Mundo

Merkel disposta a ajudar Cameron a manter Reino Unido na União Europeia

A Alemanha teme ficar isolada como único grande país do norte dentro de uma UE dominada pelos países do sul.Na parte da manhã, na Polônia, a reunião centrou-se em questões econômicas

Agência France-Presse
postado em 29/05/2015 12:36

A Alemanha teme ficar isolada como único grande país do norte dentro de uma UE dominada pelos países do sul.Na parte da manhã, na Polônia, a reunião centrou-se em questões econômicas

Berlim - A chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou-se nesta sexta-feira aberta às reformas da União Europeia exigidas por seu colega britânico David Cameron, decidida a ajudar a manter o Reino Unido no bloco europeu após um referendo previsto para 2017.

Angela Merkel prometeu "acompanhar de maneira construtiva" o processo de reforma da UE, sem rejeitar, a priori, a modificação dos tratados europeus, o que preocupa muito países membros, incluindo a França.

Reeleito recentemente, o primeiro-ministro David Cameron se comprometeu a realizar um referendo, considerado arriscado, sobre a permanência do país na UE.

[SAIBAMAIS]

Sob pressão dos eurocéticos, Cameron, que deseja que seu país permaneça em uma UE reformada, pretende recuperar algumas competências em nome da soberania do Parlamento britânico e endurecer as condições de acesso a ajudas sociais para os cidadãos da UE que vivem na Grã-Bretanha.

Após uma reunião nesta sexta-feira em Varsóvia com a primeira-ministra da Polônia, Ewa Kopacz, Cameron viajou a Berlim para um almoço de trabalho com Angela Merkel, como parte de seu giro europeu para convencer os seus parceiros que a UE deve passar por reformas.

Ele começou sua ofensiva diplomática na quinta-feira, quando se reuniu com o primeiro-ministro holandês Mark Rutte, em Haia, e com o presidente francês François Hollande em Paris.

"Há claramente por parte do lado alemão a esperança de que a Grã-Bretanha continue a ser membro da União Europeia", disse Merkel em uma coletiva de imprensa conjunta com Cameron.

Convidada a falar sobre as reformas pretendidas por Londres e suas implicações institucionais, Merkel declarou que "quando estamos convencidos de uma ideia, não podemos dizer que a modificação de um tratado é absolutamente impossível".



As modificações de tratados preocupam várias capitais, que temem que sejam impossíveis de implementar por falta de apoio público."A União Europeia mostrou no passado que, quando um Estado-membro tem um problema, ela pode ser suficientemente flexível, e tenho toda a confiança de que isso irá ocorrer novamente", disse Cameron.

Merkel lembrou que está fora de questão modificar o princípio da livre circulação de pessoas no interior da UE, ao passo que Cameron deseja limitar a imigração de países membros. No entanto, a chanceler lembrou que estava disposta a discutir formas de limitar o auxílio social para estrangeiros europeus, julgando que isso também era do interesse da Alemanha.

Muito hostil a uma saída do Reino Unido da União Europeia, Berlim compartilha uma proximidade ideológica com Londres em questões econômicas, principalmente sobre a necessidade de realizar reformas liberais, em favor da disciplina fiscal e da melhoria da competitividade, e para remover os obstáculos ao desenvolvimento do comércio mundial.

A Alemanha também teme ficar isolada como único grande país do norte dentro de uma UE dominada pelos países do sul.Na parte da manhã, na Polônia, a reunião centrou-se em questões econômicas.

Com cerca de um milhão de seus cidadãos trabalhando na Grã-Bretanha, a Polônia rejeita qualquer flexibilidade que possa dar lugar a uma eventual diferença de tratamento entre eles e os britânicos, enquanto Cameron defende este tipo de projeto.

Durante seu encontro com o primeiro-ministro britânico, Ewa Kopacz confirmou que "a Polônia rejeitará qualquer discriminação", indicou através de sua conta no Twitter o ministro polonês de Assuntos Europeus, Rafal Trzaskowski, que havia previsto uma conversa difícil sobre este ponto.

No entanto, o ministro ressaltou que Cameron e Kopacz "chegaram a um acordo sobre a desregulação dentro da UE, o reforço da concorrência e o papel dos parlamentos nacionais".

Em um comunicado publicado após o encontro, Downing Street indicou que os dois chefes de governo "concordaram que existem questões sobre a interdependência entre a livre circulação e os sistemas nacionais de proteção social que precisam ser debatidas".

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação