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Putin vai a Berlim para difícil cúpula sobre Ucrânia e Síria

Não muito longe da sede do governo alemão, dezenas de manifestantes brandiam ursos de pelúcia ensanguentados para protestar contra os bombardeios na Síria, gritando palavras de ordem contra Moscou

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postado em 19/10/2016 22:35 / atualizado em 19/10/2016 22:44

O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a Berlim nesta quarta-feira (19/10) para participar da primeira reunião de cúpula em um ano sobre o conflito ucraniano com os líderes de Alemanha, França e Ucrânia - um encontro difícil que será seguido por outro também complicado sobre a Síria.

Putin foi recebido por Merkel às 18h30 locais (14h30, horário de Brasília).

Não muito longe da sede do governo, dezenas de manifestantes brandiam ursos de pelúcia ensanguentados para protestar contra os bombardeios na Síria, gritando palavras de ordem contra Moscou.

O encontro com Angela Merkel, François Hollande e Petro Poroshenko corre o risco de não dar qualquer resultado - é o que os próprios participantes temem -, enquanto a aplicação dos acordos de paz de Minsk de 2014 está bloqueada há vários meses.

"Há problemas sobre vários temas, o cessar-fogo, as questões políticas, ou humanitárias", disse a chanceler alemã na véspera da cúpula.

 

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"Não podemos esperar um milagre, mas, da forma como estão as coisas, é preciso fazer todos os esforços", ressaltou.

Na agenda figuram principalmente o respeito - bastante escasso - ao cessar-fogo entre as forças ucranianas e os rebeldes pró-russos, a adoção de uma lei eleitoral e a organização de eleições no leste do país, sob controle dos rebeldes pró-Moscou.

Sobre esses temas, Rússia e Ucrânia não param de fazer acusações mútuas. Pouco depois do anúncio da reunião, os dois países trocaram acusações de violação dos acordos existentes, o que certamente é um mau presságio para a reunião de Berlim.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, afirmou que "Kiev não faz nada", enquanto a Presidência ucraniana disse esperar que a reunião de Berlim "impulsione a Rússia a aplicar os acordos de Minsk".

Acusado de atiçar a crise armando e apoiando os rebeldes, Moscou rejeita essas alegações e considera que cabe à Ucrânia respeitar seus compromissos, visando a uma crescente autonomia da região do Leste.

Pior do que a Guerra Fria

"Não vamos ter expectativas muito elevadas com esta reunião", advertiu o presidente ucraniano em um encontro com a imprensa em Oslo.

"Tampouco espero um grande sucesso, mas, se conseguirmos fazer progressos sobre a instalação de novas zonas desmilitarizadas e sobre reformas eleitorais, seria um avanço", apontou o vice-chanceler alemão, Frank-Walter Steinmeier.

A esta reunião de quatro partes segue-se outra tripartite sobre o outro grande tema de tensão entre a Rússia e o Ocidente: a guerra na Síria, com os bombardeios de Moscou para apoiar o regime, em especial em Aleppo.

"Farei tudo o que puder junto com a chanceler Merkel para que essa trégua possa ser prolongada", declarou o presidente Hollande.

Também sem expectativa de um "milagre" em Berlim sobre a questão síria, Merkel disse que o tema das sanções contra a Rússia em represália por seus bombardeios "não pode ser contornado na mesa" de negociações.

Essa dupla cúpula acontece na véspera de uma reunião de chefes de Estado e de Governo da União Europeia que analisará as relações com Moscou, os bombardeios russos contra Aleppo e as sanções impostas à Rússia pelo conflito ucraniano e pela anexação da Crimeia.

Os líderes europeus vão condenar "firmemente" os ataques do regime sírio e de seus aliados, sobretudo, em Aleppo, como mostra o rascunho da declaração final obtido pela AFP.

"O Conselho Europeu condena firmemente os ataques do governo sírio e de seus aliados, especialmente da Rússia, contra civis em Aleppo" e convoca "um cessar imediato das hostilidades e a retomada de um processo político confiável, sob o patrocínio da ONU", completa o texto.

Os 28 também vão pedir a adoção de "medidas urgentes para garantir o acesso humanitário sem obstáculos a Aleppo e a outras partes do país", segundo essa proposta que será discutida nos dois dias de cúpula em Bruxelas.

Na segunda-feira (17/10), os chanceleres europeus já haviam advertido que os bombardeios sírios e russos contra as áreas de Aleppo controladas pelos rebeldes "podem constituir crimes de guerra".

Nessa linha, o rascunho de acordo ressalta que os responsáveis por violações "do Direito Internacional Humanitário e dos Direitos Humanos terão de prestar contas".

A reunião de trabalho desta quarta, em Berlim, entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes francês, François Hollande, e russo, Vladimir Putin, "determinará a forma e o caráter da discussão", disse um diplomata europeu à AFP.

Para acalmar os ânimos, em entrevista coletiva na noite de hoje, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu à UE que mantenha "sua unidade" frente à Rússia.

"Temos de permanecer sempre unidos. Isso também será crucial a respeito do papel da Rússia na Síria", defendeu Tusk.

Sem qualquer saída em vista, os tempos atuais "são mais perigosos" do que na Guerra Fria, já que, naquela época, "Moscou e Washington conheciam suas respectivas linhas vermelhas e as respeitavam", advertiu Steinmeier.

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