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Publicação: 14/09/2012 20:18 Atualização: 14/09/2012 21:20
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| Manifestantes marroquinos salafistas queimam bandeira dos EUA durante um protesto contra um filme anti-islã |
Dubai - As violentas manifestações no mundo árabe contra um filme que denigre o Islã podem aumentar a influência dos salafistas, dispostos a se mobilizar para defender a religião e que ganharam uma margem de manobra maior depois da Primavera Árabe.
A Primavera Árabe possibilitou a esses grupos, que defendem um retorno às fontes dos "piedosos ancestrais" (Al-Salaf al-Salih em árabe), a oportunidade de ocupar um importante espaço político, principalmente na Líbia, Tunísia e Egito.
Os salafistas têm "a vontade de criar uma relação de forças nas ruas, tendo como pretexto os 'ataques contra o sagrado'", explica Jean-Pierre Filiu, professor de Ciências Políticas em Paris.
Foram principalmente as redes de televisão religiosas sauditas que contribuíram para propagar o discurso salafista nos países árabes nos últimos 20 anos.
Esses grupos foram reprimidos em vários países árabes. Mas outros regimes os apoiavam de forma não-declarada "para dividir os islamitas" e enfraquecer em particular a Irmandade Muçulmana, afirma Basheer Nafi, pesquisador do centro de estudos Al-Jazeera, com sede no Qatar.
Sobre alguns países ainda paira um fantasma salafista, sobretudo, na Síria, onde o governo enfrenta uma insurreição popular, que exagera sua presença entre os opositores armados, segundo os especialistas.
Ao contrário da Irmandade Muçulmana --mais bem estruturada e com vocação política-- os salafistas se reúnem em pequenas formações heterogêneas, e transmitem uma mensagem mais religiosa e social, focada na defesa do dogma.
"Seu discurso político é embrionário. Sua prioridade é a reforma sócio-religiosa", explica Stéphane Lacroix, autor de várias obras sobre o salafismo.
Filiu salienta que o termo salafista é utilizado para "distinguir os islamitas apoiados pela Arábia Saudita da Irmandade Muçulmana. Hoje, o Qatar apoia a Irmandade Muçulmana; e a Arábia, os salafistas", afirma.
Os salafistas irromperam de forma espetacular no cenário político do Egito ao obterem cerca de 25% dos assentos nas recentes eleições legislativas, em segundo lugar atrás da Irmandade.
Para Basheer Nafi, entretanto, "a emergência dos salafistas é um fenômeno transitório. A liberdade e a democracia os devolverão o seu peso real", afirma.
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Autor: Delmiro Portilho
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