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Oposição denuncia 'golpe de Estado' na Venezuela

A oposição venezuelana convocou uma mobilização para a próxima quarta-feira, em todo o país, para rejeitar a suspensão do processo de referendo revogatório contra Maduro

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postado em 21/10/2016 23:55

France Presse

O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, afirmou na noite desta sexta-feira (21/10) que a suspensão do processo de referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro é um "golpe de Estado", e convocou os venezuelanos a "restituir a linha constitucional".

"Na Venezuela ocorreu um golpe de Estado, não se pode qualificar de outra forma. Chegou a hora de defender a Constituição da República Bolivariana da Venezuela. Temos que restituir a linha constitucional", declarou Capriles, na primeira reação da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

A oposição venezuelana convocou uma mobilização para a próxima quarta-feira, em todo o país, para rejeitar a suspensão do processo de referendo revogatório contra Maduro.

"Na quarta-feira (...) será o início de uma mobilização, em todo o país, e vamos tomar a Venezuela de ponta a ponta, com todo o povo mobilizado para restituir a linha constitucional", disse Capriles em entrevista coletiva.

 

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O porta-voz da MUD, Jesús Torrealba, declarou que "o governo quer a violência ou a submissão". "Nossa proposta vai ser a da coragem cívica, a da resistência pacífica. Um país em ditadura deve lutar de forma ousada para que haja voto".

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), ao qual a oposição acusa de ser aliado do governo, assim como a Justiça, justificou a decisão de paralisar o referendo revogatório, acatando a sentença de tribunais penais de cinco estados, que anularam por fraude uma primeira coleta de assinaturas de 1% do colégio eleitoral.

A MUD estava certa de que superaria os 20% de assinaturas exigidos, em meio a um crescente mal-estar popular com a grave crise econômica que castiga o país petroleiro, com uma aguda escassez de alimentos e medicamentos, e uma inflação que o FMI estima em 475% este ano.

O presidente socialista, eleito em abril de 2013 após a morte de seu mentor, Hugo Chávez, e cujo mandato termina em janeiro de 2019, enfrenta uma impopularidade de 76,5% e 62,3% votariam para revogá-lo, segundo a empresa Datanálisis.

"Um cenário muito perigoso"

"O governo empurra para um cenário muito perigoso e de aumento da crise", advertiu Capriles, contra quem uma corte proibiu a saída do país, assim como Torrealba e outros seis opositores, acusados de suposta fraude.

O CNE já tinha advertido que, mesmo que fossem reunidos os 20% de assinaturas, o referendo seria realizado em fevereiro ou março de 2017. Tarde demais para a oposição, pois neste caso, segundo a Constituição, o presidente revogado cede o poder ao seu vice, sem convocação de novas eleições.

Mas a oposição estava confiante em que uma pressão cidadã maciça pelo referendo obrigaria o CNE a realizá-lo este ano e conseguir, assim, realizar eleições antecipadas.

"Não poderão adiar a mudança que este país pede", acrescentou Torrealba.

OEA denuncia 'ruptura democrática'

A paralisação do processo de referendo foi qualificada de "rompimento democrático" pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro.

"Hoje estamos mais convencidos do que nunca do rompimento democrático na #Venezuela. Chegou a hora de adotar ações concretas @OEA_oficial", escreveu Almagro no Twitter.

"Apenas as ditaduras despojam seus cidadãos dos direitos, ignoram o legislativo tem presos políticos", disse Almagro.

Os Estados Unidos acusaram o CNE de "polarizar" e tentar "bloquear" uma saída democrática à profunda crise política na Venezuela.

"Infelizmente, pensamos que esta decisão é indicativa da polarização do Conselho", destacou o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, com relação ao CNE.

O porta-voz ressaltou, lendo uma nota, que o CNE "está sendo usado para bloquear o exercício pelo povo venezuelano de seu direito constitucional e democrático a determinar a direção do seu país".

"Estamos profundamente preocupados com a decisão", disse Kirby, destacando que os venezuelanos enfrentam "desafios" humanitários, políticos e econômicos "cada vez mais severos".

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