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Antecipação do valor do Imposto de Renda exige cálculo

Ao consultar uma instituição financeira, verifique se juros, impostos e taxas não comprometem a restituição

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postado em 29/03/2015 07:44 / atualizado em 28/03/2015 20:26

Nívea Ribeiro / , Alessandra Azevedo

O primeiro lote de restituição do Imposto de Renda tem depósito previsto para 15 de junho nas contas dos contribuintes que acertaram a situação com o Fisco no início do prazo. Mas quem tiver pressa para receber o dinheiro pode pedir a antecipação do valor em instituições financeiras. Entretanto, é bom ser criterioso nos cálculos, pois, de acordo com pesquisa realizada pelo Correio, os juros da linha de crédito em seis bancos estão mais altos este ano.

Os especialistas são taxativos: o contribuinte só deve requisitar o crédito se tiver uma dívida com juros maiores do que os cobrados pela antecipação. Outra coisa que precisa ser observada, alertam, é se as taxas cobradas são mais baratas do que as de outras linhas de empréstimo.

Nesta conta, é preciso somar o valor das taxas de serviço cobradas pelos bancos e o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). “Vale a pena se comprometer com um novo crédito caso a pessoa consiga um dinheiro ‘mais barato’ e o empregue para se livrar de uma dívida ‘mais cara’, como de cartões de crédito e cheque especial”, explica Álvaro Modernell, consultor financeiro da Mais Ativos.

De acordo com pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a média dos juros cobrados em fevereiro no cartão de crédito às pessoas físicas chegou a 11,67% — a maior desde julho de 1999 — e do cheque especial, 9,44%. “Nunca solicite a antecipação apenas por vontade de gastar. Assim como as dívidas, é um sinal de descontrole financeiro,” alerta o consultor Modernell.

Sem pestanejar

A técnica de enfermagem Lusinete Santos, 59 anos, todos os anos, desde 2008, pega a restituição antes no banco, mas nem sempre para pagar dívidas urgentes. “É um dinheiro que é meu, já é garantido, então não vejo por que não pedir a antecipação”, argumenta. Os motivos são variados: desde quitar contas atrasadas a débitos com cheque especial ou cartão de crédito, “sempre tem alguma coisa para pagar”. Este ano, o dinheiro foi usado para quitar despesas decorrentes da construção da casa. Mesmo com os juros de 2,29% cobrados pelo banco, ela considera que vale a pena. “O importante é que ele está disponível na hora em que eu preciso.” Otimista e com a construção da casa terminada, Lusinete acredita que no ano que vem não vai precisar recorrer à antecipação. “Mas, se sentir necessidade, faço de novo, sem problemas”, garantiu.

Segundo dados divulgados pelo Banco do Brasil, em 2014, a linha teve crescimento de 11% em relação a 2013, movimentando R$ 500 milhões. Este ano, o BB ofereceu a antecipação desde o primeiro dia do prazo de entrega da declaração, em 2 de março, e já desembolsou mais de R$ 20 milhões. A expectativa é de crescimento. “Acreditamos que em 2015 o número de antecipações cedidas irá aumentar em 10%, chegando a R$ 550 milhões movimentados. É uma linha com taxas competitivas em relação às outras e não compromete o limite do crédito do cliente”, afirma Edmar Casalatina, diretor de Empréstimos e Financiamentos do BB.
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