Meninas são chave para progresso de países em desenvolvimento, diz ONU

Mais da metade das 65 milhões de meninas de 10 anos que existem no mundo vivem nos 48 países com maior desigualdade entre sexos, a maioria na África e no Oriente Médio

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postado em 20/10/2016 09:29

Londres, Reino Unido - Os países em desenvolvimento podem acabar desperdiçando seus "booms" demográficos se não melhorarem a educação e os direitos básicos das meninas, advertiu nesta quinta-feira o Fundo de População da ONU (UNFPA) em seu relatório anual. As meninas são menos propensas a completar a escola e mais a ser submetidas a casamentos de conveniência, trabalho infantil, mutilação genital e outras práticas que impedem que desenvolvam todo o seu potencial, afirma o relatório apresentado em Londres.

Por sua vez, se as meninas forem apoiadas antes de chegar à adolescência, os países em desenvolvimento podem colher os frutos econômicos de tais medidas, afirmou o UNFPA (em suas siglas em inglês). Mais da metade das 65 milhões de meninas de 10 anos que existem no mundo vivem nos 48 países com maior desigualdade entre sexos, a maioria na África e no Oriente Médio.

"Em algumas partes do mundo, uma menina de 10 anos, no limiar da adolescência, tem diante de si possibilidades ilimitadas e começa a tomar decisões que influenciarão em sua educação e, mais tarde, em seu trabalho e sua vida", disse Babatunde Osotimehin, subsecretário-geral da ONU. "Mas em outras partes do mundo", acrescentou, "os horizontes de uma menina de 10 anos são limitados. Quando alcança a puberdade, uma combinação de seus familiares, das figuras da comunidade, das normas sociais e culturais, das instituições e de leis discriminatórias bloqueiam seu caminho".

"Onde terminará, dependerá do apoio que receber e do poder de moldar seu próprio futuro". Se as meninas cursassem o ensino médio na mesma proporção que os meninos, os países em desenvolvimento - onde vivem 90% das meninas de 10 anos - receberiam 21 bilhões de dólares anuais adicionais, estimam os autores do relatório.

- A ameaça da violência -
Para alcançar isso, as famílias poderiam ser recompensadas para que suas filhas frequentassem a escola, melhorar as dependências educacionais, os uniformes, fornecer bicicletas para comparecerem às aulas e reduzir as tarefas domésticas, o que daria mais tempo para elas fazerem os deveres de casa. "Para as meninas de 10 anos, o que está em jogo é triplicar suas receitas ao longo de sua vida. Para as sociedades às quais estas meninas pertencem, está em jogo a redução da pobreza", afirma o documento.

Muitas meninas não seguem com sua educação depois de se casar, e a UNFPA convoca a impor uma idade mínima de 18 anos para o casamento, estimando que 47.700 meninas se casam diariamente antes desta idade. Colocar o foco no bem-estar mental e físico das meninas também beneficiaria a sociedade, sugere o documento.

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"É mais provável que uma adolescente morra de Aids que de qualquer outra coisa", afirma a UNFPA. "Em vários países africanos subsaarianos, as meninas desta faixa etária têm cinco vezes mais chances de se infectar que os meninos", adverte. O estudo convoca os governos a oferecer educação sexual nas escolas quando os alunos alcançam a puberdade e proibir a mutilação genital. Também convocaram a erradicar a violência contra as adolescentes: a cada 10 minutos morre no mundo uma jovem como resultado de algum tipo de violência, segundo dados da UNFPA.
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