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Hillary Clinton parece ganhar força na corrida pela Casa Branca

Duas pesquisas apontaram a candidata democrata como vencedora do duelo, embora com uma diferença menor que no debate de duas semanas atrás

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postado em 10/10/2016 09:23

France Presse

Saint Louis, Estados Unidos - Após um agressivo segundo debate contra o republicano Donald Trump, a democrata Hillary Clinton parecia ganhar força nesta segunda-feira (10/10) na corrida presidencial, a menos de um mês das eleições de 8 de novembro nos Estados Unidos.

"Ela lidera as pesquisas e provavelmente não sofreu nenhum dano esta noite", disse Steven Smith, professor de ciência política na Universidade de Washington. "Não vi o suficiente nesta noite para que ocorra uma guinada na campanha de Trump", declarou, por sua vez, à AFP Dante Scala, professor de ciência política na Universidade de New Hampshire. "Sua esperança é que ocorram mais surpresas em outubro, e que não o envolvam", acrescentou.

Duas pesquisas apontaram a candidata democrata como vencedora do duelo, embora com uma diferença menor que no debate de duas semanas atrás, enquanto Trump tenta abafar as críticas sobre seus comentários machistas e vulgares contra as mulheres. Uma pesquisa da CNN/ORC mostrou que 57% dos telespectadores disseram que Hillary venceu o debate, contra 34% que consideraram que Trump se saiu melhor.

Uma medição do YouGov mostrou diferenças mais apertadas: 47% dos eleitores registrados que viram o debate disseram que Hillary ganhou o duelo, contra 42% que deram a vitória a Trump. Na pesquisa da CNN/ORC após o primeiro debate, 62% dos telespectadores apontaram Hillary como vencedora. A democrata chegou ao duelo com uma leve vantagem nas pesquisas, enquanto o magnata compareceu ao evento duramente afetado por estes comentários e abandonado por boa parte da liderança do partido Republicano.

- Piadas de vestiário -
"Não estou orgulhoso disso", se desculpou Trump ao se referir ao vídeo de 2005 no qual relata, de maneira vulgar, ter agarrado mulheres em suas genitais e beijado-as à força. O magnata de 70 anos negou, no entanto, ter cometido estas ações, e disse que eram apenas piadas de vestiário. Vários atletas profissionais negaram posteriormente que este tipo de conversa ocorra nos vestiários. "Nunca ouvi isso em um vestiário", declarou o jogador da NBA CJ McCollum, dos Portland Trail Blazers, no Twitter.

"Como atleta, estive em muitos vestiários por toda a minha vida adulta e esta não é uma conversa de vestiário", tuitou por sua vez Sam Doolittle, do Oakland Athletics. Após o pedido de desculpas, Trump contra-atacou dizendo que o ex-presidente e marido de sua rival, Bill Clinton, era "muito pior" e "abusivo" com as mulheres. Para tentar minimizar os danos, uma hora e meia antes do debate Trump convidou jornalistas a um hotel, onde apareceu cercado de quatro mulheres, três das quais acusam Bill Clinton de agressões sexuais nas décadas de 70 e 90. Também as convidou a presenciar o debate.

Durante a hora e meia de um duro confronto, o magnata exibiu, no entanto, uma disciplina maior que no primeiro debate, atacando sem pausa Hillary e acusando-a de ser uma representante do status quo controlado pelos grupos de interesse. Hillary respondeu colocando em xeque que o candidato republicano possua as qualidades necessárias para ocupar a Casa Branca. Os comentários vulgares do vídeo "representam exatamente o que ele é", disse a ex-senadora de 68 anos, sem deixar de ressaltar que Trump também ofendeu "imigrantes, negros, latinos e deficientes físicos".

- Munição -
Em tom desafiador, Trump usou toda a munição ao seu alcance, colocando mais uma vez na mesa o uso de um servidor privado de e-mails e o ataque à embaixada dos Estados Unidos em Benghazi quando Hillary era secretária de Estado, enquanto lembrou o adjetivo "deploráveis" utilizado por Hillary para descrever os apoiadores do magnata. "Se vencer, vou dar instruções ao meu secretário de Justiça para que nomeie um promotor especial para que investigue a sua situação, porque nunca existiu tanta mentira e tantas coisas escondidas", advertiu o republicano na universidade Washington de Saint Louis (Missouri, sul).

"Se eu fosse presidente, estaria na prisão", acrescentou. "Sei que tenta criar uma distração", respondeu Hillary, denunciando novamente Trump por não divulgar suas declarações de impostos. "Ele vive sua própria realidade", acrescentou, considerando divertido ouvir "alguém que não pagou impostos em quase 20 anos falar do que fará" sobre o tema fiscal.

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A Rússia também gerou animadas discussões durante o duelo verbal. Hillary acusou Moscou de tentar influenciar a eleição presidencial a favor de seu rival, que elogiou o líder russo, Vladimir Putin. A ex-chefe da diplomacia americana também considerou necessário lançar uma investigação sobre Moscou pelo que classificou de "crimes de guerra na Síria". Se o tom no começo do debate foi agressivo - os candidatos não apertaram a mão no início -, o evento terminou com um pouco mais de calma.

Os filhos de Trump são "incrivelmente hábeis e devotos e acredito que isso diz muito de Donald", declarou Hillary ao ser consultada sobre as qualidades de seu rival. "Ela não desiste, não se rende. Respeito isso (...) É uma lutadora", respondeu Trump, antes de, desta vez sim, cumprimentá-la com um aperto de mãos.

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