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Deputados favoráveis à ruptura com a China assumem em Hong Kong

Dois deputados separatistas, Baggio Leung e Yau Wai-ching, se comprometeram, por exemplo, a servir à "nação de Hong Kong" exibindo uma bandeira que proclamava "Hong Kong não é a China"

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postado em 12/10/2016 14:54

France Presse

Hong Kong, China -Os deputados opositores de Hong Kong, favoráveis a uma ruptura com Pequim, transformaram a sessão inaugural do parlamento eleito em uma tribuna política contra o governo central chinês.

O Conselho Legislativo (LegCO) celebrou nesta quarta a sessão inaugural depois das eleições de setembro passado, nas quais foram eleitos muitos candidatos favoráveis a uma maior autonomia da ilha, dois anos depois das grandes manifestações pró-democracia.

Dois deputados separatistas, Baggio Leung e Yau Wai-ching, se comprometeram, por exemplo, a servir à "nação de Hong Kong" exibindo uma bandeira que proclamava "Hong Kong não é a China".

Em setembro, uma nova geração de políticos separatistas conseguiu entrar no Parlamento local, após a vitória nas primeiras eleições celebradas desde a criação do "Movimento dos Guarda-Chuvas".

Um recorde de 2,2 milhões de pessoas compareceram às urnas para uma eleição importante na cidade semiautônoma, onde cresce a sensação de que a China está endurecendo o controle em temas políticos, culturais e inclusive educativos.

Entre os novos parlamentares está Nathan Law, um dos líderes mais conhecidos do movimento conhecido como a "Revolução dos Guarda-Chuvas", que em 2014 bloqueou durante dois meses bairros inteiros na ex-colônia britânica.

Muitos candidatos abertamente partidários da independência não foram autorizados a disputar as eleições, depois que as autoridades argumentaram que militar pela independência é ilegal.

A participação foi de quase 60% dos 3,7 milhões de eleitores. Em 2012, a votação para o o LegCo teve índice de comparecimento de 53%.

Das 70 cadeiras no Legco, apenas 35 são definidas por eleição direta e representam circunscrições, enquanto outras 30 procedem de grupos profissionais favoráveis a Pequim e outras cinco, as chamadas "super cadeiras", são eleitas por voto popular, mas sem estar relacionadas a um território.

A oposição moderada pró-democracia tem 27 cadeiras, o que permite exercer uma minoria de bloqueio. Com quatro representantes a menos, também perderão este direito.

Na semana passada, a China advertiu os novos deputados a não militar pela independência.

Em um comunicado, Pequim adverte que não vai tolerar que se fale de independência dentro e fora do LegCo.

"Nos opomos com veemência a qualquer atividade que faça referência à independência de Hong Kong sob qualquer forma, dentro ou fora do Conselho Legislativo, e damos nosso firme apoio ao governo de Hong Kong para que imponha sanções de acordo com a lei", destacou a agência estatal Xinhua, que citou um porta-voz do gabinete de assuntos de Hong Kong e Macau do governo chinês.

"Também é contrário aos interesses fundamentais de todos os habitantes de Hong Kong", completa.

Hong Kong goza de uma semiautonomia em função do princípio "Um país, dois sistemas", que foi acertado durante as negociações que levaram, em 1997, à devolução da ilha, até então colônia britânica, à China.

O acordo firmado por Londres e Pequim prevê que durante 50 anos Hong Kong conservará liberdades políticas e civis desconhecidas no resto da China, governada pelo Partido Comunista.

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