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Vladimir Putin pretende prorrogar trégua na cidade síria de Aleppo

Aleppo se tornou o principal front da guerra que devasta a Síria desde 2011 e que deixou mais de 300 mil mortos. "Graças a Deus, não há aviões no céu neste momento", disse porta-voz dos Capacetes Brancos em Aleppo

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postado em 20/10/2016 08:38 / atualizado em 20/10/2016 09:23

France Presse

Berlim, Alemanha - O presidente russo, Vladimir Putin, disse que está disposto a prorrogar, na "medida do possível", a trégua que será observada nesta quinta-feira (20/10) na cidade síria de Aleppo, após uma "dura" reunião em Berlim com os mandatários de França e Alemanha, François Hollande e Angela Merkel.

"Revelamos nossa intenção de prorrogar, na medida do possível e em função da situação real no terreno, a suspensão dos nossos ataques aéreos", declarou Putin em entrevista coletiva transmitida pela TV russa após a reunião. Aleppo respirou nesta quarta-feira sem bombardeios e a Rússia um dia antes da "trégua humanitária" na cidade, que durará 11 horas, três a mais que o previsto, para permitir a saída de quem quiser ir embora.

O Exército sírio informou que de sua parte a trégua durará três dias - 20, 21 e 22 de outubro - entre 05H00 GMT (08H00 local) e 13H00 GMT. "Saímos desse encontro com a impressão de que pode haver uma prolongação da trégua, mas cabe ao governo sírio e à Rússia provar isso", declarou Hollande.

 - Discussões claras e duras -
O presidente francês e a chanceler alemã não excluíram a imposição de sanções contra a Rússia pelo bombardeio de civis em Aleppo, ao final da reunião com Putin. "Tudo que represente uma ameaça pode ser útil", declarou Hollande à imprensa sobre o tema, enquanto Merkel estimou que "não podemos nos privar desta opção". Sobre as possíveis sanções, o presidente francês declarou que "as opções estão abertas", e citou "indivíduos responsáveis que realizam este tipo de ações e crimes".

Hollande denunciou como "crimes de guerra" os bombardeios russos e do governo sírio sobre a cidade. "O que acontece em Aleppo é um crime de guerra. A primeira exigência é o cessar dos bombardeios por parte do governo e de seus aliados". A chanceler alemã denunciou os bombardeios "desumanos", depois de discussões chamadas de "claras e duras" com Putin. O secretário de Estado americano, John Kerry, advertiu à Rússia que capturar Aleppo não ajudará a acabar com a guerra civil e talvez radicalize as forças da oposição.

"Ainda que a Rússia e Assad tenham sucesso e tomem Aleppo, a dinâmica fundamental desta guerra não mudará (...), mas se os russos suspenderem seus bombardeios e ordenarem a Assad que detenha a ofensiva, então os poderes internacionais poderão trabalhar no terreno com os moderados para isolar os extremistas", declarou o secretário de Estado. Esta região, sob controle rebelde desde 2012 e onde vivem 250.000 pessoas, está sob fogo intenso desde que o regime de Damasco lançou em 22 de setembro uma ofensiva com o objetivo de retomar totalmente a cidade, ex-capital econômica e a segunda mais importante do país.

'Sem aviões no céu'
Aleppo se tornou o principal front da guerra que devasta a Síria desde 2011 e que deixou mais de 300 mil mortos. "Graças a Deus, não há aviões no céu neste momento", disse à AFP Ibrahim Abú al Leith, porta-voz dos Capacetes Brancos em Aleppo, socorristas da zona rebelde. "Mas ainda há disparos de artilharia e foguetes", acrescentou. Na terça-feira, aproveitando a pausa dos ataques aéreos, a população de Aleppo saiu às ruas para comprar alimentos, que são cada vez mais escassos.

O correspondente da AFP em Aleppo disse que não foram reportados bombardeios, mas que prosseguem os combates com artilharia pesada entre os rebeldes e os combatentes do governo. A zona rebelde de Aleppo está completamente sitiada pelas forças governamentais há três meses. A "pausa humanitária", que começa na quinta-feira às 08h locais (03h de Brasília) e vai até as 16h (11h00 no Brasil), permitirá a abertura de seis corredores humanitários para evacuar civis e feridos e outras duas passagens para a eventual retirada de combatentes.

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A ONU considerou insuficiente o tempo de duração desta trégua, pois para aportar socorro a Aleppo são necessárias ao menos 48 horas, segundo declarou nesta quarta-feira Jens Laerke, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). "Houve três tréguas em Aleppo desde o começo do ano. E não houve resultados (...) Não acreditamos nisso", reagiu, durante visita a Paris, Abdulrahman Almawas, vice-presidente dos Capacetes Brancos.

O regime de Damasco e a Rússia asseguram ter bombardeado os bairros rebeldes de Aleppo para eliminar "terroristas". "Devemos eliminar os terroristas de Aleppo, é assim que protegeremos os civis", disse o presidente Al Assad, em entrevista com a TV suíça SFR 1, divulgada nesta quarta-feira. Por outro lado, 620 rebeldes e suas famílias evacuavam nesta quarta-feira Muadamiyet al Sham, localidade sitiada síria a sudoeste de Damasco, após um acordo com o governo, para serem levados a Idleb, província do noroeste, controlada por uma aliança de rebeldes e extremistas.

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