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Currículo viajado

Número de intercâmbios aumenta 20% ao ano no Brasil. Especialistas acreditam que estudar fora passará a ser obrigação para quem quiser entrar no mercado

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postado em 10/06/2013 10:25 / atualizado em 12/06/2013 19:31

Gustavo Moreno
Foi-se o tempo em que fazer intercâmbio era apenas sinônimo de aprimoramento no inglês. A busca por troca de experiências pessoais e culturais tem impulsionado um número cada vez maior de brasileiros a estudar e trabalhar no exterior. Segundo estudo feito pela Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta, na sigla em inglês), cerca de 175 mil brasileiros fizeram intercâmbio em 2012, número que aumenta, em média, 20% ao ano.

A flexibilidade dos programas oferecidos no exterior é o que tem motivado essa procura. Atualmente, existem cursos que podem ir de três semanas — como workshops e trabalhos de voluntariado —, até quatro anos, como pós-doutorados. Se tiver objetivos claros, o estudante pode adquirir não só a fluência em outras línguas, como estágios e o tão desejado diferencial no mercado de trabalho.

O estudante de ciência política Robert Lee, 23 anos, embarcou em 2011 para um intercâmbio de sete meses na Universidade de Giessen, na Alemanha. Para ele, a vivência em outras culturas foi um dos pontos decisivos para conquistar um emprego. “No intercâmbio você aprende a conviver com pessoas com maneiras de pensar diferentes da sua. E se você é capaz de enfrentar as pressões de viver e estudar numa cultura completamente diferente, então, pode lidar com qualquer pessoa. Isso foi algo muito valorizado durante minha entrevista”, conta o estudante, que conseguiu o primeiro trabalho, como assessor do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, logo após o retorno.

A tendência é de que o intercâmbio se torne uma constante nos currículos dos jovens trabalhadores. Na pesquisa feita pela Belta no ano passado, 92% das agências consultadas detectaram o aumento da procura na classe C por cursos no exterior. “Antigamente, o intercâmbio era algo muito caro. Hoje, dependendo do tempo e do objetivo, qualquer pessoa pode ter acesso. As próprias escolas do exterior estão mais abertas a receber os alunos”, ressalta a diretora da agência de intercâmbio 2be Study Group, Alessandra Brandão.

 

Planejamento é tudo
Apesar de as faixas de preço ainda parecerem pouco amigáveis à primeira vista — o investimento pode variar entre R$ 2 mil e R$ 35 mil de acordo com o curso e a duração —, as agências afirmam que o segredo está no planejamento. Para fazer um levantamento sobre as despesas da viagem, recomenda-se uma média de seis meses de antecedência. “Um intercâmbio acarreta muita responsabilidade. Ter que se virar e aprender a viver sozinho traz uma maturidade e isso é o que as empresas têm procurado. O segredo mesmo é planejar”, afirma Pedro Diehl, coordenador regional da agência Egali.

Se antes os destinos mais procurados eram Estados Unidos e Europa, por terem as universidades de renome, hoje, a procura leva em consideração a facilidade. Países como Irlanda, Canadá e África do Sul têm sido mais buscados por não imporem muitas dificuldades na documentação para visto de trabalho e de estudo, por exemplo.

Cursos de graduação e pós e de extensão universitária, que podem durar de seis meses a quatro anos, exigem aprovação das universidades receptoras. Outros pedem formação em áreas específicas ou têm idade-limite para participar.

Bolsas são alternativa
Aqueles que querem fazer um intercâmbio e possuem um limite de investimento devem ir em busca de bolsas de estudo, que são oferecidas por embaixadas e universidades estrangeiras. Esses programas cobrem taxas de inscrição, mensalidade e dormitório. Outra saída são as bolsas oferecidas pelo Ciências sem Fronteiras (CsF) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A universitária Júlia Rabelo, 20 anos, foi uma das 41.133 estudantes brasileiras beneficiadas pelo CsF desde o início do programa, em 2011. A estudante de arquitetura cursará um ano na Espanha. “O aluno tem que ficar esperto e procurar oportunidades. O CsF é uma chance única. Você convive com outras culturas e ainda pode cursar disciplinas às quais não teria acesso aqui”, afirma a estudante.

O programa também permite conciliar estágio e estudo no exterior. O brasiliense Lucas Albanaz, 25 anos, cursa medicina na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, desde julho de 2012. Hoje, o estudante estagia no Departamento de Cronobiologia de Harvard. “A oportunidade de conhecer e estagiar em grandes centros produtores de tecnologia é única, estou realizando um sonho. Vivenciar esse programa é participar de uma mudança na história da educação do país”, comenta Lucas.

Programe-se
Ciências sem Fronteiras
O programa do governo federal está com 13.480 vagas para graduação em nove países da Europa, Ásia e América do Norte. Para participar, é preciso comprovar proficiência em idioma estrangeiro e ter alcançado média de 600 pontos no Enem em edição posterior a 2009. Os interessados podem fazer a inscrição até julho — a data final depende do país de destino escolhido. Informações no site www.cienciasemfronteiras.gov.br.

Bolsas da Capes
A Capes está com 23 editais abertos para intercâmbio. As bolsas são destinadas a graduações, pós-graduações, especializações para professores e estágios supervisionados. Os pré-requisitos variam de acordo com a finalidade da bolsa. Informações pelo site www.capes.gov.br/editais/abertos.

Belta
A Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais reúne informações sobre os principais programas de intercâmbio oferecidos pelas agências brasileiras. Por meio do site www.belta.org.br, é possível fazer a pesquisa por país, idioma e programa de preferência.

Bolsa Santander Universidades
Programa que oferece bolsas de estudo de um semestre para intercâmbio cultural em universidades de Portugal, China, Espanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Para participar, é preciso comprovar proficiência em língua estrangeira. São avaliados os índices acadêmicos e o plano de estudos do candidato. O programa de bolsas Íbero-Americanas recebe inscrições até 18 de agosto. Informações pelo site www.santanderuniversidades.com.br.

O mais procurados
Idiomas

Representam 60% da procura nas agências de intercâmbio. Podem ter duração de um a seis meses. Alguns são voltados para linguagem específica de uma área, como inglês para direito ou medicina.

High school
Destinado a estudantes com idade entre 15 a 18 anos incompletos e que desejam ter uma experiência cultural em um país de língua inglesa enquanto completam o colegial.

Curta duração
Equivalem a cursos de especialização em algumas áreas, como moda, marketing e business. Duram de quatro a seis meses e exigem conhecimento intermediário do idioma.

Extensão universitária
Especialização em um número determinado de disciplinas de um curso. Pode ter de quatro a seis meses de duração.

Formação e trabalho
Algumas universidades oferecem um ano de formação acompanhado por um ano de estágio na mesma área.

Au Pair
Voltado para a vivência intercultural, o programa direciona estudantes para trabalhar em casas de família. É necessário ter entre 18 a 26 anos, bem como experiência com crianças. Além de trabalhar, o estudante faz um curso diário de língua estrangeira.

Fonte: pesquisa feita pela Belta

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