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Papa Francisco muda formação do conclave que elegerá seu sucessor

Os novos cardeais, provenientes de 11 países diferentes dos cinco continentes, receberão título cardinalício no próximo dia 19 de novembro, véspera da conclusão do Jubileu da Misericórdia, o ano santo proclamado por Francisco

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postado em 10/10/2016 13:26

Cidade do Vaticano, Santa Sé - Com a nomeação de 17 novos cardeais, o papa Francisco mudou completamente o conclave que elegerá seu futuro sucessor e reforçou a política de seu pontificado, menos eurocentrista, ao dar maior representação à Igreja pobre do sul do mundo. De forma inesperada, Francisco anunciou no domingo que celebrará um consistório para a criação de 17 novos cardeais, 13 deles com menos de 80 anos, e, portanto, com direito a voto no conclave que elegerá o próximo papa.

Os novos cardeais, provenientes de 11 países diferentes dos cinco continentes, receberão título cardinalício no próximo dia 19 de novembro, véspera da conclusão do Jubileu da Misericórdia, o ano santo proclamado por Francisco. O pontífice, que defende uma Igreja pobre para os pobres, designou personalidades procedentes de comunidades esquecidas, das "periferias" do mundo, como ele mesmo define: Albânia, República Centro-africana, Bangladesh, Ilhas Maurício, Papua Nova Guiné.

"Representam a universalidade da Igreja", explicou aos peregrinos que assistiam na Praça de São Pedro o Ângelus dominical. Entre os 13 novos purpurados com direito a voto, três são da Europa, três da América Latina (Brasil, Venezuela e México), três dos Estados Unidos, dois da África e dois da Ásia. Na lista, só um eleito da Itália, país que por décadas contava com influentes cardeais.

A terceira promoção de cardeais que Francisco proclama depois de sua eleição, em 2013, representa a Igreja que o pontífice quer promover e deixar como herança, consciente de que está prestes a completar 80 anos, em dezembro.

- Cardeais comprometidos -
São religiosos comprometidos com o diálogo, com a paz, que vivem em regiões em conflito e que sofrem lado a lado com seus fieis. O único italiano designado cardeal com direito a voto é um religioso que está na linha de frente do conflito na Síria como núncio, uma novidade, já que esse tipo de cargo diplomático não costuma ser ocupado por um purpurado.

Trata-se do monsenhor Mario Zenari, que "não quis abandonar a população síria sob os bombardeios e conseguiu falar com todas as partes", recorda o jornal italiano La Stampa. "O Papa quis promover personalidades que favoreçam o diálogo", resumem os vaticanistas Andrea Tornielli e Giacomo Galeazzi.

Na lista de novos cardeais da Igreja que compartilham a visão do papa Francisco a favor do compromisso com os pobres e esquecidos, que "acompanham" as famílias feridas diante das mudanças da sociedade, o Papa incluiu o chamado "Francisco espanhol", o arcebispo de Madri, Carlos Osoro.

"Está convertendo a Igreja em uma Igreja sinodal, uma Igreja onde todos podemos falar em liberdade, para tornar mais crível a Igreja de Cristo", comentou Osoro à imprensa pouco depois de sua escolha. "A audácia do papa Francisco é de grande envergadura e atratividade", reconheceu.

- Europa 'perde peso' -
Outra nomeação a favor de uma Igreja que defenda o diálogo entre a sociedade é a do mexicano Carlos Aguiar Retes, arcebispo de Tlalnepantla e ex-presidente da Conferência Episcopal Mexicana. "Estou convencido, por minha experiência como bispo, que uma pessoa faz muito mais quando entra no diálogo de colaboração e entendimento com as autoridades. O choque e o confronto não nos levam a grande coisa", comentou à imprensa ao falar de sua eleição.

Já a designação do venezuelano Baltazar Porras, arcebispo de Mérida, foi interpretada como um convite a fortalecer o diálogo entre as pessoas em um país dividido pelos confrontos. O religioso passou de "o diabo sob a batina" na época de Hugo Chávez a uma das pessoas que acompanhou o falecido presidente, conversando com ele, quando foi deposto temporariamente por um golpe de Estado em abril de 2012.

Minha designação "é um apelo à superação da crise" na Venezuela, explicou Porras em uma entrevista. Em três consistórios, Jorge Bergoglio nomeou 44 cardeais eleitores para o Colégio Cardinalício, um número notável que muda o equilíbrio geográfico mantido por décadas e que leva os europeus a perder a maioria.

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Em oito anos de papado, Bento XVI criou 78 cardeais e João Paulo II designou 94 em quase 27 anos de pontificado. Entre os quatro eméritos nomeados, que não poderão votar no conclave devido a sua idade, aparece o sacerdote albanês Ernest Simoni, que esteve por quase 30 anos nas prisões do regime comunista da Albânia, a quem conheceu durante sua visita em 2014 a este país e que esteve prestes a morrer várias vezes pelas vexações sofridas, um exemplo de religioso, que não esquece, mas perdoa.

Com as novas criações, o número de membros do Sagrado Colégio chega a 121 cardeais eleitores: 54 são provenientes da Europa, 17 da América do Norte, 17 da América Latina, 15 da África, 14 da Ásia e 4 da Oceania.
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