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Hamas e Jihad Islâmica traçam suas linhas vermelhas para a paz em Gaza

Israelenses e palestinos caminham para discussões para manter o cessar-fogo na Faixa de Gaza, onde o Hamas e a Jihad Islâmica excluem atender ao pedido de Israel, o de depor suas armas

Agência France-Presse
postado em 29/08/2014 16:33
Gaza - Israelenses e palestinos caminham para discussões sobre vários assuntos a fim de manter o cessar-fogo na Faixa de Gaza, onde o Hamas e a Jihad Islâmica excluem atender a um requisito primordial de Israel, o de depor suas armas.

Depois de o líder do Hamas na quinta-feira (28/8), foi a vez nesta sexta-feira (29/8) da Jihad Islâmica declarar que não tem a intenção de renunciar às suas armas, muito pelo contrário.

"Mesmo durante a batalha, não paramos de produzir armas e vamos redobrar nossos esforços... para nos prepararmos para o próximo passo que será a batalha pela liberdade", exclamou o porta-voz da Jihad Islâmica conhecido como Abu Hamza, enquanto milhares de combatentes e simpatizantes participavam de um desfile militar entre as ruínas da cidade de Gaza.

Mascarados, vestindo roupas cáqui e exibindo rifles ou pistolas, eles marcharam, brandindo vários foguetes semelhantes aos disparados contra Israel durante a guerra. "As armas da resistência são sagradas", disse o porta-voz da organização de inspiração iraniana, segunda força combatente em Gaza atrás do Hamas.

As mesmas palavras foram proferidas no dia anterior pelo líder do Hamas em Doha (Catar), onde vive no exílio. "As armas da resistência são sagradas. E nós não vamos aceitar que sejam colocadas na pauta" de discussões, afirmou Khaled Meshaal, referindo-se às discussões que devem transformar em trégua duradoura o acordo de cessar-fogo concluído na terça-feira (26/8) entre as partes em conflito.

Única palavra de paz

Os combatentes palestinos receberam o apoio da grande inimigo de Israel, o Irã. O general Mohammad Ali Jafari, chefe da Guarda Revolucionária, corpo de elite do Irã, prometeu, segundo o site dos Guardiões, fortalecer a ajuda militar à Faixa de Gaza e também à Cisjordânia.

A desmilitarização da Faixa de Gaza é um imperativo para Israel. "Este é o único caminho para a paz", diz o site do ministério das Relações Exteriores, citando o chefe da diplomacia israelense, Avigdor Lieberman."Tornou-se claro que nem os israelenses nem os palestinos conhecerão a paz e a segurança, se o Hamas não se desarmar", ressalta o ministério citando Lieberman, um membro linha dura do governo de Benjamin Netanyahu.

A desmilitarização é um dos assuntos de discórdia que complicam os esforços realizados há várias semanas sob os auspícios do Egito para cessar as hostilidades entre o exército israelense e o Hamas, que controla o enclave palestino.

A Jihad Islâmica também aderiu às negociações, e afirmou nesta sexta-feira (30/8) ter perdido 121 de seus homens em combate. Após várias tréguas unilaterais ou bilaterais fracassadas, ambas as partes concordaram finalmente com um cessar-fogo ilimitados que acabou com 50 dias de guerra, que matou 2.143 palestinos e 71 israelenses.

Um soldado israelense ferido por um foguete disparado a partir de Gaza em 22 de agosto morreu nesta sexta-feira (30/8), elevando a 65 o número de soldados mortos durante o conflito (de 8 de julho a 26 agosto), o maior número de baixas do exército desde a guerra contra o Hezbollah xiita libanês em 2006.

No terceiro dia de cessar-fogo, moradores de Gaza aproveitaram a relativa normalidade no território, onde bairros inteiros foram reduzidos a escombros pelas bombas em Shajaya, Beit Hanun e Rafah.

Cessar-fogo, um erro ?


Dezenas de crianças na cidade de Gaza fora para a praia brincar, sem medo de ataques israelenses. Não muito longe dali, os pescadores foram ao mar com a intenção de aproveitar com a extensão de sua área de pesca, uma das poucas concessões feitas por Israel em troca da cessação do lançamento de foguetes e morteiros.

Em Hebron, na Cisjordânia, milhares de palestinos marcharam depois das orações para comemorar a "vitória" em Gaza, agitando bandeiras e réplicas de foguetes e armas do Hamas, segundo um jornalista da AFP.

Já em Israel, 61% dos entrevistados em uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (30/8) pelo jornal Maariv acreditam que seu país não ganhou a guerra, se o objetivo era alcançar uma paz duradoura. Cinquenta e oito por cento dos entrevistados (judeus israelenses) considera ainda a aceitação de um cessar-fogo ilimitado como um erro.



[SAIBAMAIS]O acordo de cessar-fogo ainda não foi tornado público. Outras discussões devem ocorrer dentro de um mês, com o objetivo de chegar a um acordo para que a violência não retorne em alguns meses em um território que viu três guerras em seis anos.

Elas devem se concentrar em questões difíceis, como a desmilitarização, a reabertura do aeroporto de Gaza e a libertação de dezenas de presos políticos exigidos pelos palestinos.

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