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Amorim diz que Brasil "não vai se curvar" à pressão dos EUA contra o Irã

postado em 03/03/2010 15:52
As divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre o programa nuclear do Irã provocaram hoje (3/3) uma dura reação por parte do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou que o Brasil tem posições bem definidas orientadas por sua convicção e por esta razão ;não vai se curvar; às pressões dos Estados Unidos - que defendem sanções contra os iranianos.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ouviu a afirmação e acusou os iranianos de mentir sobre planos para a fabricação de armas nucleares.

;Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação;, afirmou Amorim, ao lado da secretária de Estado. ;Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça.;

[SAIBAMAIS]Amorim reafirmou que o governo brasileiro acredita que há condições de buscar um acordo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. ;A questão é de saber qual o melhor caminho para chegar lá ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação. Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte;, disse o chanceler.

As afirmações do ministro ocorreram durante entrevista coletiva da qual também participou Hillary. Sem modificar sua expressão facial, a secretária acusou o governo de Ahmadinejad de mentir sobre informações relativas à produção de armas nucleares. Segundo ela, os iranianos fornecem dados desencontrados em cada lugar que vão, incluindo o Brasil e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

;O que observamos é que o Irã vai para o Brasil, China e Turquia e conta histórias diferentes para evitar as sanções. Nós continuaremos a discutir essas questões;, afirmou a secretária. ;O presidente [Barack] Obama tem feito gestos em relação ao Irã há mais de um ano, mas infelizmente não teve um sinal recíproco.;

Para a secretária, apesar de os Estados Unidos se disporem a negociar com o Irã, as chances são limitadas por causa da falta de interesse do Irã. Ela avalia que o ideal seria buscar um caminho pacífico. ;Nós acreditamos que um esforço em favor das negociações, de boa fé, por parte do Irã seriam bem aceitos. Temos de fazer tudo pacificamente para evitar. Vamos continuar a consultar o Brasil;, disse ela.

Evitando detalhar quais são sanções econômicas os Estados Unidos defendem contra o Irã, Hillary afirmou que os iranianos deverão reagir e buscar as negociações somente depois de se verem ameaçados de punição.

;Eu reiteraria que a nossa porta está sempre aberta para as negociações. Ninguém prefere as sanções, nós preferiríamos negociar. A partir do momento que a comunidade internacional fale em uma resolução sobre sanções, é a partir daí vão querer negociar;, disse.

A reação de Amorim foi mais energética do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, momentos antes da entrevista coletiva entre o chanceler brasileiro e a secretária norte-americana. O presidente sinalizou que o Brasil poderia flexibilizar em relação ao Irã.

;Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar", disse Lula.

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