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Escócia desafia Londres com projeto de referendo separatista

O anúncio do projeto de lei é visto como "um ultimato" - nas palavras de Toni Giugliano, conselheiro do SNP de Edimburgo - a May para que apresente um modo de manter a Escócia na UE

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postado em 13/10/2016 12:17

France Presse

Glasgow, Reino Unido - O governo regional da Escócia publicará na próxima semana o rascunho do projeto de lei para organizar um novo referendo de independência em resposta ao Brexit, anunciou nesta quinta-feira (13/10) a primeira-ministra Nicola Sturgeon.

"Posso confirmar que na próxima semana será publicado o projeto de lei do referendo de independência para consultas", disse Sturgeon no congresso anual do Partido Nacional Escocês (SNP), que acontecem em Glasgow. Desde o referendo britânico que aprovou a saída da União Europeia (UE), em 23 de junho, Sturgeon afirma que pretende explorar "todas as opções" para proteger o espaço da Escócia, onde o apoio ao bloco europeu foi gigantesco.

"Enfrentamos uma ruptura dura (com a UE) imposta pela ala mais à direita do Partido Conservador", advertiu Sturgeon em referência ao governo da primeira-ministra britânica Theresa May. "May não tem o mandato para retirar do mercado único nenhuma parte do Reino Unido", afirmou Sturgeon, antes de calcular que esta possibilidade é uma ameaça para 80.000 empregos na Escócia. O primeiro referendo de independência aconteceu em setembro de 2014 e terminou com a vitória dos partidários da permanência no Reino Unido (55%-45%).

O anúncio do projeto de lei é visto como "um ultimato" - nas palavras de Toni Giugliano, conselheiro do SNP de Edimburgo - a May para que apresente um modo de manter a Escócia na UE. Mas Theresa May foi muito clara no congresso do Partido Conservador na semana passada: o Brexit não é negociável e não haverá exceções. "Votamos no referendo como Reino Unido, negociaremos como Reino Unido e deixaremos a União Europeia como Reino Unido", disse May.

"Nunca permitirei que alguns nacionalistas divisivos minem a valiosa união entre as quatro nações de nosso Reino Unido", completou. Sturgeon advertiu ao governo britânico que será firme: "Se alguém acredita por um momento que não falo sério (...), que pense melhor".  "A Escócia não escolheu estar nesta situação. Seu partido nos trouxe até aqui", disse diretamente a May.

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"A bola, primeira-ministra, está no seu campo", concluiu. Nas últimas semanas, o governo conservador tem dado a entender que dará prioridade ao controle da migração europeia que pertencia ao mercado único, provocando assim temores pelo futuro econômico do, que se traduziu na recente queda da libra. Em seu discurso no Congresso,  Sturgeon acusou o governo May de "xenofobia" e de transformar os estrangeiros em "bodes expiatórios".

"Se servem (do Brexit) como de uma permissão para a xenofobia, muito tempo escondida sob a superfície e agora em plena luz do dia", afirmou, defendendo a criação de uma Escócia onde "se aprecie a diversidade e valorize as pessoas pela contribuição que dão, e não sejam julgadas pelo país onde nasceram", concluiu.

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