As críticas externas, refletidas em parte da imprensa estrangeira, sobre a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa de energia nuclear iraniano foram rebatidas nesta terça-feira (24/11) pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
“O Brasil defendeu para o Irã a mesma política que estamos defendendo para nós mesmos, isto é, o processo de enriquecimento de urânio para fins pacíficos sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica. Se algum país criticou isso, criticou de forma errada”, disse o assessor especial.
Ontem (23), ao receber Ahmadinejad, Lula disse que o governo brasileiro encorajava o Irã a desenvolver seu programa de energia nuclear desde que com fins pacíficos. Para autoridades estrangeiras, há suspeitas de que o Irã oculte a fabricação de armas nucleares, transgredindo normas internacionais.
“Reconhecemos o direito do Irã de desenvolver programa nuclear para fins pacíficos com todo o respeito aos acordos internacionais”, disse Lula, na declaração conjunta ao lado do iraniano, no Itamaraty. “O Brasil sonha com o Oriente Médio livre de armas nucleares, como ocorre em nossa querida América Latina.”
Segundo Lula, se o governo iraniano seguir as normas internacionais e tiver posição semelhante à brasileira contará com seu apoio. “Encorajo assim Vossa Excelência a continuar o engajamento com países interessados de modo a encontrar uma solução justa e equilibrada para a questão nuclear iraniana”, afirmou. “O Brasil sonha com o Oriente Médio livre de armas nucleares, como ocorre em nossa querida América Latina.”
Garcia disse que Lula vai, no primeiro semestre do próximo ano, à Jordânia, a Israel, ao território palestino e ao Irã. O assessor ressaltou que é necessário analisar que nos últimos dias Lula desempenhou um papel “privilegiado” nas negociações em busca de um acordo de paz no Oriente Médio, ao receber os presidentes de Israel, Shimon Peres, depois da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e agora Ahmadinejad.
“Tvemos uma situação privilegiada. Em um espaço de
dez dias, estiveram no Brasil o presidente de Israel, o presidente da Autoridade Palestina e o presidente do Irã, que são três líderes importantes. O Itamaraty continua fazendo seu trabalho cotidiano, mas já alimentado por essas novas informações e opiniões que aqui chegaram”, disse Garcia.
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