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Medo toma conta dos presidentes convidados durante a posse de Piñera

France Presse

Publicação: 11/03/2010 16:28 Atualização:

Faltavam poucos minutos para a mudança de comando no Chile e os presidentes convidados conversavam na sede do Congresso quando três tremores, em 20 minutos, seguidos de alarme de tsunami, foram motivo de pânico, mas também de reações bem-humoradas. Ao sentirem o segundo abalo, os presidentes Cristina Fernández, da Argentina, e Álvaro Uribe, da Colômbia, levantaram-se de suas cadeiras olhando em direção à saída do recinto, mas voltaram a se sentar, constatou a AFP.

O ato foi repetido pela terceira vez. Depois desta última réplica, Uribe mostrava-se consternado (os sismos foram de magnitude 7,2; 6,9 e 6,0 na escala Richter) e, com passo firme, dirigiu-se à saída, retornando depois.

A presidente argentina começou a falar, primeiro com um assessor, depois com Uribe, demonstrando nervosismo. Ela chegou a perguntar ao chanceler chileno, Mariano Fernández, se a cerimônia ia prosseguir ou não. "Meu estado de ânimo era de tristeza, de fadiga, não de medo. Quando cheguei já havia acontecido, aparentemente, o primeiro tremor. Observei mais o segundo do que senti, propriamente, porque as flores" estavam balançando, disse depois.

Já Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) olhavam preocupados para o teto da sala, onde fica pendurado um grande lustre, que se movia. Ao lado, Evo Morales (Bolívia) não parecia incomodado com a situação. Correa - que chegou à cerimônia de muletas, devido a uma cirurgia no joelho realizada em Cuba- não parou de olhar para o teto até o final da solenidade.

Um coro fazia o ensaio final, afinando os instrumentos e os convidados conversavam em grupos quando houve o primeiro sismo. Em poucos segundos, por alto-falante informava-se sobre as portas de saída. Tudo parecia, depois, voltar à normalidade.

Em meio ao nervosismo depois do terceiro tremor, alguém comentou em voz alta: "Se o Congresso cair haverá uma renovação política total" no país.

A cerimônia de passagem de comando foi feita apressadamente. Nesse momento já havia um alerta de tsunami. A sede do Congresso fica a cinco quadras do mar. Assim, logo que foi concluída a cerimônia, com Piñera já como presidente, funcionários do Congresso pediram as pessoas que se retirassem com urgência da sede parlamentar. Os primeiros a deixar o recinto foram ... os presidentes.

Já na parte de fora, o príncipe Felipe da Espanha mostrava uma fisionomia mais tranquila. Mais relaxado, o presidente peruano disse: "é um tremor, não dramatizemos; estamos acostumados, em Lima, e aproveitamos para dançar de alguma forma". "Para mim, foi uma honra compartilhar um tremor com o povo do Chile", concluiu.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Viviane Lago
Entendo a resposta e a reação diplomática de cada um dos presidentes. Mas um tremor na magnitude de 7.2 (Haiti) e 6.9 em minha opinião é terremoto. Não se pode dramatizar mais em um país em que já está decretado estado de sitio nas regiões de epicentro e tsunami - exige-se ação e não drama. | Denuncie |

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