Depoimentos de pacientes que passaram por transplante de medula viram livro

A obra, organizada por Dad Squarisi, editora de Opinião do Correio Braziliense, será lançada em São Paulo na próxima semana. As páginas reúnem relatos pessoais ou escritos por amigos e familiares, nos casos em que a pessoa não resistiu ao tratamento

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postado em 06/12/2017 22:18 / atualizado em 07/12/2017 21:01

Histórias de transplantes de medula na visão dos pacientes. Essa é a proposta do livro Desafios — Relatos de celebração à vida, a ser lançado em 14 de dezembro em São Paulo. A obra, organizada pela editora de Opinião do Correio Braziliense Dad Squarisi, estará em breve nas principais livrarias do país e reúne depoimentos de pessoas que passaram pelo procedimento e também de familiares ou amigos de quem foi submetido ao tratamento e faleceu. Os relatos foram escritos em primeira pessoa e editados por Dad, cuja experiência permeia as páginas: ela foi diagnosticada com leucemia em abril de 2016 e conta como enfrentou a descoberta da doença e o tratamento.

 


“Quando escrevi meu relato, eu ainda estava nos primeiros 100 dias de transplante, quando a gente fica num estado muito delicado”, revela. Ela recebeu a notícia de que tinha o problema no sangue num momento inesperado. “Eu tinha tirado férias para ir ao Irã. Era um sonho conhecer a antiga Pérsia. Estava com tudo pronto, hotel reservado, excursões compradas. Aí fui ao dentista, que pediu um hemograma.” No consultório odontológico, soube que havia algo errado. “Foi na bucha e tive de ser internada imediatamente. A minha primeira pergunta ao médico foi: posso viajar e depois fazer o tratamento?” Não podia, por causa do grande risco de hemorragia interna. A partir daí, Dad precisou interromper tudo para cuidar da saúde de forma intensiva no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

A atriz Drica Moraes também abre o coração para compartilhar fragilidades e aprendizados a partir da mesma doença. A leucemia não é elemento comum a todos os personagens do livro: outros pacientes tiveram patologias diferentes, como a aplasia da medula. Mas todos se viram pressionados por uma profusão de sentimentos bastante diferentes: choque, dor, medo, angústia, compreensão, coragem, confusão, esperança, gratidão, aceitação… “Cada história é muito única. Cada depoimento daria uma minissérie. Todos são muito pungentes”, percebe Dad Squarisi. “Quando se tem um diagnóstico desses, você fica frente a frente com a morte. As reações, os sintomas, o apoio da família e dos amigos é muito diferente de pessoa para pessoa”, diz.

 

Elo

A produção da obra foi coordenada por Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein, instituição onde os pacientes retratados no livro se trataram. “A ideia foi da Dad. Ela tinha interesse de entender o assunto não do ponto de vista técnico, mas mostrando os sentimentos vivenciados e a dinâmica com família e amigos de quem passa por um procedimento com risco de vida”, observa. “O doutor Nelson funcionou como elo entre mim e os pacientes e a direção do hospital”, afirma Dad.

“A ideia foi abraçada tanto pela instituição quanto por mim, que acabei ajudando a selecionar as pessoas participantes. Decidimos colocar 30 depoimentos porque o hospital completou 30 anos fazendo transplante de medula óssea”, explica Nelson Hamerschlak, um dos fundadores da unidade de transplante do hospital. “Selecionamos tanto histórias de pessoas que tiveram sucesso quanto familiares de quem não teve para dar uma visão realista da questão”, conta. Na opinião do médico, o resultado é um documento muito rico e bonito, cuja principal mensagem é de valorização à vida.

“Ao ler os depoimentos, você percebe que a grande maioria das pessoas mudaram seus valores frente à doença, passando a valorizar coisas simples, além dos amigos e da família”, diz. Segundo ele, em três décadas, houve muitos avanços na medicina que possibilitaram maiores taxas de sucesso. “A cada seis meses ou um ano, há uma novidade importante que melhora os índices de sobrevida. Quando eu comecei a fazer transplante, em 1987, essa taxa não chegava a 50% e, hoje em dia, é de quase 80%”, comemora.

Ideia

“Quando fui internada, sabia que ficaria muito tempo no isolamento. A única coisa que sei fazer é ler e escrever, então pensei em colher depoimentos de outras pessoas na minha situação”, lembra a jornalista Dad Squarisi. Ela não sabia na época que os pacientes internados têm a imunidade comprometida, o que impossibilitou essas conversas por risco de contaminação.

“Mas o doutor Nelson se comprometeu a me colocar em contato com eles depois. Mais tarde, a direção do hospital decidiu transformar o projeto em um material de comemoração pelos 30 anos de transplante de medula na instituição”, diz. A partir daí, cada convidado escreveu um depoimento e enviou à Dad, responsável pela edição. Um estúdio fotográfico viajou pelo Brasil para registrar os envolvidos em belíssimas fotografias.

Na opinião dela, a obra é importante para ajudar pacientes internados a entender pelo que vão passar e compreender que a medicina tem evoluído e os sintomas, diminuído. “Um diagnóstico não é condenação à morte. O transplante é duro, doloroso, mas não é condenação à morte. Em muitos casos, a única chance que a gente tem de viver é fazer o transplante”, observa. As páginas também servem para estimular a doação de medula óssea

Lançamento do livro

O lançamento da obra será em 14 de dezembro. O coquetel será na Livraria da Vila (unidade Lorena), localizada na Alameda Lorena, nº 1731, Jardim Paulista. O evento começa às 19h30 e segue até as 21h.

 

Leia!
Desafios — Relatos de celebração à vida
Organização: Dad Squarisi
Autores: vários
Editora: Inbook

144 páginas 

R$ 99