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Para ganhar uma vaga - e o mundo

Estágios em programas internacionais como o Ciência sem Fronteiras melhoram currícluo de jovens profissionais. Segunda fase da iniciativa prevê mais de cem mil bolsas

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postado em 14/07/2014 09:59

Juliana Espanhol

Jéssica morou na Califórnia e adquiriu boas experiências para a carreira (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press ) 
Jéssica morou na Califórnia e adquiriu boas experiências para a carreira


A primeira experiência profissional com o estágio é uma das melhores maneiras de ingressar no mercado de trabalho, e, quando esse período de aprendizado ocorre no exterior, o currículo do candidato se torna ainda mais atraente. Especialistas das embaixadas dos Estados Unidos e da França afirmam que alunos que realizaram estágios internacionais em programas como o Ciência sem Fronteiras (CsF) contam com mais facilidade na hora de conseguir um emprego. A segunda fase do programa do governo federal, anunciada no fim de junho, prevê mais cem mil bolsas para graduação e pós-graduação.

Aluna da Universidade de Brasília (UnB), Jéssica dos Anjos, 22 anos, fez graduação sanduíche em biologia pelo CsF na Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos. Durante o verão, fez estágio no Departamento de Ecologia e Evolução do campus de Los Angeles da mesma universidade, na área de conservação e genética de tartarugas. De volta ao Brasil, conquistou um estágio na União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), a maior e mais antiga organização ambiental do mundo.

A estudante acredita que a fluência em inglês adquirida durante o ano de estudos fora e a área em que trabalhou no laboratório durante o intercâmbio contribuíram na hora de conseguir a vaga. “A experiência ajudou porque agora sou fluente em inglês, o que é bom para trabalhar numa organização internacional. O professor com quem atuei no laboratório também era bastante concentrado na questão da conservação, e eu acabei me interessando muito pela área”, afirma.

Oportunidades na área cultural

O Ministério da Cultura (MinC) deve anunciar em breve uma iniciativa nos moldes do CsF para estudantes de humanas. Até o momento, o MinC assinou acordo com a Universidade de Bolonha, na Itália, e com o Instituto Europeu de Design (IED), presente na Itália e na Espanha. O programa, que deve se chamar Cultura sem Fronteiras, oferecerá intercâmbios de até um ano com aulas teóricas e estágio prático nas áreas de música, teatro, cinema, artes, literatura, patrimônio e conhecimento jurídico no setor cultural. Ainda para este ano, o ministério anunciou a abertura de dez bolsas para estudantes brasileiros no IED. As áreas contempladas são design, moda, programação visual e administração. Segundo a assessoria de comunicação do MinC, o edital está em processo de elaboração e será lançado formalmente neste semestre.

Requisitos
Alunos de graduação que desejam participar do CsF


1. Estar regularmente matriculado em curso de nível superior nas áreas e temas contemplados pelo Ciência sem Fronteiras
2. Ter nacionalidade brasileira
3. Ter completado no mínimo 20% e, no máximo, 90% do currículo previsto para seu curso, no momento do início previsto da viagem de estudos
4. Ter obtido nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) igual ou superior a 600 pontos, em exames realizados a partir de 2009
5. Apresentar perfil de aluno de excelência, baseado no bom desempenho acadêmico segundo critérios da instituição de ensino em que está matriculado
6. Comprovar proficiência na língua em que as aulas serão ministradas. Os candidatos que atenderem a todos os requisitos, mas não obtiverem o nível mínimo de proficiência, poderão, a critério da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) serem beneficiados com cursos a distância no Brasil e presenciais no exterior
7. Não ter usufruído de bolsa de graduação sanduíche no exterior, financiada no todo ou em parte, pela Capes ou pelo CNPq

Inscreva-se

Doutorado sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado

» Envio de inscrição: até 22 de agosto de 2014
» Julgamento: outubro de 2014
» Resultado: até 15 de dezembro de 2014
» Início da vigência da bolsa: entre fevereiro e junho de 2015
» Mais informações no site: www.cienciasemfronteiras.gov.br

No momento não há editais do Ciência sem Fronteiras abertos para graduação

Convite internacional


Depois de dois estágios, Francisco tem portas abertas no exterio (André Violatti/Esp.CB/D.A Press ) 
Depois de dois estágios, Francisco tem portas abertas no exterio


Francisco Frantz, 23 anos, passou dois anos na École Nationale Supérieure d'Ingénieurs de Caen (Ensicaen), na cidade de Caen, França, por meio do Brafitec, um acordo de cooperação entre os governos do Brasil e de França. Durante o período, fez dois estágios: o primeiro na fabricante de veículos francesa Peugeot e o segundo no departamento de pesquisa tecnológica do Comissariado para Energia Atômica e Energias Alternativas (CEA, na sigla em francês).

Ele acredita ter deixado portas abertas no país, principalmente no segundo estágio, onde recebeu um convite para retornar após concluir os estudos. “O desenvolvimento de novas tecnologias [no CEA] se dava em função da demanda das empresas, o que eu achei muito interessante”, diz.

Frantz deve concluir o curso de engenharia elétrica na UnB no fim deste ano e terá direito a um duplo diploma. “O fato de ter uma boa experiência no exterior pode colocar o seu currículo na pilha do ‘talvez’ ao invés da pilha do ‘não’ numa entrevista”, diz.

O universitário estudou em um dos países que mais oferece oportunidades por meio do Ciência sem Fronteiras. A França está em terceiro lugar em número de bolsistas no programa com o Canadá. Segundo o conselheiro de cooperação e ação cultural da Embaixada da França no Brasil, Jean-Paul Rebaud, os alunos que fazem intercâmbio no país não devem ter dificuldade para encontrar empregos por lá.

“Este é um público muito procurado pelas empresas francesas, principalmente do ramo de engenharia, por já ter uma dupla cultura profissional”, afirma. A inserção dos ex-intercambistas no mercado de trabalho é facilitada por haver mais de 600 empresas de origem francesa em operação no Brasil. Segundo Rebaud, a cooperação entre os dois países na área acadêmica é consolidada e oferece muitas opções de bolsas.

De acordo com a assessora de cultura da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Vera Galante, também é comum que os ex-bolsistas do CsF consigam oportunidades nas empresas em que estagiaram nos EUA na volta ao Brasil. “O governo brasileiro incentiva a contratação de alunos que participaram do intercâmbio, além de oferecer bolsas para pós-graduação. Muitos alunos estão voltando para para fazer doutorado pleno”, conta.

Alto desempenho


Bruno César (ao centro) com colegas do  CsF, em visita a Boston (Bruno Amaral/Arquivo Pessoal ) 
Bruno César (ao centro) com colegas do CsF, em visita a Boston

“O que eu gostaria é de poder transitar entre a parte clínica e a pesquisa básica. Existe um mundo de ideias nesse espaço entre a bancada do laboratório e o leito do paciente. É ali que as coisas mudam na medicina.” Esse é o sonho de Bruno César Rodrigues do Amaral, 24 anos, estudante de medicina da Universidade de Brasília.

Por meio do programa Ciência Sem Fronteiras, Bruno está um pouco mais próximo de seus objetivos. Ele estudou por dois semestres na Universidade de Nova Iorque (NYU) e, desde maio, trabalha como estagiário na Pfizer, empresa farmacêutica de referência sediada em Nova Iorque.

Para Bruno, o estágio é uma oportunidade de entrar em contato com uma corporação que produz fármacos em larga escala, além de conhecer mais sobre produção de pesquisa . “O diferencial da empresa é o profissionalismo. Aqui os processos são muito bem coordenados, os diferentes departamentos da empresa se comunicam de forma bem dinâmica, e os experimentos ocorrem em velocidade muito mais rápida que na academia.”

Segundo Bruno, o ambiente de pesquisa nos Estados Unidos é bastante competitivo, de forma que os pesquisadores mantêm um alto desempenho. Já no Brasil, Bruno avalia que a burocracia funciona como um entrave. Futuramente, ele pretende voltar aos EUA para fazer uma pós-graduação em neurociência ou biologia molecular. Ele também deseja trabalhar com pesquisadores brasileiros, realizando uma ponte entre os dois países.

 

 

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