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Oposição venezuelana se prepara para coleta de assinaturas contra Maduro

Coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) pretende que esta coleta, que chamam de "firmazo", se torne simbolicamente uma espécie de revogatório contra o presidente

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postado em 12/10/2016 13:49

France Presse

A oposição venezuelana ensaia nesta quarta-feira a coleta das milhões de assinaturas necessárias para convocar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, que será realizada em duas semanas com o objetivo de demonstrar que uma contundente maioria quer sua saída do poder.

Grupos de opositores se concentram nos 1.356 pontos de coleta de assinaturas estabelecidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para onde, de 26 a 28 de outubro, os venezuelanos que pedem o referendo devem se dirigir.

Nesta simulação, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) motiva os eleitores com o objetivo de superar amplamente as quatro milhões de assinaturas (20% do colégio eleitoral) exigidas pela lei para convocar a consulta.

"Estamos nos organizando porque temos que alcançar mais de 20%. O governo está fazendo de tudo para impedir isso. Se conseguirmos sete ou oito milhões estaremos dizendo a Maduro que queremos uma mudança imediata. Assim seria evitado um maior dano ao país", declarou à AFP Ismael Dacorte, um advogado de 51 anos, no colégio La Consolación, um dos pontos de concentração.

A MUD pretende que esta coleta, que chamam de "firmazo", se torne simbolicamente uma espécie de revogatório contra Maduro, diante da severa crise econômica que angustia os venezuelanos pela escassez de alimentos e remédios, e uma elevada inflação que o FMI projetou em 475% para este ano.

 

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"Em duas semanas seremos milhões de venezuelanos que vamos exigir este caminho constitucional para mudar o governo. Revogar Maduro é revogar a crise", declarou o ex-candidato presidencial Henrique Capriles.

Mas, como é habitual, o chavismo organizou em resposta uma concentração na Plaza Venezuela, no centro de Caracas.

Ainda não foi confirmado se será liderada pelo presidente, que retornou na madrugada desta quarta-feira de uma viagem à Turquia.

"Viemos apoiar a revolução e Maduro, ainda que existam adversidades. Dando as costas a ele não vamos solucionar nada", afirmou Darwin Arroyo, um jovem que caminhava em direção à manifestação do chavismo.

As concentrações são realizadas em meio a advertências da MUD de que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) - acusado pela oposição de ser um aliado do chavismo, assim como o CNE - estaria prestes a emitir uma sentença para frear o processo do revogatório.

Embora o CNE já tenha anunciado que o referendo será realizado em fevereiro ou março - se forem reunidas as quatro milhões de assinaturas -, a MUD insiste que seja feito neste ano porque, caso isso aconteça, se Maduro perder será preciso convocar eleições antecipadas, mas se ficar para 2017 e ele for revogado seu vice-presidente deverá terminar seu mandato até 2019.

"Anular o referendo revogatório seria como tentar desativar uma bomba-relógio lançando uma granada", opinou o analista Luis Vicente León, presidente da empresa de pesquisas Datanálisis.

Segundo a empresa Venebarómetro, sete em cada dez venezuelanos querem uma mudança de governo e 76,4% reprovam a gestão de Maduro.

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