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Irã propõe parceria energética

Chanceler do regime islâmico se reúne com o ministro Celso Amorim para estudar cooperação na geração de eletricidade. Brasil destaca ;vontade política;, mas descarta negociações sobre urânio

postado em 27/03/2009 08:14
O Brasil e o Irã estudam organizar missões técnicas para cooperar na área de energia. O tema foi tratado ontem pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ao receber o colega Manouchehr Mottaki, na primeira visita de um chanceler do Irã ao Brasil desde 1993. ;No futuro próximo, vamos ver cada vez mais a cooperação energética entre os dois países;, disse Mottaki. Segundo o iraniano, sete vice-ministros de sua delegação discutiram projetos para eletricidade, petróleo e gás. Os ministros confirmaram que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmud Ahmadinejad devem trocar visitas, mas não mencionaram datas. O Irã consome eletricidade proveniente principalmente do gás (é o segundo maior produtor mundial), do petróleo e da energia nuclear. Com as missões, os iranianos pretendem aprender como o Brasil gera energia elétrica a partir do gás e até observar a produção nas usinas hidrelétricas. Mottaki também comentou a participação da Petrobras na exploração de petróleo e gás em reservas no Mar Cáspio e no Golfo Pérsico. ;Toda cooperação é bem-vinda, tanto em participação quanto execução e investimentos das empresas brasileiras na área de petróleo e gás;, anunciou. O Brasil, sexto produtor mundial de urânio, possui tecnologia nuclear para a produção de eletricidade, mas o assunto não deve entrar na pauta de cooperação entre os dois países. Questionado pelo Correio sobre a possibilidade de venda do mineral ;monopólio do Estado brasileiro ; para o Irã, Amorim foi categórico: ;Nós não conversamos sobre urânio;. Para o ministro brasileiro, o mais importante da reunião foi a demonstração de vontade política de ;explorar caminhos para reforçar as relações econômicas, num momento em que todos precisamos diversificar as nossas relações;. Brasil e Irã estudam lançar linhas de crédito para financiar investimentos e trocas comerciais, além de vistos para empresários dos dois países. ;Em 2007, o Irã foi nosso principal cliente no Oriente Médio e chegou a comprar quase US$ 2 bilhões. Nesse ano, caiu quase pela metade;, disse Amorim. O chanceler brasileiro também ressaltou que o Banco Central do Brasil propôs um acordo com o similar iraniano para troca de informações sobre regulação do sistema financeiro. Afeganistão Os dois países confirmaram a participação na Conferência das Nações Unidas para a crise no Afeganistão, marcada para 31 de março em Haia (Holanda). ;Infelizmente, as políticas dos últimos sete anos (para o Afeganistão) foram políticas erradas. Aumentou o extremismo na região, não melhorou a segurança e a produção de drogas nesse país aumentou;, criticou Mottaki. Segundo o ministro, o Irã tenta ajudar o Afeganistão há 30 anos e tem interesse em ver quais políticas serão discutidas na próxima reunião. Amorim também confirmou a presença de uma delegação brasileira. ;Tive conversas com o chanceler holandês, que insistiu muito na participação do Brasil;, relatou. Os Estados Unidos disseram ontem que a participação do Irã na conferência de Haia ;é um gesto bem-vindo;, mas a secretária de Estado Hillary Clinton não pretende realizar uma reunião bilateral com a delegação de Teerã. Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comenta comércio bilateral com o Irã

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