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UE pressiona Irã, e norte-americanos externam preocupação com segurança mundial

Publicação: 07/02/2010 09:47 Atualização:

A despeito das pressões da comunidade internacional, os Estados Unidos estão céticos em relação a um acordo próximo com o Irã sobre a questão nuclear. Ontem, enquanto a União Europeia (UE) exigia que o governo de Teerã aceite as propostas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, manifestava sua descrença e muitas dúvidas sobre a possibilidade de um acerto com a República Islâmica. “Não tenho a impressão de que estejamos perto de um acordo, declarou Gates à imprensa em Ancara, capital da Turquia, após reuniões bilaterais com as autoridades do país.

Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manuchehr Mottaki, afirmou em Munique, na Alemanha, que seu país é sério na intenção de enviar parte do urânio ao exterior para enriquecimento. Disse ainda que um acordo final sobre a troca de urânio para o reator de pesquisas de Teerã estava próximo. E durante toda a semana passada, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, criou expectativas de um progresso nas bloqueadas discussões internacionais sobre o programa nuclear, ao indicar que estaria disposto a aceitar uma oferta para enviar parte do urânio ao exterior para o enriquecimento.

Estratégia
Para europeus como americanos, cansados de anos de conversações infrutíferas para persuadir o Irã a suspender o enriquecimento de urânio, tudo isso não passaria de uma nova estratégia de Teerã para ganhar tempo. As potências ocidentais temem que o Irã tente desenvolver armamento atômico, sob o pretexto de realizar um programa de energia nuclear civil, suspeita negada pelo governo de Teerã(1).

Na Turquia, Gates demonstrou toda a descrença dos EUA. “A verdade é que quanto mais duram as coisas e mais continuam enriquecendo (urânio), mais diminui o valor das propostas feitas pelo Irã sobre seu programa nuclear”, assinalou. Em Munique, o assessor nacional para a Segurança dos Estados Unidos, James Jones, afirmou que o programa nuclear iraniano e as incertezas que provocam representam atualmente o maior motivo de preocupação para a segurança coletiva.

Sem citar o discurso da véspera de Mottaki, diante do mesmo público integrado por diplomatas e analistas, Jones afirmou que “a porta da diplomacia continua aberta, apesar das evidentes reticências do Irã, que são incompreensíveis”. Mas também advertiu que as pressões aumentarão sobre o Irã. “A incrível desconfiança de Teerã nos leva a trabalhar juntos como aliados e sócios na elaboração de uma segunda série de sanções contra o regime iraniano”, destacou.

Logo depois, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, afirmou que o Irã deve responder formalmente à proposta da AIEA de enviar urânio ao exterior para o enriquecimento e criar o clima de confiança necessário. “O Irã deve responder ao diretor geral da AIEA. Há uma proposta sobre a mesa, uma tentativa de criar confiança com o Irã, sobre uma cooperação prática no setor nuclear”, acrescentou.

1 - Fábricas de mísseis
O ministro iraniano da Defesa, Ahmad Vahidi, inaugurou ontem duas fábricas para a produção de mísseis, três dias depois do lançamento de um foguete espacial de fabricação nacional, informou o canal de TV estatal. A primeira produz um míssil terra-ar batizado de Qaem (ascensão), com capacidade de atacar helicópteros inimigos. A outra fabrica um míssil antitanque chamado Toufan (tempestade).

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