e relações internacionais, mas também há alunos da área de economia, jornalismo, ciência política, letras e engenharia.

Desempenho acadêmico e envolvimento em projetos comunitários contam pontos para a seleção dos jovens e influi na capacidade de liderança, que é a principal característica procurada pela embaixada. “O líder não é necessariamente aquele que está à frente de alguma coisa, mas que mostra um engajamento social com a comunidade onde vive”, explica Vera Galante, coordenadora do programa, que teve a primeira edição em 2008. “Também fazemos questão de uma distribuição geográfica e de gênero”, explica ela.

Cultura
Nas duas últimas semanas do intercâmbio, após o período de aulas na universidade, os jovens vão conhecer Nova York e a efervescente indústria cultural local. Na capital, Washington, vão se encontrar com intercambistas latino-americanos de projetos semelhantes, para trocarem experiências.

Segundo o sócio-fundador de uma organização de intercâmbios, Flávio Crusoé, os norte-americanos têm uma cultura fortemente voltada à prática de trabalhos comunitários e voluntariado em organizações de ajuda humanitária, como a Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras (MSF). “Muitos norte-americanos, quando terminam o ensino médio, viajam para fazer trabalhos voluntários no exterior, como na África, por exemplo, e retornam ao país para só começar a sua carreira a partir disso”, conta o especialista, que já foi voluntário em uma agência de intercâmbios dos Estados Unidos antes de montar o próprio negócio no Brasil.

Fabiana Faulhaber, diretora de uma agência de intercâmbios voltados a planejamento de carreira, a imersão de um jovem em um país cuja política e idiomas são diferentes, é o momento para que ele aprenda e apreenda novas culturas. “Não tem como alguém sair do Brasil e ir para o exterior, seja para qual país for, e voltar da mesma forma. Não importa a idade, todos voltam com uma visão diferente, um aprendizado de vida”, comenta. Na agência onde trabalha, a procura por programas de voluntariado em intercâmbios cresceu, em média, 60%. “O voluntariado possibilita troca de experiências e é considerado um investimento que o aluno faz nele próprio.”

 Também embarcaram para os Estados Unidos neste fim de semana 37 estudantes e 540 professores da rede pública. Eles participam do projeto Jovens Embaixadores e do Programa de Aperfeiçoamento para Professores de Língua Inglesa, respectivamente.

Os próximos passos Os principais resultados do projeto Jovens Líderes podem ser vistos quando os universitários voltam ao Brasil e usam a experiência do intercâmbio nos Estados Unidos em favor da comunidade onde vivem. A gaúcha Sílvia Sebben, 25 anos, participou do programa em 2010 e até hoje desenvolve ações que ajudam a cidade natal dela, Porto Alegre. Depois que voltou da viagem, ela criou um projeto de capacitação gratuita para professores da rede pública de ensino relacionado a temas internacionais. Por meio de palestras ela incentivou os docentes a criarem outras abordagens de ensino em disciplinas como história e geografia.

“O maior aprendizado foi entender a maneira com que os americanos lidam com o envolvimento social, com a doação para a comunidade e com a assistência a grupos específicos. Isso é muito forte lá, eu até diria que muito mais do que no Brasil”, relata Sílvia.

Ela também acredita que o intercâmbio contribui para o trabalho que exerce hoje: Sílvia dá suporte a pequenos e médios anunciantes no Google. “Tanto a experiência que tive no intercâmbio como nesse projeto, desenvolveram a minha liderança e capacidade organizacional. Inserir um projeto que começa do zero, dá uma noção de como as portas podem ser abertas.”

O aluno da Universidade de Brasília (UnB) selecionado na último edição do projeto Lucas Brasileiro, 21 anos, estudante do 6º semestre de relações internacionais, conta que o choque cultural foi bem interessante e conviver com universitários de diferentes cursos e estados também acrescentou pontos positivos ao intercâmbio. O jovem teve aulas na Universidade Central da Carolina do Norte, em Durham, onde grande parte dos alunos são negros. O contato com estudos sobre direitos civis, muito vinculado à luta dos negros norte-americanos, abriu a mente do estudante para o próprio ambiente onde cresceu. “Talvez eu tenha aprendido muito mais sobre o Brasil do que sobre os Estados Unidos”, relata.

Quando o grupo de Lucas visitou Atlanta, conheceu museus e monumentos dedicados à história das conquistas lideradas por um conterrâneo da cidade, Martin Luther King, ativista dos direitos civis dos negros nos anos 1960. Já na universidade onde esteve, envolveu-se com diferentes intercambistas do mundo todo, além de conhecer estudantes de vários estados norte-americanos. “Poder observar diferentes estruturas sociais e aplicar em meu contexto local é a parte mais interessante do que aprendi”, comenta.

Como participar

As inscrições para a próxima edição do programa estão previstas para agosto ou setembro. Confira alguns dos requisitos para se tornar um Jovem Líder:

» Ser fluente em inglês
» Estar entre o primeiro e o penúltimo ano do ensino superior
» Ter entre 18 e 25 anos
» Demonstrar liderança em atividades comunitárias e universitárias
» Apresentar excelente rendimento acadêmico
» Demonstrar comprometimento com a comunidade e com atividades extracurriculares
» Ser maduro, responsável, independente, confiante, tolerante e curioso

 

Tags:

publicidade

publicidade