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Brasil sobe oito posições em ranking de proficiência em inglês

Apesar de avanço indicado na pesquisa, brasileiros não apresentam conhecimento profundo do idioma

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postado em 08/11/2013 18:35 / atualizado em 11/11/2013 19:07

Brasileiros têm 2,8 pontos a mais que em 2007 no Índice de Proficiência em Inglês (EPI), com uma pontuação de 50,07. Atualmente, o Brasil ocupa o 38º lugar na lista entre 60 países avaliados. Em 2012, o país estava na 46ª posição e em 2011 estava na 31º. Apesar do salto, a classificação ainda é considerada baixa. O levantamento está na 3ª edição e é realizado pela EF Education First, grupo de educação internacional.



O desenvolvimento econômico do país, a crescente demanda por conhecimentos de língua estrangeira no mercado de trabalho e a expectativa para os grandes eventos internacionais são alguns dos motivos da melhora, apontados por Luciano Timm, coordenador da pesquisa no Brasil e diretor de marketing da EF Education First. Mesmo com o progresso, Timm lamenta os desafios que ainda precisam ser enfrentados. “O que me preocupa é que continuamos ensinando inglês como fazíamos para nossos avós”, diz.

Método de pesquisa

Os resultados vêm da avaliação das habilidades em língua inglesa a partir de dois testes: um disponível na internet, de acesso aberto, e outro realizado no nivelamento no início do curso de inglês da instituição, também on-line. A prova continha tópicos de gramática, leitura e audição. Na terceira edição, 750 mil pessoas, com 16 anos ou mais, participaram das provas.

A média brasileira é de 50,07 pontos, média que corresponde ao nível B1 do Quadro Europeu Comum de Idiomas, que é um grau intermediário. Com esta competência, um falante se expressa de forma simples e consegue lidar com situações comuns do cotidiano, mas não é capaz de abordar assuntos muito complexos.

Entre os países do BRIC, composto por Brasil, Rússia, Índia e China - todas nações em desenvolvimento -, o Brasil foi o que teve o menor crescimento no período. O crescimento indiano foi de mais de 7 pontos, o russo foi de mais de 5 e o chinês superou 3 pontos. A média brasileira é também a menor entre Índia (54,38), Rússia (51,8) e China (50,77). Em relação aos países da América Latina, a Argentina e o Uruguai tiveram melhor classificação. “O estudo traz estratégias globais de países que têm desafios semelhantes aos nossos”, comenta Timm.

Dados da EF Education First

 

Inglês na prática

Sâmara Camila Machado, 19 anos, pretende viajar para o exterior quando terminar o curso de inglês no Centro Interescolar de Línguas (Cil) 1 de Brasília. Ela lembra o quanto as aulas de inglês do ensino regular eram monótonas. “No ano todo, você aprendia o verbo to be”, lamenta. Ela não acredito que conseguirá se virar lá fora com o que aprendeu em sala. “A gente aprende o básico do básico”, diz. O colega Maycom Vitor Souza, 17 anos, passou por experiência semelhante: “No ensino fundamental, o conteúdo das aulas era o mesmo, todos os anos. Não havia progressão”.


Qualificação para profissionais
A professora de inglês e coodernadora da Fundação Fisk, Vera Laurenti Bianchini relaciona o desafio de manter a qualidade do ensino de inglês a três aspectos: “Temos que correr atrás de boa formação dos professores, de um método de ensino adequado e de um bom número de alunos por turma”. Ela espera que o índice de proficiência brasileiro melhore ainda mais, principalmente pela realização de eventos internacionais no país a partir do próximo ano e o aumento das oportunidades de estudo no exterior com o programa Ciência sem Fronteiras.

Na opinião de Gilberto Chauvet, professor do curso de licenciatura em letras-inglês na Universidade de Brasília, a quantidade de horas de aulas desta graduação não é suficiente para o aprendizado do idioma. “É difícil que um adulto que começa do zero pode aprender o idioma com rapidez, ainda mais com poucas horas disponíveis para estudar”, comenta. Para ele, o crescimento no número de escolas de inglês criadas não acompanha a qualidade.

Alessandra Valéria Teixeira, 42 anos, professora de inglês no CIL 1 de Brasília percebe a diferença entre o local onde trabalha, escola pública especializada no ensino de idiomas, e o ensino regular.“Não há como trabalhar com 40 alunos em sala”, lamenta. “No Cil, a turma tem entre oito a 15 alunos”. Ela espera que o modelo se expanda para mais regiões brasileiras.

No ano passado, a professora Alessandra Teixeira passou oito semanas no Estados Unidos para aperfeiçoar o idioma. Ela participou do Programa de Desenvolvimento Profissional para Professores de Língua Inglesa (PDPI), da Coodenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Além de Alessandra, outros 582 professores de escolas públicas participaram do programa em 2012. “Na Universidade do Oregan, tínhamos aulas todos os dias, de didática, língua inglesa, informática e história norte-americana”, conta. Iniciativas deste tipo qualificam os professores para que eles possam, então, ensinar melhor os estudantes.

Outro programa da Capes semelhante, o Programa Ensino de Inglês como uma Língua Estrangeira, leva os professores ao Reino Unido e o processo seletivo ainda está aberto, até 18 de novembro. Inscrições no site.

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