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Estudantes que concorrem a bolsas na Espanha pelo CsF são recebidos no CNPq

Eles reclamam da falta de transparência no processo seletivo e de problemas na certificação concedida pelo Instituto Cervantes

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postado em 18/03/2013 19:14 / atualizado em 18/03/2013 19:21

Mariana Niederauer

Mariana Niederauer/Esp CB/DA Press
Dez estudantes que concorrem a bolsas de estudos na Espanha pelo Ciência sem Fronteiras foram à sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na tarde desta segunda-feira (18/3) cobrar esclarecimentos sobre a seleção. Eles fazem parte do grupo de candidatos que tirou a nota A2 na prova aplicada pelo Instituto Cervantes em todo o país, mas o nível de proficiência exigido no edital é o B1.

Os candidatos se reuniram em um grupo no Facebook, chamado de “El grito de los excluidos”, que conta com cerca de 130 membros. Eles contestam o grau de igualdade entre os editais apresentados para diferentes países, pois acreditam que as chances oferecidas são melhores do que na chamada pública da Espanha, pois muitos oferecem curso de idioma de seis meses para o candidato alcançar o grau de proficiência exigido.

Além disso, a certificação oferecida pela Instituto Cervantes também gera controvérsia. O CNPq fez uma parceria com o Instituto Cervantes para aplicar uma prova oral específica aos candidatos do CsF. De acordo com o advogado Marcio Antonio Nunes, que representa parte do grupo de estudantes, as provas tinham o mesmo gabarito, mas foram aplicadas em dias diferentes nas cidades brasileiras. Os estudantes disseram, ainda, que no cabeçalho do teste aplicado pelos professores do Cervantes estava escrito que se tratava de uma avaliação de nível A2. Segundo os candidatos, quem tirava nota superior a 90% no teste recebia o certificado de nível B1.

A falta de esclarecimentos por parte do órgão responsável pelo Ciência sem Fronteiras e falta de sintonia com as informações passadas pelo Instituto Cervantes também deixaram os candidatos confusos. A filial do instituto em Belo Horizonte, por exemplo, divulgou em seu site que o CNPq criaria uma lista de espera para aqueles que alcançassem o nível A2 e que, caso houvesse vaga na lista principal, poderiam fazer parte do programa.

A estudante de Goiânia Ísis Terra, 22 anos, foi a única recebida por representantes do CNPq na reunião desta segunda-feira. Ele veio a Brasília exclusivamente para participar do encontro e afirma que os representantes ficaram surpresos com o fato de a prova aplicada ser de nível A2. “Eles prestaram muita atenção em todos os aspectos que eu pontuei e ficaram intrigados com a questão da prova, mas, de qualquer forma, vão manter o edital e a pré-seleção”, conta. Eles informaram à jovem que o a exigência de nível de proficiência B1 - que não estava presente no outro edital para o país - se deu por causa de um acordo com as universidades espanholas, pois o baixo grau de domínio da língua atrapalhou o desempenho dos estudantes selecionados na chamada anterior. Procurados pela reportagem, nenhum representante se pronunciou sobre o assunto, pois a ata da reunião ainda estava sendo fechada no fim da tarde.

Os estudantes que alcançaram o nível B1 já começaram a ser convocados por e-mail para darem início ao processo de pedido de bolsa de estudo. O resultado final da chamada pública para a Espanha está previsto para sair em 17 de abril, mas o prazo para a inscrição nas universidades espanholas parceiras do CsF termina ainda em março. Por isso a pressão por parte dos candidatos para esclarecimentos por parte do CNPq.

Por meio do portal de acesso à informação do governo federal, os candidatos tiveram a notícia de que foram cerca de 1,5 mil os inscritos na chamada para a Espanha e na reunião desta segunda-feira o CNPq informou que 408 foram pré-selecionados com o nível B1, mas que não há previsão de quantas vagas serão, pois depende de verbas e números de postos disponíveis. “Essa reunião fez com que eles olhassem não só os candidatos, mas todos os projetos do Ciência sem Fronteiras com outros olhos, da perspectiva do aluno”, relata Ísis. Uma carta pedindo esclarecimentos oficiais foi protocolada no CNPq.
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