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Furacão espalha cólera: surtos são registrados em cidades do Sul do Haiti

Avanço da doença alarma organizações internacionais. ONU pede fundo de US$ 120 milhões para mitigar efeitos do Matthew, que matou mais de mil

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postado em 11/10/2016 07:02

Rodrigo Craveiro

Hector Retamal/AFP

A cada 10 ou 15 minutos, pacientes dão entrada em hospitais do Haiti com sintomas do cólera. Em áreas do sul, moradores sepultam familiares em covas coletivas. Além de arrasar a nação mais pobre do Hemisfério Ocidental, o furacão Matthew deixou mais de mil mortos e um desastre humanitário. O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) estima que 2,1 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelo fenômeno.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou ontem pela criação de um fundo de US$ 120 milhões para custear a resposta ao desastre natural. “Centenas morreram. Ao menos 1,4 milhão precisam de assistência neste momento. (…) Reservas de comida e de grãos foram destruídas. Trezentas escolas sofreram danos”, declarou, ao cobrar uma resposta maciça à tragédia. Dos US$ 120 milhões do fundo, US$ 56 milhões seriam usados nas áreas de segurança alimentar, nutrição e emergência em agricultura; US$ 15 milhões, na limpeza das regiões; US$ 12,4 milhões, em abrigos e itens essenciais; e US$ 9 milhões, em saúde.

“Quase toda a comuna de Les Cayes está destruída, especialmente a costa sul, que vai de Saint Louis a Aux Cauteaux. Há muitos desabrigados e não temos mais comida. O cólera não atingiu a nossa cidade, mas seguiremos avaliando a situação”, afirmou ao Correio Francisco Momplaisir, 34 anos, funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e morador de Les Cayes. “Muitas pessoas, de todos os lugares do Haiti, tentam arrecadar fundos para alcançar e auxiliar os mais necessitados.” No aeroporto da capital, Porto Príncipe, helicópteros militares dos Estados Unidos descarregaram 20t de provisões, como lona, arroz, azeite e produtos de higiene, que se somaram a 47t transportadas nos dias anteriores.

Unni Krishnan, diretor da Unidade de Saúde de Emergencia da organização Save the Children no Haiti, confirmou que 13 mortes causadas pelo surto de cólera tinham sido reportadas até o fechamento desta edição. “Nós não sabemos ao certo, pois não somos capazes de acessar todas as regiões atingidas pelo Matthew. Provavelmente, há centenas de casos da doença”, admitiu ao Correio. O ativista lembra que o país possui um sistema de saúde bastante frágil, além de infraestrutura limitada. “Isso pode amplificar a crise e é motivo de preocupação. O furacão destruiu centros de saúde e hospitais. A batalha contra o cólera é uma corrida contra o tempo”, lamenta.

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