Agência France-Presse
postado em 03/03/2010 19:21
As adegas do Chile - 70% delas ficam na região afetada pelo terremoto de sábado passado - sofreram danos que comprometem 12,5% da produção atual de vinho, em pleno período de colheita, informou nesta quarta-feira a corporação "Vinos de Chile"."Pudemos quantificar a perda em 125 milhões de litros, o equivalente a 250 milhões de dólares; mas, se comparada à abundante colheita de 2009 (1 bilhão de litros), a perda equivale a apenas 12,5% dela", detalhou o presidente da entidade, René Merino. "Vinos de Chile" - uma entidade privada que reúne 92% das videiras do país - precisou em comunicado, no entanto, que o dano ainda não foi totalmente estabelecido.
Merino afirmou que quatro dias depois do sismo, o trabalho produtivo já foi retomado em vários locais, enquanto outros estão em processo de fazê-lo: "As cadeias de engarrafamento foram poupadas e estão em operação".
[SAIBAMAIS]O terremoto de 8,8 graus que abalou o país, e que deixou um número preliminar de 800 mortos, aconteceu no começo da colheita. "Muitos produtores, no entanto, estão iniciando a vindima, o que foi favorecido pelo fato de a uva ter sofrido um atraso em sua maturação, em relação a outros anos, em diferentes vales", disse o vice-presidente da Corporação Chilena do Vinho, Eduardo Silva.
Segundo Merino, na verdade, grandes volumes da produção não serão afetados. Por sua vez, o gerente geral da Corporação Chilena do Vinho, Antonio Larraín, descartou a possibilidade de desabastecimento das exportações de vinho - 600 milhões de litros.
O gerente agrícola da Vinha Emiliana, José Guilisasti, contou que "das quatro adegas que possuímos, apenas uma apresentou complicações, a de (vale de) Colchagua, onde foi rompido um dos tanques".
Merino descartou que Concha y Toro - o principal exportador da América Latina, com presença em mais de 130 países - tivesse sofrido perda de 40 milhões de litros: "foi muito menor que isso. Mas, obviamente, os prejuízos são proporcionais aos tamanhos de cada companhia".
Segundo cifras da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), de 2009, o Chile é o nono produtor mundial, atrás de França, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Portugal, Argentina, Austrália e África do Sul, com uma produção de 8,8 milhões de hectolitros por ano.