Agência France-Presse
postado em 03/03/2010 09:00
A ajuda alimentar começa a chegar de maneira lenta nas áreas devastadas do Chile, o que faz com que o governo tenha a esperança de reduzir a explosiva situação de violência, saques e descontentamento que o país vive desde sábado (27/2), quando foi abalado por um terremoto seguido de tsunami.
[SAIBAMAIS]Militares, voluntários e funcionários civis começaram a organizar a ajuda alimentar, exigida pelos desesperados habitantes após a tragédia, que deixou quase 800 mortos.
Na noite de terça-feira (2/3) a ajuda começou a chegar, com caminhões de mantimentos e água, e foi distribuída. "A rede de distribuição está operacional e grande parte da ajuda começa a chegar", disse Carmen Fernández, diretora do Escritório Nacional de Emergências (Onemi).
No entanto, Concepción, uma cidade de meio milhão de habitantes, 500 km ao sul de Santiago e epicentro da tragédia, ainda não havia recebido auxílio alimentar.
O desespero da população e a presença de aproveitadores gerou uma situação dramática de saques, o que obrigou a militarização da cidade e a aplicação de um toque de recolher pela terceira noite consecutiva, ampliado a 18 horas entre a noite de terça-feira e o meio-dia de quarta-feira.
As autoridades esperam que nesta quarta-feira, com as ruas vazias, seja possível organizar a entrega de alimentos.
A medida de toque de recolher também afeta outros seis municípios: Talca, Cauquenes, Constitución, Curicó, Molina e Sagrada Família.
Para manter a ordem nas duas regiões mais afetadas, o governo enviou 14 mil militares para controlar a situação.
Cenas de guerra são vistas em Concepción, com tanques posicionados em locais estratégicos e patrulhas com soldados armados percorrendo as ruas.
Mas diante dos saques e crimes, os moradores se viram obrigados a criar grupos de autodefesa, com barricadas e fogueiras. As armas, em muitos casos, são paus e pedras.
Cidades próximas a Concepción, como o porto de Talcahuano, afetado por uma tsunami, vivem no escuro e estão expostas a saques.
"À noite os vândalos aparecem em nossas casas, que estão expostas. Juntamos tudo o que conseguimos e colocamos fogo para nos aquecer e, assim, cuidar das coisas na porta de nossas casas", afirma Antonio González, morador da cidade portuária.
Se Concepción dá a sensação de isolamento, a situação parece ainda mais crítica nos balneários da costa do sul-centro do Chile, onde as ondas gigantes fizeram o maior estrago.
Pulluhue, Cobquecura, Dichato e Constitución são cidades que foram destruídas pela força da água e onde há mais desaparecidos.
Nas últimas horas a inquietação também aumentou a respeito das centenas de turistas que passavam os últimos dias de verão na região.