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Perda de Mossul pode significar golpe final a 'califado' do EI

Mas para o EI, a perda da região, após ter controlado em algum momento um terço do território do Iraque e grande parte da Síria, não marcaria necessariamente o fim do grupo extremista

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postado em 18/10/2016 18:47

France Presse


Bagdá, Iraque
- A perda de Mossul, berço do "califado" autoproclamado do grupo Estado Islâmico (EI) e elemento central de sua propaganda, seria um golpe fatal para o movimento extremista que controla vastos territórios no Iraque e na Síria.

Quando Abu Bakr al Baghdadi, número um do EI, proclamou na mesquita de Nuri, em Mossul, a instauração de um "califado" nos territórios conquistados no Iraque e na Síria, o grupo convidou muçulmanos de todo o mundo a se comprometerem para defender o novo "Estado".

Mas dois anos depois, após ter perdido várias posições estratégicas nos dois países, o projeto dos extremistas está em baixa e a perda de Mossul pode selar seu destino.

"A perda contínua de territórios faz com que o cenário de um 'califado' seja ainda mais difícil de manter para o grupo", escreveu a consultora de segurança, Soufan Group, em um comunicado.

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Em junho, as forças iraquianas conseguiram retomar Fallujah, cidade situada a oeste de Bagdá, onde soldados americanos tinham sofrido sua pior derrota desde a guerra do Vietnã.

No sábado, forças anti-jihadistas recuperaram Dabiq, uma posição de grande importância simbólica para o EI, já que, segundo uma profecia do Islã, o exército dos muçulmanos seria dizimado, mas acabaria vencendo nesta cidade do norte da Síria.

A cidade, inclusive, inspirou o nome da revista de propaganda do EI, editada em vários idiomas. Seu primeiro número, publicado em julho de 2014, centrou-se na construção do "Estado" e na defesa da ideia de um "califado", como uma tese confiável.

Imagem abalada

O grupo aproveitou infraestruturas estatais que já existiam, com funcionários que continuavam recebendo o pagamento de Bagdá, informou Aymen al Tamimi, especialista em extremismo da organização Middle East Forum.

"Quando o governo deixou de pagar os salários no verão passado, isto causou um prejuízo financeiro considerável ao EI", disse, em alusão à parte do salário que ficava com o grupo.

"A poderosa imagem do EI ficou, então, prejudicada, e acho que isto explica, em parte, a redução do fluxo de combatentes estrangeiros", acrescentou, avaliando que os controles mais exaustivos na fronteira com a Turquia também foram um fator importante neste aspecto.

Além de ser o local fundacional do "califado", Mossul foi o cenário de vários eventos que forjaram a imagem do grupo extremista.

A tomada de Mossul por 1.500 combatentes do EI, em junho de 2014, esteve acompanhada de uma debandada das forças iraquianas, o que teve um efeito dominó que os ajudou a anexar vários territórios mais, especialmente nas zonas de maioria sunita.

Este evento evidenciou o fracasso total das forças iraquianas e do treinamento que supostamente tinham recebido dos Estados Unidos.

Uma estratégia 'gradual'

Neste sentido, o anúncio feito na segunda-feira pelo primeiro-ministro, Haider al Abadi, pode permitir que as tropas iraquianas voltem a recuperar a auto-estima.

Tamimi avaliou que a Al Qaeda, cujas ações foram ofuscadas pelo avanço do califado, vai aproveitar seu declínio, ressaltando a estratégia mais "gradual" da organização do falecido Osama bin Laden.

"No plano internacional, o EI não será visto como a marca líder do extremismo mundial", acrescentou.

Se o EI teve, em algum momento, o monopólio do terror, a defesa medíocre que opuseram em Dabiq, sua cidade-símbolo, conduziu os internautas a publicarem comentários irônicos de que o apocalipse tinha sido adiado.

Mas para o EI, a perda de Mossul, após ter controlado em algum momento um terço do território do Iraque e grande parte da Síria, não marcaria necessariamente o fim do grupo extremista, que defende uma política de incentivar ataques suicidas e ações de "lobos solitários" em todo o mundo.

Além de uma possível vitória sobre os extremistas em Mossul, o grupo Soufan lembrou que para erradicar totalmente o grupo, esforços adicionais deverão ser feitos.

"Se for mal gerenciada, a batalha poderia ser uma nova pausa antes de um ressurgimento inevitável do terrorismo", advertiu.

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