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Sotaque não é problema

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postado em 30/03/2014 13:40 / atualizado em 30/03/2014 13:41

Os africanos vindos dos países onde se fala português não demoram para pegar o sotaque local. É o caso da estudante Mirella Assunção, 23 anos. Ela saiu de Cabo Verde, um arquipélago lusófono na costa oeste da África, em 2009, para vir estudar artes visuais na UnB. Desde então, já perdeu a pronúncia característica das ex-colônias portuguesas no continente. “As novelas e os programas de tevê brasileiros, como Raul Gil, sempre passam por lá. Foi fácil me habituar ao sotaque brasileiro”, conta.

A jovem é mais uma dos 2.939 estudantes de Cabo Verde selecionados nos Programas de Estudantes- Convênio de Graduação (PEC-G) e de Pós-Graduação PEC-PG) que chegaramao Brasil desde o ano 2000. O país onde Mirella nasceu é, de longe, o que mais exportou alunos às universidades brasileiras: representam 42,78% dos 6.869 africanos contemplados pela iniciativa.

Para o embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel António Pereira, ciências exatas e da natureza são as mais procuradas universidades brasileiras, já que há demanda por qualificação nos setores de produção tecnológica. “São domínios que exigem investimentos bastante expressivos em instalações e equipamentos. Dentro de nossa realidade, essas aplicações não seriam materializáveis no curto prazo ou não seriam recomendáveis do ponto de vista da sustentabilidade”, explica.

Alto custo
Apesar de o Brasil ser visto comoumEldorado para estudantes africanos, eles mesmos reconhecem que há dificuldades de se morar aqui.Os alunos de Brasília, por exemplo, queixam-se principalmente do alto custo de vida da cidade. “É tudo muito caro aqui. Então, quando alguém é bolsista e sofre com atraso no pagamento, acaba dependendo de ajuda financeira de familiares para se manter aqui, ou nem isso”, comenta Arthur Nnang, líder da União de Estudantes Africanos. Apesar do PEC-G, há alunos que vêm à capital sem bolsas.
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