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Alerta de tsunami aturde chilenos, traumatizados com o terremoto

Agência France-Presse
postado em 03/03/2010 19:26
Um alerta de tsunami provocou a fuga desesperada de chilenos para áreas altas da costa nesta quarta-feira (3/3), enquanto a mobilização de tropas finalmente levou ordem à cidade de Concepción, a cerca de 500 km de Santiago, onde saques violentos se seguiram ao terremoto de sábado.

Quatro dias depois de as ondas gigantes provocarem a morte de centenas de pessoas, dois fortes tremores secundários, com magnitudes de 5,9 e 6,0 graus, provocaram um breve alerta de tsunami ao longo do litoral do Chile, já atingido no sábado.

Milhares de sobreviventes, alguns ainda tentando identificar os corpos de familiares, correram para áreas altas, conduzidos por militares. Vinte minutos depois, o alerta foi suspenso.

[SAIBAMAIS]Ignacio Gutiérrez, jornalista de uma emissora de TV chilena, se dirigia ao balneário de Constitución, quando pessoas pararam seu carro, gritando: "corra, corra, uma nova tsunami se aproxima".

Nelson Muna levava comida e água para as vítimas, quando ouviu as sirenes e viu cenas de pânico.

"Vimos soldados correndo, todo mundo tentando deixar a cidade. Até mesmo os militares estavam assustados", contou.

O clima de pavor tomou conta da cidade justamente quando as milhares de soldados enviadas pelo governo, com a ajuda de um estrito toque de recolher, finalmente pareciam ter restaurado um certo clima de normalidade em Concepción, a segunda cidade do Chile, após dias de violência que se seguiram ao violento tremor.

O governo elevou o número de mortos no terremoto de 8,8 graus para 799, mas a previsão é a de que este balanço seja revisto, assim que forem encontrados todos os corpos nas áreas devastadas do litoral.

A presidente Michelle Bachelet enviou 14 mil soldados para a área de catástrofe para ajudar na distribuição de comida e para manter a ordem nos arredores de Concepción e nas cidades costeiras.

"O trabalho de reconstrução será enorme", reconheceu Bachelet em discurso à nação, no qual deu detalhes sobre a proporção dos danos.

Apesar de ser um dos países mais ricos da América Latina, o Chile trabalha arduamente para dar uma resposta à altura para o desastre, enquanto o custo dos danos é estimado em dezenas de bilhões de dólares.

Segundo Bachelet, indústrias vitais do país, da agricultura ao turismo, da pesca ao comércio, foram destruídas, mas prometeu: "nós trabalharemos para que o país se levante das ruínas".

Antes do alerta de tsunami, familiares enlutados visitaram o necrotério de Constitución para a difícil tarefa de identificar corpos. Sete cadáveres, em avançado estado de decomposição, foram listados simplesmente como "sem nome".

"A maior parte dos corpos está muito inchada ou mutilada, difícil de reconhecer. O mau cheiro é terrível", revelou um tenente do exército.

"Nós esperamos mais" corpos, acrescentou o oficial, que não se identificou, mas que levava na lapela uma placa com o nome Gutierrez.

Uma lista escrita a mão sobre uma grande tábua branca colocada no portão do necrotério contabilizava 78 mortos na tsunami que devastou as áreas baixas do balneário costeiro do Chile, que antes do desastre era um paraíso muito procurado em época de férias.

O chefe de gabinete do prefeito de Constitución informou que foram confirmados 100 mortos só na cidade, mas que pelo menos 300 pessoas ainda estão desaparecidas.

Enquanto isso, as autoridades correram para ajudar os milhares de sem-teto na tentativa de desarmar uma situação explosiva em cidades e povoados onde gangues de saqueadores tomaram as ruas depois do primeiro grande terremoto.

A eletricidade voltou a algumas partes de Concepción e um dos grandes supermercados da região anunciou que abriria as portas nesta quarta-feira, enquanto outras lojas e negócios avaliavam se poderiam também retomar seu funcionamento normal.

A presença de blindados vigiando pontos estratégicos e distribuição regular de ajuda alimentar têm reduzido a ansiedade da população. Mesmo assim, o governo estendeu o toque de recolher das 18h00 ao meio-dia de quarta-feira e manteve os milhares de soldados na cidade para garantir a segurança.

Toques de recolher semelhantes foram adotados em ou

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