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Mapa da eleição nos EUA mostra caminhos para vitória de Hillary Clinton

E a oposição republicana perde redutos históricos, arrastada pela rejeição a Donald Trump

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postado em 23/10/2016 08:00

Gabriela Freire Valente

JUSTIN SULLIVAN/AFP


Habitualmente divididos entre estados azuis e vermelhos, o mapa das preferências políticas nos Estados Unidos pode estar prestes a experimentar mudanças na eleição presidencial de 8 de novembro. Diante da rejeição à candidatura de Donald Trump dentro do próprio Partido Republicano (representado pelo vermelho), Hillary Clinton, que disputa a Casa Branca pelo Partido Democrata (o time azul), tem ganhado espaço em tradicionais redutos adversários. Apesar de ter problemas com os índices elevados de desaprovação entre parcelas consideráveis do eleitorado, a candidata governista avança e coloca em xeque a capacidade da oposição para superar divisões internas e recuperar a capacidade de mobilização.

A consolidação da vantagem de Hillary nas pesquisas nacionais de opinião começou a se desenhar antes mesmo da rodada de debates, aberta no início do mês. A pouco mais de duas semanas da votação, a ex-secretária de Estado chega à reta final da disputa presidencial com 48% das intenções de voto, contra 42% para Trump, segundo a média calculada pelo site analítico Real Clear Politics. Mas é na observação das disputas em cada um dos 50 estados que a vantagem da democrata se torna mais clara (veja infografia).

Embora as medições nacionais sejam um bom termômetro para a popularidade do candidato, o sistema de voto indireto determina a vitória a partir do resultado da disputa em cada unidade da federação. Em uma eleição marcada por intensa polarização, Hillary mantém o cenário confortável nos bastiões democratas e tem explorado espaços para projetar a candidatura também em território opositor.

“Isso é muito significativo para a dinâmica política deste país”, observa Dewey Clayton, professor de ciência política da University of Louisville, no Kentucky. “Ela precisa de apenas 270 votos no Colégio Eleitoral, e alguns analistas dizem que tem chances de conseguir 352. Para Trump, que vem  perdendo terreno em estratos tradicionalmente republicanos, o caminho para a vitória se torna cada vez mais estreito.

Pesquisas mostram que o apoio à chapa republicana em estados como Arizona, Geórgia, Carolina do Norte, Texas e até o ultraconservador Utah perde força a ponto de a campanha democrata intensificar a presença nessas regiões, com a esperança de ver o vermelho trocado pelo azul, na noite da eleição.

Mulheres decidem

Segundo a imprensa americana, o que Hillary busca é uma vitória de lavada, para silenciar as alegações de Trump de que as eleições são alvo de fraude e afastar questionamentos sobre sua força política. Para Anthony Gaughan, observador político e professor de direito eleitoral da Drake University, em Iowa, a sequência de acusações de assédio sexual contra o empresário complica sua situação entre o eleitorado conservador e aumenta as chances de que ele sofra uma derrota esmagadora. “Se Hillary ganhar na Pensilvânia e na Carolina do Norte, não há chances para Trump vencer a disputa. E ela tem uma vantagem significativa nesses estados”, avalia.

Clayton concorda que a polêmica sobre a forma como Trump trata as mulheres pode ter sido fatal para o candidato. “Mulheres brancas com ensino superior vão decidir essa eleição”, aposta. “Essas mulheres normalmente elegem republicanos, mas acho que vão votar em Hillary.”

Em Nevada, estado onde Trump tinha mais chances de virar o jogo, as últimas pesquisas indicam queda no apoio ao republicano, ultrapassado pela rival governista por quatro pontos percentuais. Na Flórida, um dos tradicionais swing states — onde a preferência do eleitorado oscila a cada eleição —, com um dos maiores contingentes de delegados ao Colégio Eleitoral, a vantagem é também de quatro pontos para Hillary.

À intensa polarização da disputa se soma a resistência dos eleitores a dividir o votos entre mais de um partido. Apenas 4% dos entrevistados pelo instituto YouGov pretendem escolher, para o Congresso, candidatos de filiação partidária distinta da chapa presidencial preferida. Nesse quadro, o analista da University of Louisville observa que o possível triunfo de Hillary deve ser acompanhado por bons resultados para os democratas na disputa pelo Senado.

“A campanha dela está tirando recursos de alguns estados e colocando em outros. Está gastando a fim de ajudar os democratas que concorrem ao Senado”, observa. “Se ela ganhar a presidência, terá um caminho mais fácil para governar se contar com maioria democrata na casa, para ajudar a passar sua agenda legislativa.”

Zebra no Oeste


Reduto da comunidade mórmon e um dos estados mais conservadores dos EUA, Utah tem se revelado menos favorável à chapa republicana, neste ano, do que no histórico das eleições presidenciais. Enquanto Donald Trump enfrenta dificuldades entre os eleitores religiosos, o candidato de terceira via Evan McMullin, ex-congressista e funcionário da Agência Central de Inteligência (CIA), rouba votos preciosos do polêmico empresário. McMullin concorre como independente e seu nome deve aparecer nas cédulas de votação em apenas 11 estados. Embora quase desconhecido em nível nacional, em Utah ele lidera a pesquisa mais recente, da Emerson College, com 31% das intenções de voto, contra 27% para Trump e 24% para Hillary Clinton.

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