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Risco real de de levantes em outras nações do Oriente Médio e da África

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postado em 31/01/2011 08:00

AFP
A onda de protestos pelo mundo árabe ganha cada vez mais força e tamanho. Inspirados pela revolta popular no Egito, sudaneses organizaram ontem manifestações contra o governo de Omar Al-Bashir, no poder desde 1989. Assim como ocorreu em outros países árabes, as manifestações foram convocadas pela internet. Durante a tarde, a tag #SudanJan30 no microblogue Twitter — em referência à data escolhida para a mobilização — relatava as demandas da população. Além da saída do presidente, os sudaneses reclamavam contra o aumento do preço dos alimentos e denunciavam abusos policiais. Agências de notícias informaram que os agentes prenderam e agrediram estudantes, utilizando cassetetes e gás lacrimogêneo, na capital, Cartum.

O efeito dominó também parece estar chegando à Síria. Na tarde de ontem, militantes oposicionistas de Damasco divulgaram um documento em que celebram a recente derrubada do presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, e as revoltas no Egito. “Cumprimentamos o povo tunisiano e sua revolução, assim como os protestos do povo do Egito contra um regime repressivo e corrupto. Aspiramos, com todos os povos, incluindo o povo sírio, à justiça, à liberdade, à igualdade para
todos”, informava o texto, assinado por personalidades como o cineasta Omar Amiralay e por opositores políticos que passaram anos na prisão.

Na Líbia, o presidente Muammar Al-Khaddafi foi um dos primeiros a se pronunciar quando Ben Ali deixou o cargo. O governante líbio, no poder desde 1970, admitiu que a Tunísia “agora vive com medo”. A TV Al-Jazeera informou, por meio do Twitter, que o ditador ordenou às forças policiais que se dirigissem para a região leste do país, tradicional reduto oposicionista.

A revolta em nações do Oriente Médio e do norte da África começou no fim do ano passado, encabeçada pela Tunísia. A população protestava contra a alta taxa de desemprego e transformou a mobilização em um levante contra Ben Ali. Ele renunciou, um dia depois de anunciar que não concorreria à sexta eleição consecutiva. Além de anos de ditadura, Tunísia e Egito sofrem com problemas como corrupção e desemprego, comuns também em outros países da região.

Inspiração
“A manifestação popular no Egito inspira a população de outros lugares que vivem sob repressão, mas não necessariamente no mesmo ritmo. Há um levante de massa, sim, mas o fim de um ciclo ditatorial leva tempo”, analisa o professor José Flávio Sombra Saraiva, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). O professor, inclusive, tem dúvidas de que o Egito se torne de fato um país democrático. “Os protestos vêm com uma alegoria muito grande; o mais provável, contudo, é que haja algum acordo com as forças políticas já existentes, até para evitar o controle islâmico da região”, aponta.

Já David Mednicoff, cientista político da Universidade de Massachusetts Amherst, acredita que o cenário egípcio pode “contaminar” fortemente outras nações árabes. “Argélia e Iêmen já estão experimentando grandes protestos. Muitas monarquias da região, como o Marrocos, são mais abertas, mas após a pressão popular, tudo pode acontecer”, observa. Além disso, a revolta árabe provocaria impactos em outros mundos. “Essas nações têm laços econômicos, políticos e sociais vitais com todo o mundo. A política e a economia global podem ser afetadas pela instabilidade se as manifestações continuarem a se espalhar.”

Líder da oposição retorna a Túnis
Rached Ghanuchi, líder do partido islamita tunisiano Ennahda, regressou ontem à Tunísia, após mais de 20 anos de exílio em Londres. Mesmo com o frenesi dos milhares de partidários que o esperavam no aeroporto, Ghanuchi adotou um tom prudente ao falar da situação da Tunísia após a queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali. “A sharia (lei islâmica) não tem lugar aqui”, afirmou. “O medo é baseado unicamente na ignorância”, garantiu. Rached Ghanuchi fundou o Ennahda (Renascimento) em 1981 com um grupo de intelectuais inspirados pela Irmandade Muçulmana egípcia. Hoje, afirma representar um islã moderado.

Eu acho...
“Os regimes árabes seculares são muito repressivos e impopulares. Monarquias são mais legítimas, mas também não são democráticas. Mesmo assim, os ocidentais temem que o Islã tenha algum papel no governo desses países e, por isso, eles tendem a favorecer os governos seculares, mesmo que tenham pouca credibilidade, tal como o de Hosni Mubarak. Adicione a tudo isso o grande número de jovens desempregados e, muitas vezes, a insatisfação que surgiu depois do que ocorreu na Tunísia.”

David Mednicoff, cientista político da Universidade de Massachusetts Amherst (Estados Unidos)

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