Coreia do Norte ameaça utilizar armas nucleares

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postado em 24/12/2010 08:30 / atualizado em 24/12/2010 08:53

Em agosto de 1945, o mundo testemunhou o horror de duas explosões atômicas e contabilizou pelo menos 240 mil mortos. Quase sete décadas depois, esse fantasma volta a assombrar o planeta, na forma de um regime comunista enfrentando transição política. A Coreia do Norte, que já fez dois testes nucleares, reforçou sua retórica já agressiva, enquanto a vizinha Coreia do Sul realizava ontem o maior treinamento militar de sua história. “As forças armadas revolucionárias da RPDC (nome oficial da Coreia do Norte) estão plenamente preparadas para uma guerra santa de justiça ao estilo coreano baseada na dissuasão nuclear se for necessário para enfrentar as ações inimigas que deliberadamente levam a situação à beira da guerra”, declarou Kim Young-chun, ministro das Forças Armadas do Povo, citado pela agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.


Kim garantiu que uma nova Guerra da Coreia alcançou a fase de implementação, ante a “agressão” cometida pelo país vizinho — uma referência aos testes de Seul. “Se os inimigos invadirem o céu, a terra e os mares da Coreia do Norte, mesmo que seja 0,001mm, as Forças Armadas do Povo continuarão desferindo golpes devastadores contra eles, sem hesitação”, ameaçou. Em Pocheon, a apenas 30km da Zona Desmilitarizada que marca a fronteira, 800 soldados sul-coreanos, 30 tanques, sete helicópteros e seis aviões de combate se envolveram em uma série de manobras bélicas, sob o olhar atento do presidente Lee Myung-bak.

Caças F-15 lançam bombas durante exercício militar: provocação perigosa
Suas tropas também reafirmaram prontidão para a batalha e prometem uma “resposta à altura”, no caso de uma ofensiva. “Devemos executar um contra-ataque maior e mais forte, para que eles não possam nos provocar novamente”, disse Lee à agência sul-coreana Yonhap. “Já resistimos o bastante. Pensamos que poderíamos manter a paz nesta terra se resistíssemos, mas não foi o caso. Agora, precisamos retaliar com força para manter a paz, conter as provocações e evitar a guerra”, acrescentou. Tanto o Norte quanto o Sul se escoram em pretextos políticos para bradar seus dentes em direção ao vizinho. Enquanto Pyongyang se vê às voltas com a transferência de poder do ditador Kim Jong-il para o filho caçula, Kim Jong-un, Seul precisa recuperar o prestígio do governo, que não retaliou o bombardeio contra a Ilha de Yeongpyeon — o ataque, em 23 de novembro, deixou dois civis e dois militares mortos.

Distração

“Quando um regime sofre com a instabilidade política interna, geralmente necessita empregar táticas diversivas para focar a atenção de seu povo em um inimigo externo”, afirmou ao Correio, por e-mail, o americano Bruce Bennett, especialista em Coreias pela Rand Corporation. Para ele, Lee Myung-bak obteve êxito ao simular uma guerra. “Os testes de artilharia dissuadiram Pyongyang e mostraram que Seul tem a capacidade de contra-atacar com força militar poderosa”, explicou. “O regime de Kim Jong-il não estava preparado para uma escalada tão intensa e teme sua destruição; atualmente, age como se fosse um fraco brigão.”

No entanto, Bennett não descarta o uso de armas nucleares, por parte do Norte, especialmente ante um possível levante da população, atormentada pela fome. Ele crê que Kim Jong-il ordenaria um ataque gigantesco contra o vizinho, na esperança de abafar a insatisfação interna. “Os líderes norte-coreanos poderiam sentir a necessidade de empregar armas de destruição em massa, para se darem uma chance de sobrevivência”, disse o especialista da Rand. “Nesse ponto, os presidentes Barack Obama (EUA) e Lee Myung-bak (Coreia do Sul) teriam que optar entre buscar um cessar-fogo ou ir à guerra total, até a conquista de uma vitória absoluta.” Na quarta-feira, a Casa Branca advertiu a Coreia do Norte contra qualquer reação violenta às simulações de artilharia.

Três perguntas para

Yong Chen, especialista
sul-coreano da Universidade da Califórnia-Irvine

Como o senhor vê o agravamento da crise na Península Coreana?
Trata-se de um esforço do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, para salvar a imagem de seu governo, com a permissão dos Estados Unidos. A realização dos testes militares são uma ação extremamente arriscada a curto prazo. A Coreia do Sul quer começar um conflito, porque poderia arrastar os Estados Unidos para a guerra.

A Coreia do Norte realmente seria capaz de usar armas nucleares em retaliação?
Pyongyang não atacará dessa vez e não usará armas nucleares. O ditador Kim Jong-il sabe que não pode suportar uma guerra contra a Coreia do Sul e os EUA. A sobrevivência é o principal interesse do regime. Sua meta é ser reconhecido e receber ajuda de Washington.

Se houvesse uma guerra, qual seria o cenário mais provável?
Não haverá uma guerra em um futuro próximo. Se isso ocorresse, o Norte entraria em colapso muito rapidamente; e seria controlado por várias potências, dependendo de como o conflito se iniciou.
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