SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

INTERCÂMBIO

Com o pé na estrada

Estudar ou trabalhar no exterior são boas opções para fugir da crise e ainda melhorar o currículo. Especialistas incentivam a busca por oportunidades na área em outros países

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 12/10/2015 17:50 / atualizado em 12/10/2015 18:10

Danilson Carvalho/CB/D.A Press
O valor do dólar, do euro e de outras moedas está lá em cima, mas isso não assusta jovens que aproveitam a recessão econômica para investir numa experiência no exterior e retornar com o currículo turbinado. Segundo a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta), em 2014, 240 mil brasileiros saíram do país para estudar. Entre janeiro e julho deste ano, houve aumento da procura por intercâmbios (veja quadro), principalmente para cursos de idiomas com foco em áreas específicas, que cresceram 19%, em comparação com o mesmo período de 2014.

“O intercâmbio sempre vai existir, é uma necessidade. O máximo que pode acontecer é a pessoa adiar um pouco”, afirma Maura Leão, presidente da Belta sobre a relação entre as viagens e a crise. Segundo ela, fases de instabilidade financeira são boas para investir no aprendizado de novas línguas e habilidades. “É nesse momento que muita gente pensa que é melhor ir logo. Ninguém quer ficar sentado esperando.” Quem deseja vivenciar um período lá fora não pode se deixar levar só pela vontade: é preciso se planejar. “Quando o dinheiro está curto, todo investimento deve ser o mais certeiro possível, então é preciso buscar orientação para encontrar um programa adequado a sua realidade”, recomenda. A presidente acredita que a maior vantagem da experiência é o desenvolvimento de habilidades, como liderança e resiliência. “As empresas procuram pessoas com esses atributos para momentos complicados como este”, opina.

Segundo Tereza Fulfaro, diretora educacional da CI – Intercâmbio e Viagem, a procura é crescente e não houve quedas derivadas da instabilidade econômica, especialmente porque experiências no exterior se tornaram vitais no currículo.“O intercâmbio é entendido como educação e está se tornando um pré-requisito para empresas na hora de escolher candidatos.” Sibeli Bergman, gerente da empresa de intercâmbios Education First (EF) no DF, concorda que o setor permanece estável, mesmo com a crise. “Há muita gente indo para se especializar e passar um tempo fora esperando a situação melhorar.”, explica. A gerente observa maior procura por destinos em que é possível conciliar a aprendizagem com trabalho remunerado, como a Austrália, a Nova Zelândia e a Irlanda, em que dá para garantir um visto de trabalho com estadias a partir de três meses.

Palavra de especialista
Para não se frustrar

O intercâmbio é positivo, mas não é garantia de sucesso profissional. Experiência no exterior é um diferencial porque traz uma bagagem extra que é muito bem recebida pelo mercado. Um dos maiores benefícios é acumular novos tipos de conhecimento sobre determinada área, além de uma maturidade que tem impacto positivo em termos de comportamento no ambiente de trabalho. No entanto, isso não quer dizer que a pessoa vá conseguir um emprego maravilhoso assim que voltar.
Waleska Farias, coach de carreiras

Perfis de intercambistas

Aprenda com as experiências de quatro jovens que saíram do conforto de casa para viver uma temporada no exterior

Arquivo pessoal
Luiza Rosa

21 anos, estudante de arquitetura do Centro Universitário de Brasília (UniCeub)
» Intercâmbio: em Montreal, no Canadá, entre julho de 2014 e agosto de 2014, para estudar francês na College Platon
» Fiquei deslumbrada com Montreal. Havia muita coisa para fazer na cidade, pois era a época dos festivais de verão. Um grande desafio foi o fato de a professora não falar a mesma língua. O curso é muito mais puxado que os do Brasil. Com um mês em terras canadenses, pulei três níveis do curso brasileiro, o que é equivalente a um ano e meio. É uma experiência que vale muito para o currículo. Também ganhei amigos de todos os lugares do mundo, com os quais mantenho contato.

Arquivo pessoal
Maurício Louzada

20 anos, estudantes de letras da Universidade Federal de Goiás (UFG
» Intercâmbio: em Chichester, na Inglaterra, de setembro de 2012 a setembro 2013, para fazer um ano de ensino médio na Chichester College
» Fui para tentar uma bolsa escolar esportiva, para jogar futebol, e aprofundar os conhecimentos em inglês. Gastei cerca de
R$ 100 mil. Como fui só pra estudar, não podia trabalhar e fiquei no limite na questão financeira. Com a experiência, abri a cabeça, conheci muitas pessoas. Também tive a chance de conhecer outros países como Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Irlanda e Portugal. O intercâmbio me garantiu um emprego ensinando inglês, em um curso de idiomas particular.

Arquivo pessoal
Gabriel do Nascimento

22 anos, estudante de engenharia aeroespacial na Universidade de Brasília (UnB)
» Intercâmbio: em Tianjin, na China, de agosto de 2015 a agosto de 2017, para fazer dois anos de graduação na Universidade de Tianjin
» Embarquei no fim do mês passado com uma bolsa do programa Ciências sem Fronteiras. Acredito que o intercâmbio consegue agregar valor ao currículo. Instituições estrangeiras podem oferecer projetos que gerarão o aprendizado de que os jovens carecem e que não é ofertado nas universidades brasileiras. O intercâmbio está sendo uma das melhores experiências da minha vida. Como ainda não aprendi bem mandarim, até pedir um lanche é uma aventura.

Carlos Moura / CB / D.A Press
Desirée Lopes

28 anos, graduada em gestão ambiental
» Intercâmbio: em Connecticut, nos Estados Unidos, de maio de 2012 a maio de 2015, para fazer mestrado em meio ambiente e gestão de negócios na Escola de Negócios de Yale
» Apesar de ser caro estudar no exterior — especialmente nessa instituição, considerada a 11ª melhor do mundo —, vale muito a pena, e é possível conseguir uma bolsa de estudos, como fiz. Yale me abriu muitas portas e saí da zona de conforto. Não trocaria essa experiência por nada. Eu me sentia acanhada por todos os americanos serem muito proativos e participarem na aula. Ganhei confiança nos primeiros quatro meses.

Oportunidades

Liderança britânica
O programa de bolsa de estudos Chevening está com inscrições abertas até 3 de novembro. Podem participar graduados em qualquer área, que tenham perfil de liderança. A bolsa cobre os gastos com o curso escolhido e inclui auxílio mensal para transporte, hospedagem e demais despesas ao longo do ano de estudos. As inscrições devem ser feitas no site www.chevening.org/brazil.

Estágio irlandês
A Seda College, considerada a melhor escola de inglês da Irlanda, tem vagas para programa de estágio. É possível se inscrever em qualquer período do ano. As funções são nas áreas de administração, tecnologia da informação, comunicação social, marketing e vendas. Para participar, basta preencher o formulário no site sedacollege.com.

Qualificação americana

O programa de mestrado da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, está com inscrições abertas. O segundo round recebe candidatos até 7 de janeiro de 2016. Informações: som.yale.edu.

Educação holandesa

O programa Orange Tulip Scholarship Brazil oferece 50 bolsas de estudo exclusivas para brasileiros, em cursos de graduação, pós-graduação (MBA ou mestrado) e último ano de graduação no exterior. As inscrições vão até 1º de abril de 2016. Informações: www.nesobrazil.org.

Tio Sam quer você

A Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, está oferecendo bolsas de estudos parciais para programas de MBA. O curso é intensivo, com duração de um ano, e para participar é preciso ter, no mínimo, seis anos de experiência profissional. É possível se inscrever até 1º de maio de 2016 pelo site www.marshall.usc.edu.

Conheça mais sobre os diferentes tipos e finalidades de intercâmbios

Curso de idiomas

Existem aulas para todos os idiomas e todos os níveis de proficiência. Também é possível treinar apenas conversação.
» Prós: é possível escolher a duração, sem necessidade de interromper outras atividades, como faculdade ou trabalho. O intercambista aprende uma nova língua de forma mais rápida do que se fizesse um curso no Brasil.
» Contras: dependendo do destino, podem haver muitos brasileiros na classe, o que compromete o aprendizado.
» Duração: de 1 a 52 semanas
» Custo: a partir de R$ 2.886
» Público-alvo: pessoas a partir de 13 anos

Curso de verão
É similar ao curso de idiomas, com o diferencial de ser realizado no verão. Com ele, é possível aprender uma nova língua e outras atividades.
» Prós: são dois aprendizados de uma vez só, o de idiomas e o aprofundamento em algum campo de interesse.
» Contras: quem optar por esse programa abre mão do descanso, trocando as férias por estudo.
» Duração: de 2 a 24 semanas
» Custo: a partir de R$ 2.886
» Público-alvo: pessoas a partir de 12 anos

Trabalho voluntário
Essa opção é para quem quer se envolver em um causa social ou ambiental.
» Prós: ter a chance de ajudar uma causa com a qual se identifique e fazer a diferença dentro de uma comunidade.
» Contras: como o trabalho não é remunerado, é preciso juntar uma boa quantia em dinheiro. Geralmente, os países que oferecem esse intercâmbio têm passagens áreas mais caras, por serem distantes e pouco desenvolvidos.
» Duração: de 2 a 52 semanas
» Custo: a partir de R$ 2.080,65
» Público-alvo: pessoas a partir de 18 anos

Estágio e trainee
Indicado para quem quer experiência prática em sua área de formação.
» Prós: o intercambista poderá praticar conhecimentos, conhecer a rotina de uma empresa e incrementar o currículo.
» Contras: o risco de perder laços com o mercado brasileiro pode dificultar o retorno do estudante.
» Duração: de 2 a 18 meses
» Custo: a partir de R$ 4.204,62
» Público-alvo: universitários e jovens profissionais

High school
Consiste em cursar um ano do ensino médio no exterior. O mais comum é ficar alojado numa casa de família.
» Prós: os adolescentes têm a oportunidade de conhecer outra cultura, aprender uma nova língua e ganhar um diferencial para o currículo. O estudante pode escolher o que quer estudar: diferentemente do Brasil, muitos países têm a grade aberta e permitem que os alunos escolham aulas que sejam ligadas aos seus interesses.
» Contras: o semestre letivo de grande parte dos países começa em época diferente do praticado no Brasil. Por conta disso, quem deseja fazer esse programa acaba ficando algum tempo sem estudar — de dois a oito meses.
» Duração: de 6 meses a 1 ano
» Custo: a partir de R$ 36.830 + taxas da escola escolhida
» Público-alvo: adolescentes de 14 a 18 anos

Graduação
Existe tanto a possibilidade de fazer todo o curso no exterior como apenas uma parte. O mais comum é passar um ano em uma faculdade estrangeira.
» Prós: além de ganhar conhecimento técnico de qualidade, é uma oportunidade para formar uma rede de contatos internacional e fazer amigos. Não é necessário decidir logo de cara que curso seguir; muitas escolas no exterior são flexíveis e permitem escolher apenas as disciplinas que o aluno tem interesse em estudar no começo.
» Contras: se o aluno estuda apenas o período, normalmente não consegue aproveitar todas as matérias quando retorna, o que acaba fazendo com que ele demore mais tempo para se formar. Se o curso é feito totalmente no exterior, é preciso submeter o diploma a um processo de validação.
» Duração: de 6 meses a 6 anos
» Custo: a partir de R$ 41.844,22 para um ano acadêmico
» Público-alvo: universitários a partir de 18 anos

Pós-graduação
Assim como na graduação, existe a possibilidade de fazer o curso totalmente fora ou fazer metade no Brasil e metade no exterior, garantindo dois diplomas.
» Prós: conhecer o mercado mundial do seu campo de atuação. As empresas valorizam pessoas que sabem lidar com ambientes em constantes transformações, e quem estuda no exterior sai ganhando.
» Contras: além do alto custo, o curso pode não trabalhar as necessidades do país de origem do estudante, que pode se formar em algo que não será útil no mercado local.
» Duração: de 1 a 3 anos
» Custo: a partir de R$ 45 mil para um ano acadêmico
» Público-alvo: profissionais que tenham diploma, experiência no mercado e queiram se profissionalizar.

Au-pair
Nessa modalidade, trabalha-se como babá. O serviço tem remuneração e é possível fazer um curso de idioma e passear. É um dos programas mais econômicos.
» Prós: ser remunerada em dólar e ainda ganhar um curso da família para a qual trabalhar, pago pelos empregadores. O investimento é pequeno, em relação aos demais tipos de intercâmbio.
» Contras: as crianças podem ser pequenas, o que pode dificultar as tarefas e o aprendizado na nova língua. Mesmo depois que o horário acaba, você continua na casa da família — algo estressante, principalmente nos fins de semana.
» Duração: um ano
» Custo: em torno de R$ 1 mil
» Público-alvo: mulheres de 18 a 26 anos

Fonte: CI - Intercâmbio e Viagem. Os valores são aproximados, devido à cotação das moedas.

Descubra seu intercâmbio ideal
Faça o teste e saiba qual programa combina mais com as suas necessidades

1) Quanto você pretende gastar?
A) Até R$ 5 mil
B) Até R$ 15 mil
C) Mais de R$ 20 mil

2) Qual o objetivo do intercâmbio?

A) Conhecer uma nova cultura e desenvolver um trabalho voluntário
B) Desenvolver a fluência em outro idioma
C) Estudar em instituições de ensino de outro país

3) Com qual destino você se identifica mais?
A) Lugares exóticos, destinos não tradicionais.
B) Países que tenham uma cultura relacionada com o idioma que pretendo estudar
C) Destinos tradicionais, com instituições de ensino de alta qualidade

4) Quanto tempo tem disponível para fazer o intercâmbio?
A) No máximo, um mês no exterior
B) Entre um mês e seis meses
C) Entre um semestre e um ano

5) Qual o tipo de acomodação prefere?
A) Albergues
B) Casa de família ou residência estudantil
C) Casa de Família ou morar no câmpus da própria instituição de ensino

Resultado

Maior parte respostas letra A: você pode buscar fazer programas voluntários no exterior.
Maior parte das respostas letra B: um curso de idiomas no exterior está alinhado ao seu perfil
Maior parte das respostas letra C: você está apto para cursar high school, graduação ou pós-graduação no exterior.
Em caso de empate: pesquise mais sobre as opções disponíveis para se decidir.

Fonte: CI - Intercâmbio e viagem

publicidade

publicidade