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Premiê paquistanês ordena ação imediata após apedrejamento de grávida

A mulher foi morta pela própria família por ter se casado com o homem que ela havia escolhido

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postado em 29/05/2014 14:17 / atualizado em 29/05/2014 14:56

France Presse

Islamabad - O primeiro-ministro paquistanês pediu nesta quinta-feira (29/5) uma ação imediata após o apedrejamento de uma mulher grávida no Paquistão por sua própria família por ter se casado com o homem que ela havia escolhido.

O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, pediu ao seu irmão, o chefe de governo da província de Punjab, Shahbaz Sharif, que tome medidas após este assassinato brutal. "Ordeno ao chefe de governo que realize uma ação imediata", acrescentou. "Este crime é totalmente inaceitável e é preciso se ocupar sem demora deste assunto em conformidade com a lei", estimou. Uma declaração deste tipo do primeiro-ministro paquistanês é pouco comum neste tipo de temas.

Na terça-feira (27/5), trinta membros de sua família mataram a pedradas Farzana Parveen, de 25 anos, na entrada do tribunal de Lahore (leste), situado em pleno centro desta cidade de mais de 10 milhões de habitantes. Seu erro foi ter se casado com a pessoa que ela havia escolhido, mas contra a vontade de sua família. A jovem se dirigia a um tribunal para testemunhar contra sua família, que acusava seu marido de tê-la sequestrado, e declarar que havia escolhido livremente se casar com ele.

Já o viúvo de Farzaba Parveen declarou nesta quinta à AFP que havia matado sua primeira esposa. "Estava apaixonado por Farzana e matei minha primeira mulher por causa desse amor", declarou Mohamad Iqbal, explicando ainda que havia estrangulado a primeira esposa. Iqbal contou que não teve de cumprir pena de prisão. Seu filho, que havia denunciado o assassinato à polícia, o perdoou depois.

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Polêmicas leis vigentes no Paquistão permitem, por exemplo, que o autor de um homicídio proponha o pagamento de uma indenização financeira (o chamado "preço do sangue") à família da vítima para não ter que cumprir a pena.

Grupos de defesa dos Direitos Humanos temem que esse tipo de disposições sejam utilizadas para perdoar aqueles que mataram Farzana.

Após o apedrejamento, a Polícia de Lahore indicou que havia detido o pai, Mohamed Azeem, e estava procurando os irmãos e os três primos envolvidos. Na quarta-feira(28/5), ativistas dos Direitos Humanos e feministas denunciavam uma possível apatia diante do apedrejamento, em um país onde a lei proíbe os casamentos forçados e os crimes de honra.

No Paquistão, cerca de 1.000 mulheres e adolescentes são assassinadas todos os anos por terem desonrado suas famílias, de acordo com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, que denuncia a impunidade dos autores desses atos, que não são divulgados pela imprensa local.

Durante a década passada entraram em vigor várias leis proibindo os casamentos forçados e castigavam os crimes de honra, mas elas se chocam com costumes ancestrais ou interpretações arbitrárias do Islã. Com essa desculpa muitos ignoram que na religião muçulmana "uma mulher tem direito a escolher um marido", ressaltou em seu blog a ativista feminista paquistanesa Bina Shah.

O apedrejamento de terça também provocou muitas críticas em outros países. O ministro das Relações Exteriores britânico, Wiliam Hague, disse estar "comovido e horrorizado com a morte de Farzana Paveen, tanto pela maneira chocante de sua morte quanto pela indescritível crueldade de assassinar uma mulher que exerceu o direito básico de escolher a quem amar e com quem se casar".

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