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Mãe de refém americano pede que califa do EI perdoe vida do filho

Steven Sotloff apareceu no vídeo em que o jornalista James Foley foi brutalmente assassinado

Agência France-Presse
postado em 27/08/2014 14:17

Nova York -
A mãe de um jornalista americano sequestrado pelo Estado Islâmico (EI) pediu nesta quarta-feira a libertação de seu filho ameaçado de ser executado, em uma mensagem emotiva dirigida diretamente ao líder deste grupo jihadista, proclamado califa dos territórios conquistados na Síria e no Iraque.

Shirley Sotloff, mãe do jornalista freelancer de 31 anos Steven Sotloff, é a primeira a realizar um pedido deste tipo por um cidadão americano sequestrado por islamitas, além de reconhecer a autoridade de Abu Bakr al-Baghdadi.

"Envio essa mensagem a você, Abu Bakr al-Baghdadi Al-Quraishi Al-Hussaini, califa do Estado Islâmico. Sou Shirley Sotloff. Meu filho Steven está em suas mãos. O senhor califa pode conceder uma anistia. Peço, por favor, que liberte meu filho. Peço que use sua autoridade para salvar a vida dele", declarou a mulher no vídeo divulgado pelo New York Times.

[SAIBAMAIS]Sotloff foi sequestrado há um ano, mas o fato não havia sido revelado pela imprensa. Seu nome foi mencionado na semana passada, quando o EI o identificou como o próximo refém a ser executado, após o brutal assassinato do repórter James Foley, que teve a decapitação divulgada na internet no dia 19 de agosto em um ato bárbaro que comoveu o mundo.



Abu Bakr al-Bagdadi, que se autoproclamou califa do território conquistado pelo EI na Síria e no Iraque, convocou todos os muçulmanos a obedecerem suas ordens, embora até o momento sua autoridade não seja reconhecida fora do Estado Islâmico.

A questão dos reféns americanos no Iraque e na Síria voltou a ser discutida após a execução de Foley.

Washington não fornece números oficiais sobre a quantidade de sequestros, que, em muitos casos, não são apresentados pela imprensa como medida de segurança, a pedido dos familiares.

Refém libertado


No domingo passado, outro jornalista americano, Peter Curtis, foi libertado depois de permanecer por quase dois anos sequestrado na Síria por um grupo vinculado à rede terrorista Al-Qaeda conhecido como Frente Al-Nosra.

De volta a sua casa em Cambridge (Massachusetts, nordeste dos Estados Unidos), Curtis afirmou nesta quarta-feira que estava profundamente emocionado com os esforços feitos por centenas de pessoas para salvar sua vida.

"Soube pouco a pouco que existiam literalmente centenas de pessoas valentes, pessoas decididas e de bom coração, trabalhando em todo o mundo por minha libertação. Trabalharam durante dois anos nisso. Não tinha ideia disso quando estava na prisão. Não tinha ideia de que estavam fazendo tanto esforço por mim", disse.

"Estou emocionado por outra coisa: porque pessoas completamente desconhecidas se aproximam de mim e dizem: ;Estamos felizes por você estar em casa. Bem-vindo;. A todas essas pessoas, um enorme obrigado do fundo do meu coração", acrescentou.

Curtis foi capturado pouco depois de ter entrado na Síria, em outubro de 2012, e foi libertado depois que as autoridades do Catar negociaram com os milicianos da frente Al-Nosra.

Segundo a família de Curtis, o governo do Catar garantiu que não pagou resgate para libertá-lo.

Os Estados Unidos mantêm uma política de não pagar para libertar seus cidadãos sequestrados, explicando que isso pode colocar em risco americanos no mundo inteiro.

Matt Schrier, um americano que esteve sequestrado com Curtis e conseguiu escapar no ano passado, contou em uma entrevista à televisão as torturas sofridas por ambos e como conseguiu fugir deixando para trás seu companheiro de cela, que não conseguiu passar através de uma janela.

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