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Estudo e trabalho fora de casa

Agências de viagem e intercâmbio registraram aumento na busca de brasileiros por experiências em países que permitem explorar atividades acadêmicas e laborais

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postado em 20/03/2016 13:48 / atualizado em 20/03/2016 14:52

Paula Braga /Especial para o Correio

Carlos Vieira

Com o objetivo de aperfeiçoar o currículo e adquirir experiência profissional no exterior, brasileiros têm cada vez mais procurado um tipo diferenciado de intercâmbio: aquele em que é possível estudar e trabalhar. A instabilidade na economia e na política brasileiras também é um pontapé a mais para que as pessoas queiram procurar oportunidades fora. Segundo agências de viagem, a demanda para países que permitem estudar e trabalhar cresceu nos últimos anos.


Segundo levantamento da CVC (empresa de viagens e turismo), no último trimestre de 2015, houve aumento de 30% na busca por destinos onde estrangeiros podem trabalhar legalmente. A agência de intercâmbio e viagens CI registrou, entre 2014 e 2015, crescimento de 40% na procura por programas de estudo e trabalho. Segundo a CVC, os brasilienses são os que mais investem em formação no exterior: cerca de 50% dos que viajaram para fazer cursos fora pela agência em 2015 optaram por capacitações de longa duração (cerca de seis semanas) e passagem aérea média de R$ 8 mil — 33% a mais do que os paulistanos.


“O público que procura esse tipo de intercâmbio tem de 18 a 24 anos, está no meio ou terminando uma graduação e, antes de se formar,quer ganhar experiência profissional”, destaca a diretora de Cursos no Exterior da CVC, Santuza Bicalho. Para ela, o intercâmbio é um diferencial. “É uma tendência que está crescendo cada vez mais. Os universitários preferem parar um ou dois semestres e adquirir essa bagagem profissional no exterior. Quando retornam, ficam mais competitivos para uma entrevista de emprego”, completa.

 

Nação multicultural

 

Tendo o inglês e o francês como línguas oficiais, o Canadá adota um regime diferenciado para quem deseja conciliar vida acadêmica e laboral no país: é preciso fazer um curso durante seis meses para poder permanecer mais um semestre trabalhando no país (veja quadro Regulamentação). Segundo levantamento do Ministério de Imigração, Refugiados e Cidadania do país, o Brasil é o 13º no ranking de nações com maior número de pessoas com licença temporária válida de trabalho no local — eram 2.336 brasileiros nessa situação até 2014. Estados Unidos, Índia e China lideraram a classificação, respectivamente.


Na CVC, o destino lidera o anking de vendas — mais de 60% dos clientes que fecharam um curso no exterior com a operadora durante o ano passado optaram por estudar em alguma cidade canadense. “É um país que tem um atrativo maior porque os cursos oferecem uma base profissionalizante que vai direcionar para o trabalho. Via de regra, um dos pré-requisitos para os programas do Canadá é que o aluno tenha um nível avançado de inglês”, explica Santuza Bicalho, diretora de Cursos no Exterior da empresa.


A publicitária Bruna Lobato Machado, 27 anos, e o analista de sistemas Augusto César de Sousa Machado, 33, embarcam para Vancouver, no Canadá, no próximo sábado (26). O casal permanecerá um ano e três meses no país para fazer um semestre de curso na área de hotelaria e serviços, na Tamwood International College. Depois, pretendem permanecer trabalhando por lá o restante do ano. “Estamos indo de cabeça aberta. O curso que vamos fazer fora do país não é sobre a área em que trabalhamos atualmente, mas acho que a experiência internacional pode contribuir para tecermos relacionamentos e abrir portas até na nossa área”, prevê Bruna.


Augusto também fará um curso de inglês de três meses. “Leio e escrevo bem na língua, mas ainda falo pouco. Acredito que ter domínio do idioma será um salto na minha carreira.” O investimento total do casal para a temporada foi de cerca de R$ 70 mil. O curso escolhido por eles oferece ainda um mês de estadia na casa de uma família local. “Fizemos um planejamento, vimos feiras sobre o tema e achamos que esse seria o melhor modelo para nós. É preciso comprovar renda, tirar o visto, programar o pagamento. É um processo que exige preparação”, completa Bruna.

 

Na terra dos cangurus

 

Arquivo Pessoal

A crise econômica trouxe um desafio extra para quem quer ir morar fora: a desvalorização do real frente ao dólar, ao euro e à libra. Esse fato impulsionou a busca por destinos alternativos para quem quer uma experiência internacional em inglês. Segundo a CVC, desde o ano passado, os clientes têm optado por destinos onde a moeda local não sofreu grande valorização, como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, entre outros. A publicitária Rafaela Stuckert, 26, passou um período de oito meses em Gold Coast, na Austrália. Ela tinha aulas de inglês nos dias da semana, das 9h às 15h, e trabalhava no restante do período.


“Trabalhei em bares, cassinos, restaurantes, em um parque aquático. Meus pais auxiliaram apenas no primeiro mês da viagem, então, eu trabalhava para juntar dinheiro para me manter e passear”, conta. De acordo com ela, a experiência fez diferença no currículo. “Eu voltei no início de 2015, com o país em crise. Senti que, para vários empregadores, a experiência no exterior conta muito”, lembra Rafaela. “Fiz entrevista em três empresas e vi que a maioria das pessoas que estavam ali tinha morado fora. Para o jovem que quer entrar no mercado, muitas vezes, pode contar mais do que uma graduação”, completa. Apesar disso, por causa do momento econômico, Rafaela está desempregada.

 

Vida na ilha de São Patrício

 

Brian Morrison
 

A Irlanda é um dos destinos que chama a atenção dos profissionais com esse objetivo. Segundo o portal E-Dublin, que reúne informações para quem está planejando ir ou está no país, atualmente, há cerca de 14 mil brasileiros registrados no país. Ainda segundo pesquisa do portal feita em 2015 com 2,7 mil entrevistados, 42% dos nativos da nossa nação verde e amarela por lá estavam trabalhando, e mais de 66% dos alunos estrangeiros afirmaram que conseguiram o primeiro emprego em até quatro meses de intercâmbio. “Os brasileiros procuram muito porque é um dos destinos mais em conta para se fazer intercâmbio na Europa”, destaca o gerente de Comunidades e Mídias Sociais do E-Dublin, Tarcisio Junior.


Apesar de ser relativamente fácil encontrar emprego no país — cujo padroeiro é São Patrício e mais de 80% da população é católica — a maioria das vagas são para cargos que exigem pouca qualificação, como o de atendente em cafés e restaurantes. “Muitas vezes, são essas oportunidades que possibilitarão a criação de uma rede de contato e, possivelmente, abrirão outras portas. Para conseguir um trabalho na área de atuação da pessoa, é necessário um bom nível de inglês e um bom currículo, que comprove experiência no ramo desejado”, aconselha Tarcisio. “O setor de tecnologia é um dos que estão em ascensão, com destaque para as áreas de computação em nuvem, otimização de buscas para sites, marketing digital, recrutamento e tecnologia da informação”, completa.

 

Ganheiro dineiro nos EUA nas férias

Universitários brasileiros podem trabalhar de três a quatro meses nos Estados Unidos durante as férias. A jornada máxima é de 20 horas semanais, e interessados chegam a receber até US$ 12 por hora. As vagas mais comuns são para recepcionista, garçom, camareiro, entre outros. A responsabilidade em providenciar a acomodação é do aluno. É preciso ter pelo menos um ano de vínculo com a universidade do país de origem e ter, pelo menos, nível intermediário de inglês. Agências de intercâmbio, como a CI, facilitam o processo.

Programa trabalho de férias, da CI Intercâmbio

Duração: de três a quatro meses

Valor: US$ 1.990 (valor
promocional até 31 de março)

Passagem Aérea: a partir
de US$ 250

Mais informações: (11) 2110-7460

 

Palavra de especialista

Esta é uma boa hora para uma experiência fora?
Independentemente do momento de crise, o conhecimento e o crescimento que se adquire com outra cultura são enormes e, se estiverem focados no objetivo da pessoa, o investimento valerá a pena. Em primeiro lugar, o interessado deve se
perguntar se ir para o exterior está de acordo com o propósito de vida e
objetivos dele.
Master coach da Sociedade Brasileira de Coaching SBCoaching Mari Lannes

 

Prepare-se

Confira as dicas para
estudar e trabalhar
no exterior:

Planeje a viagem

O segredo do intercâmbio é o planejamento e, por isso, é importante pesquisar programas e destinos que são mais acessíveis financeiramente do que outros, fazendo com que o sonho caiba no bolso. Fechando com antecedência, além de aproveitar promoções, o viajante pode escolher ir pagando aos poucos, com parcelas durante um ano inteiro.

De olho no tipo de acomodação
Para quem vai estudar no exterior, hospedar-se em casas de família é uma das opções mais econômicas e, de quebra, o estudante-hóspede tem mais chances de treinar o idioma e interagir com a família que o acolhe. As residências estudantis também são uma boa opção e, se a pessoa preferir, economiza até 30% se optar por dividir acomodação e banheiro com um colega.

O emprego é por sua conta
Alguns países permitem trabalhar e estudar, mas conseguir um emprego fica por conta do interessado. Atualmente, não apenas os estudantes buscam essa alternativa de intercâmbio, como também jovens profissionais em busca de uma melhor qualificação profissional ou de novas experiências de vida em outro país.

*Fonte: CVC

 

Regulamentação

Confira as regras para os países que permitem que brasileiros trabalhem e estudem em seu território:

Canadá
Após seis meses de curso, o aluno pode trabalhar durante igual período após a conclusão da formação.

Austrália
O visto de estudante é concedido para quem tem como prioridade um curso de, no mínimo quatro meses, sendo adicionado mais um mês de férias ao fim. Para cursos com duração a partir de 10 meses, a Embaixada da Austrália oferece até dois meses a mais de férias.


A partir do primeiro dia de aula e durante todo o período do visto, é permitido trabalhar legalmente durante aproximadamente 20 horas semanais e, no período de férias da escola, até 40 horas por semana. Existem ainda outros tipos de visto que podem ser solicitados para quem deseja conseguir um emprego diretamente ou migrar para o país. A agência de intercâmbio cultural Via Austrália indica a consulta a um advogado de migração para que seja solicitado o visto correto de acordo com o perfil do viajante.

Nova Zelândia
Para trabalhar, é preciso participar de curso que dure, pelo menos, 14 semanas.

Irlanda
A Irlanda possibilita que o estrangeiro trabalhe durante o período em que estuda, com tempo de visto limitado. Desde outubro do ano passado, o governo mudou as regras para estrangeiros que desejam se engajar em atividades acadêmicas e laborais. Os estudantes passaram a receber um visto de oito meses (e não mais de um ano) para 25 semanas de curso e mais oito semanas de férias.


Os estudantes têm o direito de trabalhar 20 horas por semana durante o período do visto. Nas férias, é permitido trabalhar até 40 horas semanais (entre os meses de maio e agosto e de 15 de dezembro a 15 de janeiro), sendo que o número de semanas de trabalho em turno integral não pode ultrapassar oito.

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