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Seguidoras de Trump ignoram escândalo por declarações ofensivas às mulheres

Uma pesquisa recente da Universidade de Quinnipiac revelou que as mulheres apoiam Hillary por uma margem de 53% contra 33%

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postado em 11/10/2016 09:56

France Presse

Mandel Ngan/AFP

Wilkes-Barre, Estados Unidos - Comentários lascivos sobre as mulheres? É só papo de vestiário. Acusar o ex-presidente Bill Clinton de abuso sexual? Ele precisou fazer isso. Queda nas pesquisas? Os institutos de pesquisa mentem. As seguidoras de Donald Trump parecem alheias à gravidade dos escândalos que cercam o candidato republicano à presidência, assim como as deserções que ocorrem em campanha de figuras e legisladores de seu partido.

E se mostram mais apaixonadas do que nunca para votar no magnata do setor imobiliário. Os eleitores indecisos podem descartar Trump, o Grand Old Party (GOP, Partido Republicano) pode ter abandonado toda esperança de vencer a eleição de 8 de novembro, mas há poucos sinais de que os seguidores do ex-astro dos reality shows estejam desertando.

"Trump! Trump!, vocifera uma multidão enquanto espera o candidato em seu primeiro comício desde que explodiu o escândalo da divulgação de uma gravação de 2005 na qual se gaba de utilizar sua condição de celebridade para abusar sexualmente das mulheres. Seus seguidores se dirigiram à arena de Wilkes-Barre, um ex-povoado minerador governado por um prefeito democrata no estado chave da Pensilvânia. Hillary Clinton acumula uma vantagem de 9,4 pontos percentuais neste estado, de acordo com uma média das pesquisas do RealClearPolitics.

"Posso estar mancando na linha de chegada, mas vamos cruzar a meta", disse Trump na segunda-feira depois de receber boas-vindas dignas de um astro do rock de seus defensores incondicionais, embora o recinto, com capacidade para 10.000 pessoas, não estivesse lotado.

Seguidores que faziam fila - inclusive desde sete horas antes do início do comício - estimaram que a

gravação de 2005 na qual Trump faz suas declarações escandalosas sobre as mulheres mostra apenas que tem a aspereza necessária para olhar fixamente nos olhos de homens como o russo Vladimir Putin. "Não significa nada para mim", disse Lynae Kuntz, que há 30 anos trabalha no setor de saúde. Ela considerou que o democrata Bill Clinton foi um bom presidente e tolerou suas infidelidades, assim como também tolera as de Trump.

"Isso não tem nada a ver com a presidência", afirmou. "O que quer que tenha feito, não gosto de julgar as pessoas, só quero alguém que faça com que as coisas melhorem para nós", disse. Os democratas e os indecisos não estão de acordo. Uma pesquisa recente da NBC-The Wall Street Journal mostra Hillary Clinton com uma vantagem de dois dígitos, enquanto 41% dos eleitores consideram os comentários de Trump "completamente inaceitáveis".

Uma pesquisa recente da Universidade de Quinnipiac revelou que as mulheres apoiam Hillary por uma margem de 53% contra 33%. E, embora Trump tenha um bom desempenho entre a população operária branca, havia entre a multidão um bom número de mulheres profissionais de classe média.

- Muito impressionado -
Sua atratividade como outsider político, suas promessas de criar postos de trabalho e colocar fim à imigração ilegal, assim como a forma como desafia a correção política, atraíram milhões de americanos fartos dos políticos de carreira. Frequentemente ignoram ou desculpam seus insultos - contra as mulheres, os mexicanos, os muçulmanos e os deficientes - no âmbito da agressiva campanha que polarizou o país. "Estamos realmente excitados", disse Kim Herron, de 44 anos, de Wyoming, Pensilvânia, que trabalha em marketing, enquanto estava na fila com o namorado.

Disse que admirou o desempenho de Trump no debate, e destacou como ponto alto quando afirmou que enviaria Hillary à prisão. Minimizou suas declarações lascivas sobre as mulheres como "provavelmente nada que uma mulher ou um homem não tenha dito". Defendeu seus ataques contra Bill Clinton - a quem Trump acusou de ser "abusivo" com as mulheres - como justos, considerando que pode voltar a ocupar a Casa Branca como primeiro-cavalheiro, algo que "não seria bom".

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Bev Rose, uma dona de casa que no ano passado se mudou à Pensilvânia com seu marido depois de permanecer por 13 anos na Grã-Bretanha, disse que nada poderia dissuadi-la de votar em Trump. E embora tenha estimado que o magnata apresentou bons pontos no debate de domingo, se preocupa com a possibilidade de que não vença as eleições em menos de um mês. "Qualquer outra pessoa que tivesse cometido apenas uma parte de tudo o que ela (Hillary Clinton) fez estaria presa agora mesmo, e ela se lança à Casa Branca", algo que "nunca deveria ter sido permitido", lamentou Rose.

Neil, seu marido britânico, um engenheiro aposentado, considerou que Trump redefiniu o republicanismo. "O GOP parece estar fora de linha", considerou apenas algumas horas após o titular da Câmara de Representantes, Paul Ryan, dizer que não podia defender Trump. "Olhe as pessoas aqui hoje, é uma corrente tão popular", considerou enquanto apontava a enorme fila. "Estou fortemente impressionado, é chocante".

Tags: eua eleições

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filomena
filomena - 11 de Outubro às 16:01
Sao umbando de vagabundas, merecem ser tratadas dessa maneira por esse pervertido.

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