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EUA e militantes pressionam Abbas Casa Branca defende diálogo com líder palestino. Facções islâmicas formam coalizão

Publicação: 04/09/2010 07:00 Atualização:


Um dia depois de apertar a mão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Washington, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, começa a sentir que a pressão sofrida de ambos os lados só tende a aumentar com o avanço das conversas. De acordo com um alto funcionário palestino, a Casa Branca tem insistido para que Abbas prossiga com o diálogo, mesmo diante da possível retomada das obras nos assentamentos judaicos. Do lado palestino, um grupo formado por 13 milícias — entre elas as Brigadas de Ezzedin Al-Qassam, braço armado do Hamas —prometeu aumentar os ataques contra Israel para minar com o processo de paz retomado nesta semana.

Para essas facções, o reinício do diálogo é “absurdo”, “infrutífero”, e dá a cobertura necessária para Israel cometer “mais ações agressivas” contra o povo palestino. “Não deixaremos que as negociações funcionem e responderemos (a elas), porque são uma punhalada nas costas do nosso povo para legalizar as colônias e ignorar os direitos palestinos”, afirma o texto dos militantes, lido por Abu Ubaida, porta-voz do Ezzedin Al-Qassam, em uma coletiva de imprensa em Gaza. O grupo, que inclui ainda a Jihad Islâmica, a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e os Comitês Populares de Resistência, afirmou que iniciará uma fase “avançada” de resistência armada contra Israel, que não descarta nenhuma possibilidade de ação.

Liderada pelo Hamas, a resistência contou com o apoio do governo do Irã(1). Diante de uma multidão que saiu às ruas em Teerã por conta do dia anual de solidariedade à causa palestina, o presidente Mahmud Ahmadinejad defendeu que o diálogo iniciado em Washington está “condenado e fadado ao fracasso”, já que Abbas não representa o desejo do povo palestino. “Quem eles (AP) estão representando? Quem deu a eles o direito de venderem um pedaço da terra palestina? O povo da Palestina e as pessoas da região não permitirão que eles vendam nem sequer uma polegada de solo palestino ao inimigo”, disse Ahmadinejad, conclamando os palestinos a “removerem o regime sionista da cena mundial”. “Resistir é a única forma de resgatar os palestinos”, disse.

Condição
Do outro lado, a pressão sobre Abbas veio, primeiro, de países como Jordânia e Egito, para retomar as negociações com Israel. Dos Estados Unidos, ela foi suficiente para relevar o peso de condições como o congelamento dos assentamentos judaicos em territórios ocupados por palestinos. Contudo, segundo o jornal israelense Haaretz, que cita uma fonte do alto escalão palestino, Abbas dificilmente permanecerá à mesa de negociações se as construções forem reiniciadas a partir do fim da moratória, no dia 26.

Ontem, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que participará da próxima reunião entre os dois líderes em 14 e 15 de setembro, em Sharm el-Sheikh, no Egito, disse considerar que Jerusalém pode se “tornar um símbolo de paz e cooperação”. “Ambas as partes sabem que devem dialogar sobre este tema, para que Jerusalém deixe de ser um centro de tensões”, disse Hillary, acrescentando que as negociações devem estar acompanhadas de “mudanças no terreno, de forma a criar confiança”. Netanyahu avisou que poderá convocar um referendo para decidir sobre pontos polêmicos — entre eles, Jerusalém — de um possível acordo de paz.

Em defesa do TNP
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, pediu a Israel que considere aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). De acordo com um documento da agência, o “convite” foi feito por Amano durante visita ao país em agosto — e em meio a uma intensa campanha árabe para que o Estado judeu coloque seu programa nuclear sob a fiscalização da AIEA. Amano pediu a Israel que “submeta todas as instalações nucleares às salvaguardas da AIEA”. Ele transmitiu a “preocupação” da agência com as capacidades nucleares de Israel. O documento divulgado pela AIEA inclui uma carta na qual o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, aponta o Irã e a Síria como “obstáculos reais de proliferação”.

 

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