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Jihadista do EI instigou atentado frustrado contra militares na França

De acordo com o Ministério do Interior francês, 1.850 cidadãos ou residentes no país "estão envolvidos com movimentos jihadistas"

Agência France-Presse
postado em 17/07/2015 14:11

Paris, França - Os três jovens detidos na França por preparar um atentado contra um centro militar e a decapitação de um oficial em nome da jihad seguiam instruções de um combatente do grupo Estado Islâmico (EI), segundo a justiça francesa.

A Promotoria de Paris solicitou nesta sexta-feira (17/7) a prorrogação da prisão preventiva dos três suspeitos, de 17 a 23 anos, entre os quais um ex-militar.

Ainda nesta sexta, eles devem se apresentar a um juiz para serem acusados formalmente, após quatro dias de detenção.

Durante o interrogatório, o mais jovem do trio, Ismael K., reconheceu ter estado em contato com um "indivíduo atualmente na Síria nas fileiras do EI".

Ele teria sido instruído a "atingir a França a partir de seu interior" ante a impossibilidade de partir à Síria para fazer a Jihad por ter sido fichado pelos serviços de inteligência franceses, segundo explicou o procurador de Paris, François Molins.

Depois, esteve em contado com os outros dois suspeitos, Antoine F. e Djebril A. Este último, um ex-militar da marinha francesa, "sugeriu que atacassem um alvo que já conhecia", Fort Bear, uma instalação militar perto de Perpignan (sul).

Segundo Ismael K. "os três planejavam matar os militares presentes, decapitar o responsável pela instalação, filmar todo o ato e fugir para a Síria", explicou Molins.

Djebril A. declarou que "agiriam durante a noite, no final de dezembro ou início de janeiro, já que as instalações são menos vigiadas neste período", segundo Molins, que não estabeleceu uma relação com os aniversário dos atentados ocorridos em Paris entre 7 e 9 de janeiro, e que deixaram 17 mortos.

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Fort Bear é uma instalação da Marinha francesa onde está localizado o centro nacional de treinamento do Exército francês.

Djebril A., o principal suspeito, entrou na Marinha em junho de 2013 e serviu como vigia de Fort Bear. De acordo com uma fonte próxima ao caso, sofria problemas de saúde e poderia ter "alimentado um rancor pessoas contra o chefe do destacamento".

"Após várias baixas por doença desde a primavera de 2014, foi declarado inapto por problemas de adaptação aos serviços de militar e seu contrato com o Exército foi rompido em janeiro de 2015", detalhou Molins.

Durante sua prisão preventiva, disse que "havia se sentido investido de uma missão a serviço do EI e queria responder às ordens desta organização terrorista atacando um alvo na França", segundo o magistrado.

Os militares franceses (que estão presentes em várias frentes militares, como no Iraque e no Sahel), têm sido alvos de jihadistas repetidamente. Três deles foram mortos em 2012 por Mohamed Merah em Toulouse (sudoeste da França).

Os três suspeitos, naturais de diferentes regiões, se conheceram através das redes sociais.

O plano inicial era viajar para a Síria, mas tiveram que desistir deste plano depois que a mãe de Ismael K. alertou as autoridades sobre a radicalização do jovem, que foi então colocado sob vigilância.

Além da pouca idade, os três tinham em comum "uma ficha limpa, concluído o ensino médio e se radicalizado muito, especialmente por meio dos vídeos do EI", de acordo com o procurador.

Os três foram presos na segunda-feira ao amanhecer. Ismael K. no norte da França, onde residia; Antoine F. em um bairro da periferia oeste de Paris; e A. Djebril em Marselha (sul).

De acordo com o Ministério do Interior francês, 1.850 cidadãos ou residentes no país "estão envolvidos com movimentos jihadistas, 500 deles na Síria ou do Iraque."

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