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Correio Braziliense

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Estudantes que concorreram a bolsas para a Espanha reclamam da seleção

Grupo no Facebook reúne 113 candidatos do Ciência sem Fronteiras que não obtiveram o nível de proficiência exigido no edital e querem ter a chance de fazer um curso, como ocorre em outras chamadas

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postado em 13/03/2013 19:04 / atualizado em 13/03/2013 19:36

Mariana Niederauer

Lucas Vidigal/Esp. CB/DA Press
Estudantes que se inscreveram no processo de seleção para bolsas de graduação sanduíche na Espanha pelo programa Ciências sem Fronteiras (CsF) estão contestando o grau de igualdade entre os editais apresentados para diferentes países. Apesar de o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) estar cumprindo o que determina o edital, alguns candidatos acreditam que as chances oferecidas a alunos que concorrem a bolsas em outros países são melhores, pois muitos têm direito a fazer um curso de idioma de seis meses para alcançarem o grau de proficiência exigido.

Alguns candidatos chegaram a se reunir em um grupo no Facebook, chamado de “El grito de los excluidos”, que conta com 113 membros. Eles tiveram o nível A2 de proficiência na língua espanhola, mas o edital da seleção exige um nível mais, o B1. O CNPq fez uma parceria com o Instituto Cervantes para aplicar uma prova específica aos candidatos do CsF. Quem não alcançou o nível necessário, porém, reclama que as avaliações seguiram critérios subjetivos e que o grau de exigência teria variado de uma cidade para outra. “Percebemos que houve discrepância nas avaliações. O Cervantes de Brasília foi extremamente rigoroso. Dependia do professor”, relata o estudante do 6º semestre de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UnB), Phelipe de Oliveira dos Santos, 21 anos. Ele busca uma vaga na Universidade de Córdoba, na área de tecnologia e produtos florestais.

Segundo o diretor do Instituto Cervantes em Brasília, Pedro Eusebio, a seleção foi a mesma em todo o país. “Todas as pessoas que aplicaram as provas são professores que têm o Dele (Diploma de Espanhol como Língua Estrangeira)”, ressalta. Alguns candidatos alegam, ainda, que o instituto informou por e-mail que seria dado um curso complementar para quem não tivesse atingido o nível de proficiência. Pedro Eusebio diz que o Instituto Cervantes forneceu apenas as informações previstas no edital do CNPq, que não prevê esse curso.

Outra crítica dos participantes é que, na última chamada pública aberta para o país europeu, não foi exigida proficiência na língua espanhola. “Desde o começo, o edital está confuso para todos. O anterior não pedia proficiência no idioma, dada a proximidade com a língua portuguesa”, reclama Phelipe. “As universidades espanholas não exigem proficiência mínima, como foi visto no último edital. Está faltando uma sintonia nessas decisões”, reforça Rodrigo Paiva, 25 anos, estudante de engenharia ambiental da Universidade de São Paulo (USP). Os candidatos enviaram e-mails a universidades da Espanha perguntando sobre o domínio necessário da língua para o ingresso e receberam resposta de pelo menos quatro que disseram não exigir um nível específico em espanhol, mas recomendam que o estudante tenha algum domínio para terem uma boa experiência no intercâmbio.

Além disso, a oportunidade oferecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para que estudantes que se candidataram na chamada pública das universidades de Portugal pudessem ter as inscrições transferidas (leia Saiba mais) para outros países revoltou os candidatos às vagas na Espanha, pois esses alunos terão direito a fazer um curso de proficiência com duração de até seis meses. “Eles simplesmente tiveram a opção de mudar de país e vão ser pleiteados com um curso de aperfeiçoamento. Onde está a legitimidade disso?”, questiona Rodrigo.

O estudante Rafael Bispo, 20 anos, que cursa análise de sistemas no Instituto Federal da Bahia Rafael Bispo, também obteve o nível A2 no teste do Instituto Cervantes. Ele contesta a falta de informações por parte do CNPq. Em nota, o órgão informou que está seguindo o que determina o edital e não comentou a diferença com relação às chamadas públicas para outros países. “As regras para seleção são definidas pelo edital, que é de conhecimento público, não sendo possível modificar com a seleção em andamento”, destacou a nota.

De acordo com Rafael, a central de informações do programa deu orientações diferentes aos alunos que entraram contato para esclarecer dúvidas. Às vezes, os atendentes diziam que haveria um curso complementar de proficiência na língua, em outras ocasiões, informavam que não existiria essa possibilidade, e alguns chegaram dizer que não tinham informações para passar ao estudante. “É um processo obscuro, não tem transparência, não sabemos a concorrência nem a quantidade de inscritos. Fica difícil aceitar a justificativa deles”, afirma Rafael. “Nós queríamos, pelo menos, a oportunidade de fazer o curso para alcançar a nota exigida”, completa.

Saiba mais
A Capes informou, em 4 de março, que 9.691 candidatos ao Ciência sem Fronteiras que pleitearam vagas para estudar em Portugal tiveram mais de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, portanto, têm qualificação condizente com os critérios do programa. Devido ao alto número de alunos qualificados, a Capes decidiu encaminhar consulta àqueles considerados elegíveis para saber se têm interesse em transferir as inscrições para os Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália ou Irlanda.
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