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Hillary Clinton telefona para premiê israelense e fala em "abalo na confiança" Fechamento da Cisjordânia provoca protestos de palestinos

Rodrigo Craveiro

Publicação: 13/03/2010 07:00 Atualização: 13/03/2010 08:39

O comerciante Ma’en Sultan, 27 anos, sonha em proteger sua pátria e mostrar ao mundo o que ocorre em sua terra. Mas está imobilizado pela frustração e pelo sentimento de abandono, que aumentam a cada decisão polêmica do governo de Israel. “Meu povo vive a pior fase de todos os tempos. Temos problemas entre os principais partidos políticos, que já não têm como meta nossa felicidade ou interesse”, afirmou o palestino de Hebron (Cisjordânia). “Por outro lado, Israel só se preocupa com sua própria existência”, acrescentou. Às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio e no dia considerado sagrado para os palestinos — muitos se dirigem a Jerusalém para orar na Mesquita Al-Aqsa —, o Exército israelense impôs o fechamento total da Cisjordânia por 48 horas. A medida, que se soma ao anúncio da construção de 1.600 casas no assentamento judaico de Ramat Shlomo (em Jerusalém Oriental), colocou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em rota de colisão com Washington.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, telefonou para o premiê e usou um tom contundente, que surpreendeu a muitos analistas e sucedeu a recente visita do vice-presidente Joe Biden ao Oriente Médio. A chefe da diplomacia de Washington disse a Netanyahu que a decisão (sobre os assentamentos) foi “profundamente negativa” para as relações com os Estados Unidos e ainda culpou Israel por “abalar a confiança no processo de paz”. Também ontem, o chamado Quarteto da Paz para o Oriente Médio — formado por EUA, União Europeia, ONU e Rússia — condenou a autorização de novas construções em Jerusalém Oriental e apelou para a rápida retomada do diálogo.

O fechamento da Cisjordânia foi imposto por Ehud Barak, ministro da Defesa, para evitar violentas manifestações. Entre a zero hora de ontem e a zero hora de amanhã, ninguém tem permissão para entrar ou sair do território. Na sexta-feira passada, tropas israelenses entraram em choque com palestinos após Netanyahu ter incluído dois santuários da Cisjordânia — o Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, e a Tumba de Raquel, em Belém — na lista de patrimônios nacionais de Israel.

Tensão

Impedidos de acessar o complexo religioso, vários palestinos ajoelharam-se ontem do lado de fora dos portões e oraram. Alguns chegaram a lutar com policiais. Em outra mesquita de Jerusalém, no distrito árabe de Ras Al-Amud, manifestantes lançaram pedras em carros de judeus ultraortodoxos. Na Faixa de Gaza, uma multidão tomou as ruas para protestar. “Nós resgataremos a Mesquita Al-Qasa com nossas almas e nosso sangue”, gritavam. Mae’en Sultan considerou “terrível” a atitude de Barak. “Vocês podem imaginar como nos sentimos. É como se víssemos nossa terra sendo tomada à força e fôssemos impedidos de visitá-la”, reclamou. Na opinião dele, ao isolar a Cisjordânia, Israel prejudica o comércio palestino. “Isso só afeta as pessoas que têm permissão para entrar no território israelense; são alguns milhares, principalmente mercadores.”

Em Nablus, também na Cisjordânia, o gerente de tecnologia de informação Ahmad Al-Nimer, 24 anos, não acredita que o fechamento do território surta efeitos nocivos na economia palestina. “Essas medidas se tornaram comuns. Já sofremos bloqueios em 2002 e 2003”, lembra. Segundo ele, os moradores da região e de Gaza vivem a sensação de estarem presos. “Sempre há postos de controle perto das cidades e, se você viajar de um local a outro, será monitorado por soldados israelenses.”

Por e-mail, o israelense Mordechai Kedar — especialista do Centro para Estudos Estratégicos Begin-Sadat (em Ramat Gan) — afirmou à reportagem que o fechamento da Cisjordânia baseia-se em informação clandestina sobre “ataques planejados por terroristas”. “Também existe a denúncia de que as pessoas pretendem realizar distúrbios de rua. Confiamos que as nossas organizações de segurança sabem o que fazem”, disse o analista, que trabalhou por 25 anos no setor de inteligência das Forças de Defesa de Israel (IDF). Em relação à expansão do assentamento de Ramat Shlomo, Kedar é assertivo. “Jerusalém não é um assentamento, é a capital eterna e antiga da nação judaica. Jesus Cristo pregava na Jerusalém judaica, nossa capital por mais de 3 mil anos. Jerusalém é nossa. E ponto final”, declarou.

Lula teria aconselhado Ahmadinejad

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (1) pressionou o colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad, a desistir da retórica de negação do Holocausto. “Eu falei com o presidente do Irã e deixei claro que ele não pode dizer que ele deseja a destruição de Israel, assim como é insustentável para ele negar o Holocausto, que é um legado de toda a humanidade. Acrescentei o fato de que ele tem diferenças com Israel que não o permitem negar ou ignorar a história”, afirmou o mandatário brasileiro, em entrevista concedida na terça-feira passada ao jornal israelense Haaretz, em Brasília, e na presença de um jornalista da Agência de Notícias Brasil Árabe — da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Na mesma entrevista, Lula associou o fracasso das negociações de paz entre israelenses e palestinos à visita em Teerã, programada para maio. O brasileiro afirmou não desejar que Israel ataque o Irã ou vice-versa. “Em mundo ordeiro, as pessoas têm de aprender a conversar umas com as outras”, recomendou. Segundo o presidente, o tour pelo Oriente Médio, que terá início no domingo, tem a função de “abrir espaço para atores que tragam novas ideias”. “Esses atores precisam ter acesso a todos os níveis do conflito: em Israel, na Palestina, no Irã, na Síria, na Jordânia e em muitos outros países associados ao conflito. Essa é a única maneira que teremos de desenvolver a paz entre israelenses e palestinos e, ao mesmo tempo, dizer claramente ao Irã que nós estamos contra a construção de armas nucleares, declarou o presidente.

Desapontamento

Lula se disse desapontado pelo fato de os Acordos de Oslo terem terminado em “Prêmios Nobel e fotografias de pessoas se abraçando”. Ele também questionou a eficácia da Conferência de Annapolis, realizada em novembro de 2007, da qual o Brasil participou. “Isso me deixa sérias dúvidas: quem realmente quer a paz no Oriente Médio? Quem tem interesse em alcançar uma solução e quem gostaria que o conflito continuasse? A impressão é que alguém está constantemente trabalhando aqui como se tivesse inimigos escondidos, pessoas que simplesmente não querem um acordo”, desabafou o chefe de Estado brasileiro.

“Todos admiram sua sabedoria suprema e sua mente criativa”, escreveu o jornalista Adar Primor, referindo-se ao próprio Lula. Durante a entrevista, Lula alertou para comparações em relação ao líder iraniano. “Qualquer um que compare Ahmadinejad e o Irã dos dias atuais a Hitler e ao nazismo está tendo o mesmo comportamento radical de que o Irã está sendo acusado”, afirmou. “Qualquer um que queira fazer política com ódio e ressentimento deve sair da política.”


1 - “Profeta do diálogo”
Uma reportagem publicada ontem pelo jornal israelense Haaretz, assinada pelo jornalista Adar Primor, classifica o presidente Lula de “profeta do diálogo”, pela defesa das negociações diplomáticas em busca da paz na região. Mas observa que brasileiro foi um dos primeiros líderes a receber Ahmadinejad após as polêmicas eleições iranianas de junho do ano passado e a se abster em uma votação na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pela condenação do Irã. Com o título “Profeta do Diálogo”, o texto estava ontem na capa da edição online do jornal. A reportagem comenta que Lula se descreve como “um negociador, não um ideólogo”, capaz de se relacionar ao mesmo tempo com Hugo Chávez e com George W. Bush, com o presidente israelense, Shimon Peres, e com Ahmadinejad.

Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: augustus nazareno
esse tipo de pensamento fanático, que tenta legitimar uma invasão cretina e imoral, é que tem alimentado guerras e justificado mais ocupações. Esses fanáticos que falam de deus para justificar invasão... é o mesmo que vender terreno na lua... mostra ai a procuração da terra oh fanatico... papo furadO | Denuncie |

Autor: aluizio emidio
Independentemente de que os livros sagrados falem (tanto a Bílblia, como o O Alcorão ) aquelas terras são patrimônios de toda humanidade, todos tem o direito de frequentar e visitar. Não pode ser território só de uma nação. | Denuncie |

Autor: jose francisco leal pereira
ESSE CONFLITO VAI MUITO ALEM DO ENTENDIMENTO POLITICO E CULTURAL.É UM CONFLITO ESPIRITUAL ONDE QUALQUER LEIGO AO LER AS ESCRITURAS DESCOBREV QUE ESSA TERRA NA QUAL OS PALESTINOS TEIMAM EM DIZER QUE A ELES PERTENCEM FOI NA VERDADE DOADAS POR DEUS AO POVO DE ISRAEL.CANAÂ É DE ISRAEL | Denuncie |

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