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Intercâmbio com mexicanos

Crianças do país dos maias e astecas vivenciam rotina de brasileiros no Colégio do Sol. Grupo embarcou de volta ontem

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postado em 09/05/2014 10:19 / atualizado em 09/05/2014 10:39

Ana Paula Lisboa

Os últimos 10 dias foram de amadurecimento, choque cultural e passeio para 16 estudantes mexicanos de 12 e 13 anos. Acompanhados por um coordenador e um professor de português, o grupo dos Centros Educativos Cualli esteve em Brasília para um intercâmbio no Colégio do Sol, no Lago Norte. Eles ficaram hospedados na casa de alunos brasileiros, frequentaram a escola, visitaram pontos turísticos e marcaram presença na Embaixada do México, fizeram amigos e praticaram o português. As crianças do país norte-americano embarcaram de volta para a terra natal ontem. Em setembro, será a vez de uma turma de Brasília passar uma temporada em Culiacán.

A experiência foi importante também para os alunos do Distrito Federal. “Foi uma imersão cultural, de língua, de culinária para brasileiros e para mexicanos. É uma vivência inesquecível, que abre a cabeça e que vai ficar para a vida toda. Os mexicanos, por exemplo, ficaram chocados com o fato de algumas crianças brasileiras terem piercing ou tatuagem”, conta a diretora Adryana Leony. A adaptação não foi problema. “Os alunos de fora se sentiram acolhidos porque as famílias estavam muito empenhadas e foram muito hospitaleiras. Agora, nossos alunos estão extremamente empolgados para ir ao México.”

Cesar Urias, coordenador dos Centros Educativos Cualli, acredita que a vivência foi muito produtiva. “Os alunos descobriram que nem tudo é como em Culiacán, passaram a ter outra visão de mundo. As viagens nos mudam e nos abrem para a vida”, diz. Ele garante que os brasileiros serão bem recebidos em setembro. “Temos o compromisso de fazer isso porque fomos muito bem acolhidos aqui”.

Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press

Tacos e feijoada
Tanto brasileiros quanto mexicanos têm o costume de comer feijão diariamente, mas com receitas diferentes. Para que a troca cultural fosse completa, o grupo estrangeiro preparou tacos, e o brasileiro, feijoada para um almoço diferente no Colégio do Sol. Os conteúdos das aulas de 7º e 8º anos foram alterados no tempo em que os mexicanos ficaram por aqui: todas as matérias abordaram conteúdos sobre o Brasil e Brasília para que os estrangeiros aprendessem sobre a cultura local. Como resultado, ficaram scrapbooks (livros de recortes), com impressões e descobertas de cada estudante. As famílias trocaram presentes típicos. Pimentas e doces foram alguns dos “regalos” trazidos.

Débora Hadassa Torres, 11 anos, João Pedro Verdade, 12, e Isabelli Morello, 14, hospedaram Catherine Cosette Ramírez, Kenneth Campero e Andrea Martínez, 13, em suas casas. A família de João Pedro prestou atenção aos detalhes para agradar. “Lemos o perfil do Kenneth e só preparamos comidas de que ele gosta”, explica o garoto. Apesar de alguma dificuldade com a língua, as barreiras foram superadas. “Meus avós são espanhóis e conversaram com ele. A melhor parte foi o convívio. Mostrei como vivemos no Brasil e treinei o espanhol”, completa. No país da Copa, Kenneth ficou admirado por gostar mais de futebol do que João Pedro. “Eu quero jogar futebol o tempo todo e ele, não. Ele nem joga bem, mas foi muito bom vir aqui”, disse o mexicano. Os dois se divertiram em uma partida de futebol entre Cruzeiro e Atlético Paranaense no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, um dos pontos altos do passeio para Kenneth.

Isabelli e Andrea começaram conversando em inglês, mas, ao fim da viagem, já estavam entendendo uma a outra em espanhol e português. Elas perceberam que têm muito em comum. “Ela é minha irmã gêmea perdida. Gosta das mesmas músicas, dos mesmos livros, dos mesmos filmes e de outras coisas que eu gosto”, conta Isabelli. Andrea leva para casa lembranças como geleia, licores e miniaturas da Catedral, além de um rico aprendizado. “Brasília é uma cidade muito maior e tem muitas plantas. Minha cidade é como um deserto. Agora, consigo entender o português muito melhor.”

O passeio no Parque Nacional foi o preferido de Catherine. “Foi uma experiência nova sair para outro país e conhecer a cultura brasileira. A adaptação foi difícil só no primeiro dia. Meus pais tinham preocupação em me deixar vir, mas entenderam que seria bom para mim. Vou sentir saudades daqui e da Débora”. As duas pretendem manter contato pela internet. “É raro ter uma pessoa de outro país para receber, então, toda minha família gostou. Gostei das músicas mexicanas que ela me mostrou e também do modo de falar. O espanhol é muito bonito”, disse Débora.

Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press
Preparativos
O contato entre os Centros Educativos Cualli e o Colégio do Sol começou em outubro do ano passado. As duas instituições usam a mesma plataforma de material didático digital, a UNO Internacional. A ideia surgiu da direção da escola mexicana, depois que a disciplina português entrou na grade curricular. Em novembro, o diretor dos Centros Educativos Cualli veio a Brasília conhecer o Colégio do Sol e firmou a parceria. O fato de os estudantes brasilienses terem aulas de espanhol também contou na hora da escolha.

Desde então, as duas escolas começaram a munir os alunos de conteúdo cultural e geográfico sobre os dois países e de preparação emocional para a viagem. Cada intercambista enviou um perfil com nome, telefone, e-mail, informações sobre gostos e rotina para as famílias hospedeiras. Foi assim que alunos brasileiros e mexicanos começaram a formar amizades antes de se encontrarem.

Apesar de diversas reuniões, muitos pais tiveram dificuldades para deixar os filhos irem para o exterior, especialmente por conta da idade. Nesta primeira edição, por exemplo, 27 crianças mexicanas deveriam viajar, mas, de última hora, 11 desistiram. Em Brasília, todos os alunos de 7º e 8º anos foram convidados, mas a previsão é que de 10 a 15 embarquem. Agora, os brasilienses vão participar de um curso intensivo sobre o México para ficarem prontos para a viagem em setembro.

Clima de deserto
A cidade de Culiacán é a capital do estado de Sinaloa, no noroeste do México, e fica a 1,2 mil km da capital, Cidade do México. O nome vem do asteca: o termo culhuacán quer dizer lugar habitado pela tribo colhua ou lugar dos que adoram o deus Coltzin. Com 858 mil habitantes, foi fundada em 1531 e é rodeada por uma planície de montanhas e tem clima semiárido: no verão, as temperaturas podem chegar a 55 °C.

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