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Declarações de Hollande ofuscam primárias da direita francesa

O rebuliço geral provocado pelas confidências do presidente socialista que, segundo opiniões de seu próprio partido, enfraquecem a hipótese de uma candidatura, chegou ao debate televisionado dos pré-candidatos das primárias da direita

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postado em 14/10/2016 15:25

France Presse

	ALAIN JOCARD

Paris, França - O alvoroço causado pelas confidências do presidente francês François Hollande, faltando meio ano para as presidenciais, deixaram em segundo plano o primeiro debate televisado dos candidatos das primárias da oposição de direita.

No livro escrito por dois jornalistas a partir de entrevistas com o chefe de Estado francês, "Un président ne devrait pas dire ça..." (Um presidente não deveria dizer isso, em tradução literal), publicado na quinta-feira, François Hollande critica a Justiça, "uma instituição de covardes", afirma que os jogadores da seleção francesa de futebol precisam de "musculação do cérebro" e confessou ter autorizado, ao menos, quatro assassinatos dos serviços de inteligência no exterior.

Ante a repercussão das declarações, Hollande declarou "lamentar profundamente" tê-las feito, em um e-mail enviado aos magistrados, no qual afirmou que aquela não era sua maneira de pensar.

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O rebuliço geral provocado pelas confidências do presidente socialista que, segundo opiniões de seu próprio partido, enfraquecem a hipótese de uma candidatura, chegou ao debate televisionado dos pré-candidatos das primárias da direita.

Apesar de os sete candidatos conservadores tentarem fazer valer suas plataformas, todos acabaram mostrando uma frente comum contra o atual presidente.

"Os pobres, 'desdentados', os esportistas, 'descerebrados', os magistrados, 'covardes'... me pergunto até onde Hollande vai conseguir destruir e sujar a função presidencial", disparou o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, aspirante novamente ao cargo.

"O presidente faltou gravemente com os deveres de sua função e demonstrou uma vez mais não estar à altura de seu cargo", reagiu, por sua vez, Alain Juppé, favorito das primárias.

Durante o debate, Juppé, ex-primeiro-ministro e prefeito de Bordeaux, recordou que a direita está aberta aos "decepcionados com o hollandismo".

O vencedor das primárias da direita tem grandes chances de ser o futuro presidente.

As últimas pesquisas eleitorais apontam uma queda da esquerda nas intenções de voto para o primeiro turno e a vitória do candidato da direita frente a Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita, no segundo turno.

Até agora, Alain Juppé, de 71 anos, lidera as sondagens, graças a uma campanha ponderada e a uma imagem de unificador, apreciada pela direita moderada, pelo centro e até por uma parte da esquerda.

Prefeito da cidade de Bordeaux, Juppé tem uma imagem positiva entre a maioria dos eleitores da direita e do centro (75%) e entre os franceses em geral (55%), muito à frente de Nicolas Sarkozy, 61 anos, segundo enquete publicada na quarta-feira.

Sarkozy, que optou por uma campanha direitista, tem apenas 55% das opiniões favoráveis em seu próprio campo, e apenas 28% entre os franceses.

A campanha prevê mais dois debates antes do primeiro turno, nos dias 3 e 17 de novembro, e um debate entre os finalistas em 24 de novembro, três dias antes do segundo turno.

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