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Iraquianos começam a fugir da batalha de Mossul e abandonam aldeias

Dezenas de crianças, mulheres e homens abandonaram o povoado de Mdaraj, sul de Mossul. Alguns a pé, outros de carro. Todos esperam que a polícia lhes devolvam seus documentos depois das fiscalizações

Agência France-Presse
postado em 20/10/2016 10:03
Dezenas de crianças, mulheres e homens abandonaram o povoado de Mdaraj, sul de Mossul. Alguns a pé, outros de carro. Todos esperam que a polícia lhes devolvam seus documentos depois das fiscalizações
Tina, Iraque - Famílias inteiras estão abandonando suas aldeias por medo da batalha da Mossul, uma fuga que os leva aos arredores do povoado de Tina, mais ao norte, onde se acomodam em meio à poeira e lixo. Esse é o primeiro grupo a fugir dos combates e não será o último. A ONU teme que mais de um milhão e meio de pessoas abandonem suas casas para fugir da ofensiva de reconquista da cidade de Mossul, controlada pelo grupo Estado Islâmico (EI) desde 2014.

Dezenas de crianças, mulheres e homens abandonaram o povoado de Mdaraj, sul de Mossul. Alguns a pé, outros de carro. Todos esperam que a polícia lhes devolvam seus documentos depois das fiscalizações. "Nós fugimos às escondidas deles", conta Abu Hussein, referindo-se aos combatentes do EI e de como passaram despercebidos na fumaça dos poços de petróleo. Em Mdaraj, as condições eram horríveis. "Não tínhamos comida nem para três dias", acrescenta Rabah Hasan Yussef, que fugiu com a esposa e três filhos.

Antes de abandonar a aldeia, falaram por telefone com as forças de seguranca para pedir orientações de para onde deveriam ir. No local indicado, receberam água e comida. Hassan Yussef está feliz por ter escapado do jugo do EI, apesar de sentir falta de sua casa. "Dormíamos em casa, sim, mas não estávamos bem". Um pouco mais longe, é possível ver pilhas de mantas, travesseiros e pratos, a bordo de caminhonetes e tratores. Foram trazidos pelos deslocados, que chegaram, inclusive, levando carneiros e galinhas.

- Muitas famílias -
O deslocamento da população começou no dia seguinte ao anúncio da operação de reconquista de Mossul, explica Qusay Kadhim Hamid, um dos comandantes das forças de intervenção rápidas sob a autoridade do ministério do Interior. "Começou na terça, com algumas famílias. Mas depois notamos movimentos incomuns de famílias, desde o amanhecer", contou.

Sua tropa acolheu cerca de 50 famílias. As forças de segurança, no entanto, precisam comprovar a identidade dos refugiados e se assegurar de que não carregam bombas ou são combatentes do EI tentando se esconder. Qusay Kadhim Hamid teme que o número de refugiados aumente consideravelmente à medida que as forças pró-governamentais, apoiadas pela coalizão internacional, sigam avançando nas zonas densamente povoadas dos arredores de Mossul.



A coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, Lise Grande, afirmou na segunda-feira que por ora são poucos os que fogem, mas ela não descarta "movimentos de população importantes dentro de cinco ou seis dias".

Apesar de se encontrarem relativamente a salvo, de terem conseguido fugir das aldeias controladas pelos extremistas do EI e terem evitado ficar no meio dos combates entre os jihadistas e as forças iraquianas, os refugiados não se sentem tranquilos. "Isso não quer dizer que nossas vidas não correm perigo", constata Abu Hussein.

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